Mesmo para quem precisa de um transplante, chances de recuperação são positivas. