Fotos: Reprodução internet

Essa semana a cantora Anitta foi envolvida numa polêmica sobre a sua saúde. Tudo começou quando, em meio a um término de relacionamento, a cantora pop cancelou compromissos profissionais e se afastou das redes sociais citando problemas de saúde, mas sem dar detalhes. Passaram a pipocar informações de que ela havia sido diagnosticada com a Síndrome de Burnout e que, devido a uma estafa, havia decidido “se dar um tempo para descansar”. Anitta é conhecida no mundo artístico por ser uma profissional que se envolve em todas as etapas da sua carreira e se mantêm conectada aos fãs quase que 24hs. Na terça-feira, 10, porém, a cantora se manifestou nas redes sociais, negando que tivesse recebido tal diagnóstico e também revidando algumas mensagens que fãs descontentes por seu sumiço.

Após cancelamento de atividades profissionais, cantora negou que estivesse com a Síndrome, conforme foi noticiado

Seja Síndrome de Burnout o caso de Anitta ou não, o fato é que este problema está cada vez mais presente na nossa sociedade. Sem abordar o caso da cantora em específico, buscamos pela psicóloga Cássia Cruz para entender o que é Síndrome de Burnout, como diagnosticá-la e tratá-la. Cássia esclarece inicialmente que trata-se de um distúrbio psíquico que conta com Código Internacional de Doenças (CID). É coisa séria e merece atenção quando os sintomas são percebidos.

Ao contrário da estafa – que pode ocorrer em diferentes condições que coloquem a pessoa em situação de cansaço e estresse –, a Síndrome de Burnout está vinculada sempre ao trabalho. Alguém sem emprego, por exemplo, poderá ter estafa, mas nunca será diagnosticado por Síndrome de Burnout. Pessoas que atuam em profissões de intenso contato com público, ou com atividades que as colocam sob muita pressão têm mais risco de desenvolver o problema. Professores que trabalham vários turnos, médicos, enfermeiros, policiais e bancários. A pressão profissional em diversas áreas pode ocasionar esta síndrome.

“Pessoas que trabalham por turno podem sofrer mais, porque tu passa a não ter uma rotina que permita de forma organizada ter uma atividade física ou contato com a família, por exemplo”, detalha Cássia. Este distúrbio costuma afetar aqueles que trabalham muito, que têm dificuldade de “desligar” das funções e, mesmo quando em casa, seguem ocupadas com suas responsabilidades da profissão.

Psicóloga afirma que, apesar de vivermos em um mundo onde todos estão muito cansados e estressados, é preciso perceber quando isso alcança o patológico, ou seja, quando traz impactos negativos para a vida cotidiana

Sociedade cada vez mais doentia
Muitas pessoas podem estar lendo essa matéria e considerando a possibilidade se sofrer do problema. Isso é aceitável, afinal, estes são tempos de muito estresse, tanto profissional quanto em outras áreas. Alguns filósofos e sociólogos, explica Cássia, dizem que nós vivemos a era da cobrança, onde todos temos que ser perfeitos, bem sucedidos. Ser um ou uma “workaholic” soa como adjetivo positivo, coisa de quem alcançou o sucesso. Porém, a expressão também retrata alguém compulsivo por trabalho, que não sabe o limite e trabalha o tempo todo, o que não é saudável.

Mas a questão está em descobrir se esse seu cansaço “normal” alcança os níveis de doença. “Para entender se é ou não patológico temos que perceber o quanto isso atrapalha a sua vida. Querer ficar um domingo na cama até mais tarde, descansando, ok, normal. Mas não querer ir para o trabalho, protelar, ser sofrido sair de casa. As pessoas que sofrem de Síndrome de Burnout tem sudorese, quadro de diarréia, ataques próximos aos de pânico, quando estão chegando ao trabalho”, detalha a psicóloga Cássia Cruz.

E não pense que tirar férias resolve. “É estresse crônico, algo que perdura. Para alguns, dura um tempo e passa, para outros se estende por meses. Tudo depende das estratégias de enfrentamento que são feitas”, diz ela. Algumas pessoas, ao perceberem o problema, tentam diminuir a intensidade de trabalho e procuram alternativas de lazer. Outros não, o que acaba agravando o quadro. O tratamento é a psicoterapia, que será realizada por um psicólogo. Em muitos casos é necessário o encaminhamento ao psiquiatra e o uso de remédios ansiolíticos e de antidepressivos, dependendo da situação.

Em 2018, jornalista da Rede Globo teve uma crise ao vivo, “travando” durante um boletim de previsão do tempo

Outro caso que ganhou destaque
Em 2018 a jornalista Isabella Camargo, na época funcionária da Rede Globo, também atraiu curiosidade sobre a síndrome. Responsável pela previsão do tempo nos noticiários da manhã, Isabella foi acumulando cansaço ao longo dos anos e a pressão pelas entradas “ao vivo” também pesavam, segundo declarações que ela deu sobre o assunto.

Ela cita ter sintomas desde 2014, mas no ano passado teve uma crise ao vivo, um “apagão” enquanto dava a previsão do tempo em um jornal da Globo News, e esqueceu o nome de uma capital do País. Após procurar ajuda psicológica e ser diagnosticada com a Síndrome de Burnout, Izabella tirou uma licença médica e depois acabou sendo afastada da emissora.

Dicas para prevenir:
– Coloque atividades de lazer na sua rotina;
– Permita-se fugir da rotina;
– Evite o contato com pessoas “negativas”, que só reclamam do trabalho ou dos colegas;
– Converse. Falar o que sente sempre faz bem;
– Tenha uma atividade física regular.

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