Em tempos de pandemia, para um bom ansioso, qualquer garganta inflamada é Covid-19, qualquer espirro é Covid-19, qualquer coriza é Covid-19. E isso não é de agora. Em outros tempos, qualquer garganta inflamada por alguns dias é um problema mais sério, cujo nome sequer me atrevo a escrever; qualquer alteração na pele, um galo, um arranhão despercebido, tudo é motivo de alerta para a pior opção que poderia aparecer. E se aparecer uma íngua no pescoço? Nossa…

Por que os ansiosos são assim? A ansiedade é o mal de milhões de brasileiros e, claro, isso nos coloca no primeiro lugar do ranking no mundo. Somo o país com mais transtorno de ansiedade do planeta. Com isso temos uma nação ansiosa e, óbvio, isso reflete no próprio curso do país.

A ansiedade, como já comentei em outras colunas, é o excesso de futuro. O ansioso está sempre preocupado com os dias, não de amanhã, mas de meses adiante; com o que pode acontecer, mas quase nunca com o presente, com o que efetivamente está acontecendo. Eu sei bem como é, estou dentro dessa estatística. Felizmente eu aprendi a controlar minha ansiedade e hoje, quando ela aparece, ainda que em momentos muito específicos, eu sei como pô-la para dormir rapidinho.

O primeiro passo para o ansioso, é admitir que é ansioso, e, não no sentido de ter pressa, mas sim no sentido de transtorno mesmo. Entender que a ansiedade é uma doença (CID 10 F41); é um transtorno que precisa ser tratado de alguma forma. E, de alguma forma eu não me refiro diretamente a remédios, mas nos hábitos, na gestão do próprio tempo e, acima de tudo, no autoconhecimento, tanto do próprio corpo quanto da própria mente. Conhecer a nós mesmos nos dá poder e liberdade para enfrentar a ansiedade. Isso é de imenso valor.

Quando da necessidade de um tratamento mais forte, a medicina está aí. Seja na forma de um bom terapeuta, ou de um psiquiatra, quando o assunto exigir remédios químicos. O que pode ser necessário em alguns casos mais extremos.

Porém, a ansiedade em si, é um transtorno psicológico e deveria ser tratada, primariamente, através da mente. Com uma vida mais tranquila, hábitos mais saudáveis e, claro, lazer. O stresse da vida cotidiana é uma bomba e precisa ser desligada nos momentos de descanso. Abandone o celular, fique longe das notícias, entre em contato com a natureza ou vá ler um bom livro de ficção. Desconecte-se do mundo para recarregar as energias enquanto descarrega o estresse e a ansiedade. Feche os olhos, sinta a respiração, o ar ao seu redor, os sons do mundo, o momento presente. Essa conexão entre nós e a natureza é sagrada e ignorarmos ela, perdidos no futuro, é o grande mal da ansiedade.

Você está no presente. Não se esqueça disso. Você está aqui, agora, lendo essa coluna, nesse momento. Presente atenção nessas letras escritas, elas estão aqui, e agora, na sua frente. Só há o presente. Planeje o futuro, mas não viva nele. Aprenda com o passado, mas não viva nele. Só há o presente e, perceber isso, absorver essa verdade, vai lhe lembrar o quanto você é humano e a ansiedade passará a ser apenas um pequeno instante no presente que logo desaparecerá.

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