Maringá, diretor de futebol, retornou ao clube após a tragédia

A história de Maringá, o diretor de futebol da Chapecoense, confunde-se com a do próprio clube. Nascido há 53 anos, em Pato Branco, no Paraná, João Carlos Giovanaz virou Maringá quando chegou para jogar no Maringá como meia-atacante e se deparou com outro companheiro, que também era João Carlos, mas atuava como atacante. Logo, um dirigente da época tratou de estabelecer que o João Carlos de Pato Branco seria Maringá.

E por estas coisas do futebol, o apelido pegou e ficou até hoje. De volta ao clube para exercer a função executada até então por Cadu Gaúcho, vitimado na tragédia na Colômbia, Maringá, ao lado do executivo de futebol Rui Costa, ex-Grêmio, e Nivaldo, ex-goleiro e ídolo da própria Chape, teve menos de um mês para remontar o grupo dizimado no trágico 29 de novembro.

Os 22 anos de uma estreita relação com o clube ajudaram a superar não só o drama da entidade, mas uma dificuldade enfrentada dentro da família. Das mais de duas décadas de envolvimento com o Verdão do Oeste, Maringá ficou longe apenas em 1997, quando defendeu as cores do Caxias, e nas temporadas de 2015 e 2016.

No primeiro ano, trabalhou durante oito meses no Joinville. Desligado do clube, foi para Curitiba ajudar no tratamento de uma doença da esposa, entre abril e dezembro passado. Um dia antes do avião da Chape cair, a companheira de décadas o deixou. No velório, recebeu o apoio e o carinho de amigos e companheiros de clube. A esposa do presidente da Chape, Sandro Luiz Pallaoro, Vanusa Pallaoro, consolava Maringá quando ficou sabendo do acidente que levou seu marido e as outras 70 vítimas.

Ele revela que não esperava passar por tamanha provação em apenas 24 horas. Mas decidiu que a melhor forma de homenagear os que se foram na Colômbia, assim como a esposa, era continuar trabalhando. “Não iria ficar em um canto chorando e bebendo o dia inteiro”, resume Matingá.
Pai de dois filhos, um advogado de 26 anos, que trabalha em São Paulo, e um jornalista de 25 anos, que atua em Curitiba, mas em “outras áreas que não o futebol”, Maringá se agarra à família para continuar em pé. E espera fazer do recomeço da Chape o seu próprio recomeço. Afinal, considerara-se um torcedor do clube e um cidadão de Chapecó.

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