Em 2020, o Grupo comemora 13 anos de existência. Na foto, o registro da última confraternização de final de ano, em 2019. Foto: Divulgação Grupo Amigas do Peito

Sem dúvida 2020 tem sido um ano incomum. É necessário, ainda, manter o distanciamento social, cessar festas e eventos e, por vezes, deixar até de encontrar quem se ama. Mas o autocuidado com a saúde não deve ter pausa nem em época de pandemia: é preciso vigilância constante. E no Outubro Rosa, mês de conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, as ações informativas e grupos de acolhimento não pararam.

“Neste ano, o slogan da nossa campanha do Outubro Rosa é ‘Prevenção Sempre’. Importante essa escolha por estarmos em um momento de pandemia. E mesmo nessa situação é preciso, sim, investir na prevenção. Os cuidados com a saúde continuam necessários e não se pode invalidar a importância de consultas e exames em função disso”, alerta a psicóloga e coordenadora do Amigas do Peito, Maria Paulina Pölking.

O Amigas do Peito, da Unimed Vale do Caí, também precisou se adaptar às adversidades de um ano atípico, mas manteve o vínculo entre suas integrantes. A dinâmica, que antes era de um encontro presencial semanal, migrou para acolhimento através de um grupo do WhatsApp e chamadas.

De acordo com a psicóloga Paulina, a união permanece, assim como os laços afetivos, mesmo a distância. “O tecido feito de afeto é muito resistente, eles se sustenta”, afirma.

Com início das atividades em 2007, nesse ano o coletivo comemora 13 anos de existência. Em primeira – e única – reunião de 2020, as participantes receberam uma sombrinha rememorativa. Um piquenique no quiosque da Unimed também foi realizado para celebrar.

“Esse é um grupo flutuante, em que o número de participantes nunca é fixo. Mas é importante reforçar que mesmo sendo vinculado à Unimed, ele é aberto a qualquer mulher da comunidade, usuária ou não do plano de saúde da cooperativa médica”, explica.

Com foco no programa de medicina preventiva ao câncer de mama e suporte emocional àquelas que receberam diagnóstico da doença, o acolhimento inclui atividades de confraternização, disseminação ampla de informações e assistência por profissionais.

“Trabalhamos com desenvolvimento da prevenção primária. Boa alimentação, movimento e saúde emocional são as bandeiras que pregamos. O autoexame também é importante para conhecimento do próprio corpo, mas não dispensa a necessidade de consulta anual, da mamografia e exames de imagem. Eles são eficazes para detectar algum nódulo que às vezes ao toque ainda não é perceptível”, salienta.

Paulina ainda ressalta que no Rio Grande do Sul, através de lei Estadual instituída, o rastreamento da doença deve iniciar aos 40 anos. Nos demais estados, a indicação é a partir dos 50 anos.

“A Unimed também é parceira das mulheres no cuidado com a saúde. Anteriormente, usuárias acima dos 40 anos que não haviam feito os exames de rotina recebiam uma correspondência. Mas para efetivar a comunicação, o processo passará a ser feito através de lembrete pelo WhatsApp”, diz.

Em meio à pandemia, tecnologia é aliada no acolhimento e no fortalecimento de vínculos que nascem
entre as integrantes do Grupo Amigas do Peito, da Unimed Vale do Caí. Distantes, elas seguiram em contato. Foto: Divulgação Grupo Amigas do Peito

Mais de três décadas de superação do câncer de mama
Cenira Carolina Moesch, de 84 anos, é uma Amiga do Peito desde a fundação do grupo, sendo sua primeira integrante. Com vigor, animação e positividade de sobra, ela conta que enfrentou um câncer na mama esquerda aos 48 anos. Descobriu a doença enquanto passava o veraneio em Capão da Canoa. Com cansaço constante, desânimo e após perceber nódulos no seio, teve a primeira avaliação médica ainda na praia.

“Eu precisei tirar toda a mama. Naquela época não tinha opção de retirar apenas um pedaço. E todos achavam que câncer, com a idade que eu tinha, naquele tempo, era um atestado de óbito”, diz ela, relembrando tempos em que o diagnóstico tinha um peso muito maior sobre quem o recebia.

Passados mais de 30 anos deste momento tão difícil, para todas as mulheres, Cenira orienta que invistam na prevenção e estejam sempre atentas aos sinais que o corpo dá. “A mamografia precisa ser realizada anualmente, além da consulta regular ao ginecologista. É essa a seguridade que temos. É essa nossa cura”, pontua.

Mas agora tudo é motivo para alegria e valorização da vida. Tanto tempo depois de alcançar a cura, ela conta que escolheu permanecer no grupo Amigas do Peito para ajudar no acolhimento às mulheres que recebem o diagnóstico da doença. “Elas chegam tristes, desesperadas, achando que não têm mais vida. Saem animadas, queridas, cheias de saúde. E é importante essa troca de experiências, porque há muitas integrantes que já passaram por isso e dão uma palavra de ânimo. Assim como eu, muitas acreditam terem chegado ao fundo do poço. Mas não, porque o câncer de mama tem cura!”, afirma.

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