Quando uma pessoa é atéia, ela o é, em tese, por dois motivos: Ou nunca teve uma experiência espiritual legítima, ou ela é extremamente cética a qualquer coisa que não consiga mensurar quantitativamente. O ateísmo é o extremo da descrença espiritual. Porém, no outro extremo, também existe aquela pessoa que acredita em tudo, e tenta encaixar todas as crenças, com as quais se depara, em sua vida. Ambos os casos são muito tristes. O primeiro pelo fato da pessoa não conseguir experimentar a espiritualidade legítima, e o segundo, pelo mesmo motivo. Sim, acreditar em tudo o que parece espiritual não é saudável, porque a grande maioria dos cultos, seitas, religiões anímicas ou astralistas, nada têm de espiritual. Nada tem de místico.

Hoje em dia, a palavra “místico” é tão mal usada, que vemos até “mística do futebol”, o que é ridículo. Existe uma verdade: Algo místico é algo que lhe proporciona uma experiência espiritual legítima, e essa experiência mística só ocorre internamente, sem agentes externos. Qualquer muleta exterior que seja necessária para atingir uma “união mística” com algo espiritual é ilusória (e perigosa).

O divino fala conosco o tempo inteiro, mas todo e qualquer entendimento, que é a experiência de união mística, é soterrado pelos pensamentos e emoções caóticas com as quais sobrecarregamos nossa vida. Então, a essa altura, o leitor já se deu conta de que se faz necessário apaziguar a mente, organizar os pensamentos e silenciá-los, um a um, até que possamos “ouvir” aquela conexão espiritual interna.
Portanto, não é perdendo o controle sobre si, entorpecendo a mente, jogando-a em um turbilhão de emoções (e às vezes alucinações), seja através de plantas, chás, drogas químicas ou qualquer tipo de agente externo, que se alcança uma experiência espiritual legítima. Todos esses causam efeitos na mente, que é animal (animismo) e, portanto, acaba por manter a pessoa em uma falsa espiritualidade enquanto a verdadeira experiência mística fica distante da vida dela e, assim, esta continua longe de sua evolução espiritual.

E o grande perigo dessas formas de “busca espiritual” é que, um psicoativo, quando usada em um ambiente recreativo, tem a ressalva de que, qualquer efeito alucinógeno, eufórico ou de percepção, é bem sabido ser apenas resultado do uso da substância; porém, quando usado em um contexto religioso, os efeitos dele passam a ser levados como reais e, assim, mantém a pessoa naquele caminho ilusório, impedindo-a de desenvolver-se espiritualmente de forma real.

A aparente expansão da consciência, visões interiores e experiências com divindades e seres da natureza causada por agentes externos, nada mais são do que efeitos psicotrópicos advindos desses agentes; não são experiências interiores e espirituais reais. É claro que a estimulação da mente, como citado acima, pode ser muito boa para efeitos psicológicos e emocionais. Ajudando a entender, através da introspecção que ela pode causar, traumas e problemas antigos que gerem transtornos atuais, ou, em algum nível, ajudar no tratamento da ansiedade e depressão. E isso tem seu valor, quando visto dessa forma; entretanto, torna-se perigoso quando associado a um aspecto religioso e transcendental, porque não há, de forma legítima, nenhum e nem outro. Por isso fique atento! Questione, reflita, evolua!

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