Há 148 anos, ainda como vila, era fundada essa cidade onde eu iria viver maior parte da minha vida até então. Hoje, dia 5 de maio, representa para mim também a escola onde iniciei meus estudos nessa mesma cidade que eu adotei como minha casa: Montenegro. E junto a esse “nome”: ‘Cinco de Maio’, está ligada à minha vida.

Vivi aqui dos três aos cinco anos e, depois, mudei-me definitivamente para cá com minha família em 1994, aos dez anos. Em ambos os momentos morei no bairro… Cinco de Maio. Estudei na escola Cinco de Maio até terminar os anos que ela dispunha, indo posteriormente para o Polivalente, onde me formei no ensino médio.

Montenegro e Cinco de Maio sempre estiveram no cerne de minha vida. Minhas mais antigas amizades foram forjadas naquele bairro, naquela escola, com essa data como plano de fundo. Foi lá que assisti, pela primeira vez, Cavaleiros do Zodíaco e, sim, isso tem um simbolismo fundamental para mim, pois foi a justiça, a amizade, a força de vontade e a persistência que aprendi vendo esse desenho que montaram grande parte do que sou. Fora a minha mais velha e mais forte amizade que guardo no coração até hoje, que também nasceu através desse desenho. Maicon Garcia que o diga, depois de eu guardar meia tonelada de mangás para serem despachados para Portugal, não é, Maicon?

Essa cidade tem uma magia nela. Ela é como um grande condomínio onde todos parecem se conhecer, onde todos se esbarram e se cumprimentam, sorriem e se abraçam (bom, isso antes da pandemia). Ela é o próprio coração do Montenegrino. E, mesmo que hoje não possamos comer cento e quarenta e oito metros de bolo nesse dia 5 de maio, sei que todos nós, apaixonados pela nossa cidade, sentimos um carinho especial por esse lugar, ainda mais hoje.

Quantas histórias nasceram, cresceram e se fortaleceram sob a sombra do morro São João? Ou à beira do rio Caí? Sei que eu passei algum tempo da minha vida nesses lugares, apreciando o que Montenegro sempre ofereceu com muito amor, com muita beleza. E, por esse motivo, mesmo tendo nascido em Porto Alegre, posso bater no peito e dizer que sou Montenegrino. Porque me preocupo com nossa cidade mãe, com nossos irmãos e irmãs desse grande condomínio cheio de vida e energia.

Ainda que, nesses últimos anos nossa cidade tenha passado por diversos revezes, e não temos mais muitas das belezas que tínhamos em décadas anteriores, sei que, mesmo assim, guardamos em nossas memórias (pelo menos os mais velhos) e temos esperanças de voltarmos a ver coisas como o morro iluminado no Natal, ou as grandes festas no Parque Centenário, que mobilizavam toda a cidade. Essas ações que nos uniam cada vez mais como um só povo feliz e orgulhoso da nossa terra.

Que o Grande Arquiteto Do Universo possa, em sua sabedoria, iluminar nossos governantes, nossos conterrâneos, e a nós mesmos, para que façamos de nosso lar, um lugar cada dia mais lindo, mais feliz e harmonioso. E que Montenegro e o 5 de Maio possa continuar inspirando cada um de nós a nos tornarmos, cada vez mais, melhores seres humanos.

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