O tratamento já foi utilizado em epidemias de Ebola e a Síndrome Respiratória Aguda Grave, mas é uma terapia ainda em fase experimental. Foto: divulgação Hospital Moinhos de Vento

Uma das terapias para a COVID-19 que vem ganhando destaque é a utilização de plasma sanguíneo convalescente de pessoas recuperadas. A alternativa tem como princípio a imunização passiva, ou seja, quando os anticorpos produzidos por alguém que já foi infectado pelo vírus e que estão presentes na parte líquida do sangue, fornecem imunidade a pacientes com a doença. O tratamento vem sendo pesquisado e começa a ser utilizado nos principais polos científicos.

O chefe do Serviço de Infectologia do Moinhos de Vento, hospital de Porto Alegre que está disponibilizando o tratamento, Alexandre Zavascki, destaca que é uma terapia experimental. Com segurança, ela vem sendo avaliada em pesquisas clínicas, com resultados possivelmente benéficos e promissores. O tratamento já foi utilizado em epidemias de Ebola e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) – sendo essa última também provocada por um tipo de coronavírus.

“O plasma utilizado nessa terapia é de pessoas curadas que passam por critérios para comprovar a eliminação total da infecção. Ou seja, eles não possuem o vírus, mas o componente líquido com as proteínas do sangue contém anticorpos contra o novo coronavírus. Então é realizada uma espécie de transfusão para a coleta desse material, que será utilizado em um paciente em tratamento”, explica o infectologista.

O método com plasma de recuperados é utilizado a partir de critérios como a confirmação do diagnóstico, o nível de oxigênio no sangue e o tempo de evolução da doença. Zavascki pondera que cada caso possui indicações terapêuticas específicas que são discutidas com o paciente e familiares, pois não há um tratamento padrão com comprovação científica para a Covid-19. No Hospital Moinhos de Vento, o Serviço de Infectologia elaborou um protocolo com base nas evidências dos benefícios da terapia.

O chefe do Serviço de Pneumologia, Marcelo Basso Gazzana, ressalta que pesquisas já indicam uma relação do tratamento com plasma e a eliminação mais rápida do vírus do organismo do paciente. “É uma terapia que não está disponível em todos os lugares e, entre outras opções, pode ser utilizada para tratamento de pacientes com a doença de nível moderado a grave. Há evidências de que ela pode reduzir a carga viral e os danos, e consequentemente o tempo de internação”, conclui o pneumologista. No momento, Porto Alegre não conta com estrutura de coleta de plasma convalescente e o material vem de São Paulo.

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