É semana de feira, mais especificamente, da 19ª Feira do Livro de Montenegro, também a 14ª Feira do Livro do Vale do Caí. E, como sou escritor e participo dessa edição com a minha série de dragões: A Saga Draconiana e meu Universo Drakkar, não poderia deixar de falar sobre a importância desse mundo.

Escrever é uma arte, isso é inegável, porém, também é um negócio e, aquele que não trata o seu texto como produto, está fadado a engavetá-lo, ou cair no esquecimento em pouco tempo. O escritor é um empreendedor. Ele negocia com editora, ele negocia com blogs e sites, ele negocia com anúncios. Ele precisa vender. Ele precisa que seu texto chegue ao máximo de pessoas possível.

Escrever toma tempo, escrever demanda criatividade, pesquisa, reflexão e muitas horas de datilografia. Meus livros, por exemplo, possuem uma média de trezentas e quarenta páginas e, claro, isso me exige um tempo. Eu costume escrever cinco páginas por dia, porém, nem todos os dias. Se eu escrevesse todos os dias, levaria dois meses para concluir um livro. Certamente, despendo de mais meses para isso. E, quanto custa em média um livro no Brasil? Normalmente de vinte a cinquenta reais. Dois meses de trabalho, inspiração e pesquisa que, para a maioria dos brasileiros, não vale quarenta reais. É uma vergonha? É.

O brasileiro médio não lê. É estatística. E, mais que isso, essa geração que já nasceu com o smartphone na mão, infelizmente, além de não ler, é semi-analfabeta em sua maioria. E não sou eu quem está dizendo; são extensas pesquisas feitas pela OCDE (Organização para cooperação e desenvolvimento econômico) e publicadas pela BBC. E, com semi-analfabeta, não me refiro a não saber ler, mas não entender, não compreender o que está escrito. Dois terços dos jovens hoje leem e não entendem o que leram. Essa geração não é minimamente capaz de interpretar o texto. É claro que, parte dessa culpa, é do próprio aparelho digital, já que a mesma pesquisa deixa claro que uma informação lida em texto impresso é mais fácil de reter na memória e de entender.

E é para evitar essa curva descendente de cognição humana que existem projetos como as Feiras dos Livros, os Clubes dos Livros e todos os outros que trabalham e fomentam a literatura, seja ela impressa ou mesmo digital. Essa, meus amigos, é a importância de um evento como a Feira do Livro de Montenegro. Porque, acreditem, a humanidade precisa ler livros, precisa exercitar sua interpretação de texto para ser minimamente capaz de entender o que leem e, isso, só se aprende estudando. Por isso convido você que leu essa coluna, e entendeu o que eu quis dizer, a promover a literatura, a apoiar eventos como a Feira do Livro, a levar seus filhos para comprarem e locarem livros da Biblioteca Pública (que é gratuito). Criem um jovem capaz de compreender textos, porque os eventos que acontecerão lá na frente, estarão nas mãos dele e, sinceramente, gostaria que ele fosse inteligente suficiente para saber o que está fazendo. Isso evitaria muitos governantes incapazes, semi-analfabetos ou toscos e grosseiros, dos quais temos aos montes, ocupando cargos executivos e de poder.

Faça de seus filhos pessoas capazes; dê a eles livros de presente. Faça deles seres humanos.

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