Eu tenho o costume de assistir muitas palestras sobre filosofia, espiritualidade, esoterismo e todo o tipo de conteúdo que busca refletir sobre a vida e seus segredos; sobre Oculto. Aliadas às minhas leituras, cujos títulos em sua maioria também são dos mesmos assuntos, isso acaba me abrindo os olhos mais e mais para a minha ignorância. Uma vez escrevi que “quanto mais aprendo, mais ignorante eu fico”. É claro que não se trata de um aumento de ignorância, mas sim de perceber o quão ignorante sou, no fim das contas.

Nem sempre fora assim. Já fui muito mais chato e convicto. Convicto da minha estupidez, por assim dizer. Debatia, ou melhor, me debatia, com qualquer assunto em que eu já tivesse uma opinião formada. Aliás, esse é outro ponto que aprendi no percurso da vida e dos estudos: a opinião é doxa e, por isso, não tem real valor. Ela é baseada na percepção pessoal da pessoa que a dá e, assim, está suscetível a todos os seus vícios. Se opinião fosse baseada em fatos, não seria opinião. Enfim, eu demorei para aprender isso e, por muito tempo, discutia baseando-me nos meus “achismos”, isto é, dizia “é minha opinião”. Pura ignorância recheada de arrogância.

Hoje sigo por outro caminho. Sempre parto do pré-suposto que não sei nada sobre o assunto, mesmo que já conheça algo dele. Sempre há alguma coisa a mais para aprender. Nós nunca atingimos a verdade última. Não enquanto seres humanos cheios de limitações.

Com isso não quero dizer que hoje sou humilde. Longe disso; sou repleto de vícios e trabalho neles conscientemente todos os dias, lapidando-os o melhor que posso, com as ferramentas atuais que tenho. E sei que, se amanhã eu pensar igual a hoje, então nada aprendi. Se minha visão do mundo mudar, então cresci. E assim sigo meu aprendizado, sem a vergonha de admitir meus erros e sabendo que são eles que mais me ensinam. E, de fato, essa é a única forma de aprender: através de erro. De outra forma é puro acerto de sorte, sem aprendizado.

Esses pensamentos mais maduros são, claro, consequências da constante dedicação em busca da verdade e da sabedoria, essa última quase utópica, cuja semente fora implantada por meu finado pai. Não tive esses pensamentos em minha adolescência e certamente não teria a petulância de cobrá-los dos mais jovens hoje em dia. Tudo ao seu tempo. Uma fruta madura que cai do pé para ser colhida não pode esperar que a verde se jogue, pois, ao invés disso, seria descartada. Todos percorremos nossos próprios caminhos, em nossa própria velocidade.

Por isso é importante nos despirmos de toda a arrogância do saber e sempre ver o mundo com os olhos de um aprendiz. Assim estaremos em movimento, descobrindo novos caminhos e novas facetas da vida e, com algum empurrão do destino, talvez, por tanto aprender e tantos caminhos percorrer, acabaremos tropeçando naquela chave que abre um dos segredos ocultos do Universo. E, dessa forma, daremos um passo em direção àquela verdade última, à sabedoria, tornando-nos um pouco mais completos, mais amáveis, mais tolerantes e, claro, mais humanos.

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