O calendário pareceu correr rapidamente e já é novembro. A temporada de calor está começando e isso significa tirar do fundo do armário os shorts, as saias, maiôs e biquínis. O problema é que, para algumas pessoas, a ideia de mostrar as pernas e o bumbum incomoda. Um dos principais motivos é ela, a temida e odiada celulite. Atualmente – ainda bem – as mulheres estão se libertando da pressão da perfeição de seus corpos e assumindo suas marcas. Isso inclui, por exemplo, não deixar de ir à praia para esconder celulites, estrias, cicatrizes ou qualquer outra característica física. Ainda bem né? O que vale é sentir-se de bem consigo mesma ao olhar-se no espelho. Mas, se você está incomodada com o seu corpo e quer dar aquela reduzida nas celulites, também tem como. Com a ajuda de duas especialistas, Raíssa Joner e Pâmela Kranz, a gente te ajuda.

O que nós chamamos popularmente de celulite tem o nome de “lipodistrofia ginoide”, mas, na prática, nada mais é do que um depósito de gordura sob a pele. Sabe aquele aspecto ondulado, muito chamado de “casca de laranja”? É a celulite, que afeta cerca de 95% das mulheres após a puberdade. Para o desespero delas, os homens raramente sofrem deste mal. Isso tem uma relação hormonal. A celulite tende a ocorrer nas áreas onde a gordura está sob a influência do estrógeno, o hormônio feminino, como nos quadris, coxas e nádegas. Mas, também pode ser observada nas mamas, parte inferior do abdome, braços e até na nuca.

Segundo informações da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a celulite não é considerada uma doença, mas sim “uma preocupação estética importante para um grande número de mulheres.” E nem mesmo quem sempre viveu “de bem com a balança” está protegido. Mulheres magras também apresentam celulite.

O que causa celulite?
Isso não está completamente esclarecido pela ciência. Existem muitas suposições. Há fatores hereditários que parecem contribuir. Negras têm menos celulite que mulheres brancas. E o biotipo corporal, considerando a distribuição de gordura no corpo, também interfere. As “covinhas” da celulite ocorrem devido à saliência da gordura hipodérmica na pele. Confira alguns fatores decisivos.

– Hereditariedade: o fator genético é importante;
– Problemas circulatórios: quando o sangue não flui bem, a drenagem das toxinas fica prejudicada e isso deixa o líquido que fica entre as células mais viscoso;
– Alterações hormonais: níveis de estrogênio (hormônio feminino) muito altos provocam disfunções no metabolismo que podem criar ou agravar a celulite. A pílula anticoncepcional também pode desencadear o problema, pois adiciona mais uma dose de hormônios circulando em seu organismo;
– Estilo de vida: má alimentação com excesso de açúcares e carboidratos, o sedentarismo, a tensão emocional e o excesso de toxinas no organismo contribuem para o aparecimento da celulite.

Tratamentos e resultados
Segundo as indicações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, é preciso ter cuidado e avaliar com atenção as propostas de tratamentos, já que estes muitas vezes, têm custos elevados e desproporcionais aos resultados possíveis. Existem muitos procedimentos sugeridos que apresentam alguma melhora imediata, mas, em geral, segundo a SBD, em longo prazo estes não se mantêm. Drenagem linfática, radiação infravermelha, radiofrequência, ácido poliláctico, subcisão, ondas de choque ou ondas acústicas e ultrassom focado são algumas das possibilidades que auxiliam.

Dos tipos de celulite
Os graus de celulite são avaliados por meio de uma escala chamada “Cellulite Severity Scale”, um método desenvolvido por três dermatologistas brasileiras. Essa classificação avalia a celulite de forma objetiva e já é reconhecida internacionalmente. Essa classificação avalia as principais características clínicas da celulite e cada item recebe uma pontuação de zero a três. A soma total dos pontos vai mostrar se a celulite é Leve (1 a 5 pontos), Moderada (6 a 10 pontos) ou Grave (11 a 15 pontos). São fatores considerados:
– Número e profundidade de depressões;
– Aspecto das áreas elevadas da celulite;
– Presença de lesões elevadas;
– Presença de flacidez;
– Graus da antiga classificação.

Melhor prevenir!
Curar a celulite é muito difícil, tanto que são raras as mulheres que não têm os famigerados “furinhos” no bumbum e nas coxas. Por isso, se você é uma dessas felizardas ou têm as marcas nos níveis mais suaves, previna-se contra um agravamento. Os fatores agravantes são: hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, estresse, gravidez, medicamentos como anticoncepcionais e fumo.
A melhor forma de se prevenir é investir em hábitos saudáveis como: beber água, para melhorar a circulação sanguínea, diminuir a ingestão de sódio, que pode causar retenção hídrica; evitar alimentos gordurosos e muito doces; parar de fumar; praticar atividade física, para melhorar a circulação sanguínea, além de reduzir a gordura corporal e diminuir as medidas.

Os mocinhos
– Integrais: pois contêm maior teor de fibras, ajudando assim a manter o nosso intestino regulado, eliminando as toxinas;
– Folhas verde-escuras: ricas em antioxidantes, melhoram a circulação, combatem os radicais livres e ajudam a desintoxicar organismo;
– Sementes oleaginosas: alimentos como nozes e castanhas são ricos em gordura boa e antioxidante;
– Água de coco natural: ajuda a eliminar as toxinas do corpo;
– Maçã: é uma fruta que dificulta a absorção de gorduras e retarda a absorção da glicose.
– Frutas vermelhas: são riquíssimas em antioxidantes;
– Chá verde: por ter propriedades diuréticas e antioxidantes.

