Causada por uma inflamação nos nervos, segundo a OMS, a doença tem até 4 casos anuais por 100 mil habitantes. Foto: DIVULGAÇÃO REDE GLOBO

Nas últimas semanas, o Brasil tem acompanhado a história de Rochelle, personagem de Giovanna Lancelotti em “Segundo Sol”, novela da Rede Globo. Na trama, a vilã enfrenta uma grave doença até então pouco conhecida, a chamada Síndrome de Guillain-Barré. De maneira muita rápida, a jovem se viu perdendo quase todos os movimentos do corpo e ficando totalmente dependente dos familiares e ajuda médica.

Causada por uma inflamação grave nos nervos, a doença é provocada por uma reação autoimune da pessoa. Dessa forma, o paciente começa a produzir anticorpos que atacam os próprios nervos, como explica o médico neurologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Artur Schuh.

“A Síndrome impede que os nervos periféricos levem as informações cerebrais para os músculos e membros. Com isso, a pessoa começa a desenvolver especialmente uma perda de força que inicia nas pernas e vai progredindo, podendo chegar até, em 30% dos casos, a paralisar os músculos da respiração”, disse o neurologista. “Por isso, essa é uma condição potencialmente grave, no sentido que o paciente pode rapidamente evoluir de perda de força nas pernas somente, para uma parada respiratória.”

Embora a doença não tenha uma causa exata, ela é comumente relacionada a infecções bacterianas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a indência anual média da doença seja de até 4 casos por 100 mil habitantes. “Muitas vezes a pessoa tem, cerca de duas semanas antes, alguma infecção viral como gripe, resfriados ou infecção intestinal, assim, essa condição faz com que nosso corpo se ative e comece a produzir anticorpus que vão atacar os nervos periféricos”, comenta o especialista.

Assim como aconteceu com a vilã Rochelle, a rápida progressão da doença acontece na vida real, podendo atingir seu ápice em até quatro semanas, onde ocorre a maior perda de força. Após alcançar o pico, os sintomas tendem a estabilizarem e o paciente começa a melhorar, podendo ficar com algumas sequelas.

“Isso depende muito do quão forte foi a doença, em geral, o paciente fica com sequelas leves”, diz. “O mais importante é que ele seja monitorado para caso surja alterações nos músculos que comandam a respiração.”

Como é feito o diagnóstico?
Não existe um exame específico para o diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré, porém, o médico neurologista Artur Schuh, explica que é feito uma investigação médica junto ao paciente.

“Além desse procedimento, ainda podemos fazer o exame de líquor, onde conseguimos ver algumas alterações específicas através de um líquido retirado da coluna. Outro exame que também ajuda no diagnóstico é a eletroneuromiografia, que avalia a função dos nervos periféricos”, destaca o neurologista.

Tem tratamento?
O tratamento envolve um rápido diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré, feito isso, o paciente precisa ficar em ambiente hospitalar, uma vez que os sintomas podem variar de uma simples perde de força nas pernas até uma insuficiência respiratória.

“É imprescindível o monitoramente do paciente para eventuais progressões da doença, além disso, é necessário fazer algumas intervenções terapêuticas, seja por meio de medicações ou plasmaférese”, explica o médico.

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