Quem me conhece sabe que sou eclético suficiente para ouvir músicas de todos os tipos. E isso quer dizer músicas coreanas, japonesas, chinesas, russas, árabes, israelenses, entre tantas outras e, quando falo dessas músicas, falo de suas culturas. Sou encantado pela natureza cultural desses países dos quais me alimento da música, estética e tradição. Do Japão, por exemplo, ouvir a mestra do canto “Shigin”, Suzuhana, é de arrepiar; da China basta ouvir um instrumento como o guzheng para ser levado imediatamente ao cerne da cultura do país. Até mesmo as músicas Roma, dos ciganos do leste europeu, como a música “Mori Shej”, são tão cheias de vida e histórias que não poderia deixar de me emocionar. Bullerias Espanholas, chacareras Argentinas e tantas outras formas de música trazem harmonias tão diferentes que é difícil entender como uma mesma humanidade pode se expressar de tantas formas. E é aí que está o ponto: expressão.

A natureza é caprichosa e sábia e cria diversas versões de um mesmo ser para vê-lo se expressar das mais variadas formas. Somos tão plurais, tão individualmente complementares, que pensar que devíamos nos manter presos a pequenos quadrados inflexíveis seria uma verdadeira atrocidade para com a própria natureza. Tantas possibilidades, tantas opções, tantos caminhos. Tudo nos dado gratuitamente pela vida, bastando apenas uma decisão.

Expressões como a música, a dança, as artes plásticas e tantas outras formas culturais tão diferentes e, ainda assim, universais, mostram-nos que o ser humano é um ser em eterna formação, mutação e aperfeiçoamento. Estamos longe de estarmos definidos e, provavelmente, nunca estaremos. Afinal, somos filhos da natureza e essa já provou que está sempre criando novas formas, experimentando tons, cores e sabores; pois a única forma de se buscar a perfeição é através de experimentos. Tentativa e falha, ainda que esta última tenha mais sentido de aprendizado do que um erro propriamente dito.

Com o entendimento dessa pluralidade, vem a tolerância e, mais que isso, a expansão do próprio ser que compreende isso tudo. Perceber como o ser humano pode ser diferente em infinitos estágios é se libertar das amarras que limitam a consciência e a verdadeira razão de ser humano. Por isso, uma vez alguém me disse que a natureza pintou tantas cores em nossas peles pelo simples prazer de ver um mundo mais colorido. E isso significa que as diferenças, sejam étnicas, culturais, biológicas ou mesmo psicológicas, existem para dar vida à vida e cor ao mundo. Ao absorver isso e internalizar essa verdade, a mente ultrapassa o limite e transborda para um mar infindável de percepções mais profundas e conectadas com o verdadeiro sentido da vida, da própria existência. Entenda isso e seja feliz de verdade.

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