Os vilões
– Alimentos industrializados: são calorias sem nutrientes e com muito sódio;
– Açúcar: é inimigo de quem luta contra os furinhos. Isso inclui bebidas açucaradas como refrigerantes e sucos industrializados;
– Carboidratos refinados: sempre prefira os integrais
– Fastfood, temperos prontos e frituras em geral: a gordura e o sódio presente nessas preparações são prejudiciais à celulite e à saúde em geral;
– Álcool: ela causa muita retenção de líquidos, por isso o consumo deve ser feito com muita moderação.

Muita água!
Assim como os alimentos influenciam muito, a água tem papel importante na prevenção e redução do quadro de celulite. A ingestão de água deve ser uma prioridade. Para calcular a ingestão correta basta calcular: 40x seu peso atual. Por exemplo: 58×40= 2,3L.

Foto: arquivo pessoal

Alimentação errada tem tudo a ver com celulite
Não tem saída! Mesmo que a genética ajude, você esteja com todos os seus creminhos e massagens em dia e faça atividade física regularmente, a alimentação terá impacto nos resultados. Isso significa que antes de se jogar naquele hambúrguer com fritas acompanhados de refrigerante é bom lembrar que a celulite adora esse tipo de alimento para ganhar espaço no seu corpo. A nutricionista Pâmela Kranz afirma que a alimentação tem uma grande influência neste que é um dos maiores horrores entre as mulheres. “Podemos agravar o quadro de celulites ou amenizá-lo, apenas cuidando com o que consumimos”, enfatiza ela.

E isso diz muito respeito, também, quanto ao consumo de líquidos. Quando alguém troca a água por bebidas açucaradas, está facilitando a chegada da celulite. “As principais causas da celulite são a retenção de líquido, o acúmulo de gordura e alterações na circulação. Uma hidratação inadequada e dietas ricas em sódio, açúcares e carboidratos (como a maioria dos produtos industrializados, por exemplo) só pioram o quadro”, diz Pâmela. Para melhorar a celulite é preciso ter uma ingestão adequada de água e uma dieta equilibrada, rica em vitaminas, minerais e substâncias antioxidantes, além de pouco sódio.

É claro que uma alimentação saudável vai além de abandonar um tipo de alimento ou incluir algo milagroso na dieta. Trata-se de um conjunto de hábitos saudáveis que colaboram com a saúde e com a estética. Mas, existem alguns “mocinhos e vilões” quando o assunto são os furinhos na pele. Pâmela incentiva o consumo de chá verde, água de coco natural e alimentos integrais, entre outros. “Estamos falando então de alimentos saudáveis, orgânicos, ricos em nutrientes”, diz, orientando para que itens como comida industrializada, doces e frituras sejam evitados.

Foto: arquivo pessoal

Mexa-se e mantenha os furinhos controlados
Se, para a maioria das mulheres, não é possível evitar em 100% a celulite, há meios de mantê-la controlada, sem furinhos muito aparentes e flacidez excessiva na pele. O exercício físico é parte da solução. Segundo a nutricionista e educadora física Raíssa Joner, apesar de a celulite ser um problema com diversas causas, uma delas tem relação direta com preparo físico: o percentual de gordura no corpo, gerado por uma alimentação inadequada e falta de exercício.

“O mais importante é o controle do percentual de gordura e da massa magra. Uma mulher pode ser magra e apresentar muita celulite por conta da quantidade de gordura corpórea e baixo índice de massa muscular (falsa magra), então peso não tem muito a ver com aumento de celulite e sim aumento do percentual de gordura. Se você já tem celulite, controlar a alimentação, beber muita água, praticar exercícios regulares e aliar um tratamento estético vai reduzir quase que em 100% a celulite”, destaca Raíssa.

Para reduzir a presença dos furinhos, sendo necessário reduzir gordura, os exercícios aeróbicos – corrida, pedalada, dança, transport – serão mais eficazes. “Mas é sempre bom salientar que musculação é essencial para moldar o corpo, aumentar a massa muscular e evitar a flacidez”, completa e educadora física.

Fuja do efeito sanfona
Existe um grupo de pessoas que alterna o peso com muita facilidade. Emagrecem rapidamente, geralmente com dietas restritivas que reduzem drasticamente a ingestão calórica, mas, não criam bons hábitos alimentares e tornam a ganhar peso, também de forma acelerada. É o chamado “efeito sanfona, no qual as pessoas engordam e emagrecem repetidamente. Raíssa Joner diz que esse efeito só piora ainda mais o aparecimento dos furinhos, devido ao ganho de gordura frequente. “As inflamações cutâneas aumentam e se tornam mais aparentes (nível 3 e 4) e ainda corre-se o risco de ficar flácida devido ao “estica e murcha” na pele”, detalha ela. A manutenção do peso e do percentual de gordura é, portanto, tão importante quanto o emagrecimento.

Exercícios que podem ajudar
– Associe aeróbicos com musculação: isso é bom para “queimar” a gordura sem que haja perda de massa muscular;

– Exercícios funcionais: agachamentos, afundo, elevação de quadril, saltos e o 4 apoios com caneleira são super eficazes para dar um “pump” no bumbum. Sempre associados os exercícios aeróbicos.

#FicaDica
Raíssa Joner oferece um exemplo de treino para queima de gordura e manutenção de massa magra: intercale no seu treino 1 exercício de musculação (3 séries de 12 ou 15 repetições) e 3 minutos correndo ou no transport. “Converse com seu treinador sobre o treino e procure um profissional nutricionista e um profissional de estética para dar um ‘UP’ nos resultados”, finaliza.

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