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Bateu aquela enxaqueca ou febre inesperada? O primeiro pensamento é sempre o de ir até a farmácia mais próxima e comprar um medicamento para amenizar os sintomas. A automedicação é uma prática comum entre os brasileiros. Mas o uso inadequado de remédios pode trazer inúmeros prejuízos a quem se submete a esse tipo de consumo, sem orientação de um profissional da saúde.

A farmacêutica Vitória Hana Müller Mottin alerta sobre os riscos da automedicação. Foto: arquivo pessoal

Segundo farmacêutica Vitória Hana Müller Mottin, 24 anos, baseado em estatísticas nacionais e internacionais, estima-se que um terço da população pratique a automedicação. Os apontamentos indicam ainda que este consumo costuma ser maior em pessoas mais novas e com maior poder aquisitivo.
“De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a automedicação é a seleção e o uso de medicamentos para tratar doenças ou sintomas que foram reconhecidos pelo próprio indivíduo, ou seja, sem terem sido receitados por um prescritor. A OMS também estima que, no mundo todo, 50% dos pacientes não utilizem seus medicamentos de forma racional – em doses corretas e pelo tempo adequado”, informa.

Qual a orientação às pessoas em relação à automedicação?
“A orientação é procurar um médico quando perceber qualquer indício de algum problema de saúde e evitar recomendações de amigos e familiares. Para o uso de medicamentos de venda livre, aconselha-se sempre pedir orientações ao farmacêutico. É importante sempre informar os medicamentos que você já utiliza”, explica Vitória.

Para evitar intoxicações acidentais por crianças, Vitória destaca que a recomendação é de que os medicamentos sejam armazenados em locais elevados e de difícil acesso. “Cabe destacar que o banheiro não é o local adequado para o armazenamento de medicamentos, devido à temperatura e umidade elevadas”, diz.

A validade também precisa ser checada regularmente, a modo a evitar o uso de produtos vencidos, que podem se tornar prejudiciais à saúde.
“Com relação às políticas públicas, recomenda-se que a população tenha maior acesso a informações científicas e existe grande controle sobre propagandas de medicamentos, evitando o incentivo à automedicação”, conclui.

Quais os riscos?
De acordo com Vitória, o uso inadequado de medicamentos pode agravar doenças, comprometer os tratamentos em curso e gerar riscos para saúde, como intoxicação, reações alérgicas, dependência e, dependendo do caso, até morte.

“Os medicamentos são uma causa importante de intoxicações no país, tanto intencional quanto acidentalmente, sendo, em muitos casos, resultado da automedicação. É importante também destacar que são frequentes os casos de intoxicações em crianças. Por isso, pais e responsáveis devem ter cuidado na escolha do local de armazenamento do medicamento”, alerta.

A especialista ainda chama a atenção sobre que ao fazer uso de alguma droga por conta própria, a pessoa pode estar mascarando sintomas de uma enfermidade mais grave. “Isso dificultaria um diagnóstico precoce da doença e o início do tratamento adequado”, pontua.

Quais os medicamentos mais procurados?
“Na prática, observa-se que os medicamentos mais frequentemente procurados são aqueles para o alívio da dor, em especial para alívio de dores de cabeça e nas costas. Esses medicamentos incluem paracetamol, ácido acetilsalicílico e dipirona, por exemplo,”, conta a farmacêutica.
Vitória salienta que todo o medicamento apresenta riscos, que aumentam com uso inadequado e sem acompanhamento de um profissional da saúde. Porém, quando administrados de maneira correta, são seguros e trazem uma série de benefícios.

“Um exemplo clássico na automedicação é o paracetamol. Por ser um medicamento bastante utilizado, muitas pessoas acreditam que ele seja inofensivo. Contudo, pode ser altamente hepatotóxico, ou seja, causar danos no fígado. Além disso, a dose tóxica do paracetamol é relativamente próxima à dose atóxica, aumentando os riscos de quem o utiliza de forma excessiva”, conta.

Outro exemplo trazido pela especialista é do ácido acetilsalicílico, contraindicado para pacientes que possuem insuficiência cardíaca, renal ou hepática. “Dentre suas possíveis reações adversas, podemos citar distúrbios gastrointestinais, dor abdominal, úlcera e aumento no risco de sangramentos. Por fim, a dipirona, também muito utilizada, pode causar reações alérgicas graves e, caso seja administrada em excesso, pode afetar o funcionamento dos rins e do sistema cardiovascular”, pontua.

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