Você riu do título? Torço para que sim. É o mínimo que eu espero de você, porque ele é cômico mesmo; mas é exaustivamente romantizado por frases prontas de pseudo-filósofos de internet. Ou então a outra que diz “você é perfeito do jeito que é”. Ambas as afirmações, que deixo claro, refiro-me nesse texto a traços de personalidade, são ridículas e reforçam um estado mental de preguiça e estagnação intelectual. Primeiro: você não é perfeito. Ninguém é. A imperfeição faz parte da condição humana. E, segundo: Não ame sua imperfeição. Perceba-a, entenda-a, mas não a ame. Supere-a! “Ah, mas minha imperfeição me deixou melhor”. Poxa, então não é imperfeição. Imperfeição é tudo aquilo que lhe tira possibilidades, que lhe tira liberdade, que lhe faz mal (e aos outros). E tudo o que prejudica alguém, não deve, em hipótese alguma, ser amado. O resto é positivo e, portanto, bom para você, ainda que seja diferente do que geralmente se encontra na sociedade. Ser diferente não é ruim. Diferença não é imperfeição. Lembre-se disso.

Quando uma pessoa tem um temperamento explosivo, ou grosseiro, fica evidente que ela, intelectualmente e emocionalmente, é incapaz e não tem controle sobre si mesma. Isso não é bom e, muito pelo contrário, só lhe causa mal. Afasta as pessoas e tira-lhe oportunidades interessantes, porque ninguém quer estar perto de pessoas desse tipo. “Ah, mas eu sou assim. Que quiser ficar perto de mim precisa me aceitar como eu sou”. E é por isso que ninguém fica perto de você.

Partindo do pressuposto que não somos perfeitos, pois a busca pela perfeição está na jornada da vida, entendemos que somos imperfeitos. Ora, isso não significa que vamos nos aceitar imperfeitos e estagnar na nossa inferioridade. Não. Essa preguiça intelectual é uma das grandes causas dessa atual incompetência humana em lidar com os percalços do dia a dia. A palavra base da condição humana é evolução. É nela que crescemos e dominamos nossos instintos, que controlamos nossas emoções e afiamos nossa razão. A luta diária contra a imperfeição é o que leva a humanidade para o próximo estágio e traz novos horizontes, novos pensamentos.

Na antiguidade essas duas máximas eram muito claras: “Você é imperfeito. Você precisa superar essa imperfeição”. Hoje, as duas máximas adotadas pelos preguiçosos é “você é perfeito. Ame-se como é”. Ora, então não há mais o que fazer no mundo, se já sou perfeito. E, se já sou perfeito, por que cometo tantos erros? A palavra base dessa geração é incongruência. E por isso o caos predomina. Hoje as pessoas se escondem atrás de seus “gênios fortes” (leia-se incompetência emocional) e suas “sinceridades” (leia-se ego inflado e falta de empatia) como se fossem traços de virtudes, mas, pelo contrário, são vícios terríveis que, quando recebem de volta, sentem-se profundamente magoadas. Por quê? Porque é ruim.

A imperfeição não é boa. Está claro no próprio nome. E, sabendo que ela é parte da condição humana, entende-se então que o ser humano não é perfeito. E, se a imperfeição não é boa, ela precisa ser combatida, porque traz mal ao mundo. E isso é natural. É por isso que existe a evolução: Para superar a imperfeição, colocando-nos um passinho por vez, mais próximos da utópica perfeição tão almejada pelos grandes pensadores da antiguidade. É disso que se trata ser humano. Aprenda, cresça, evolua.

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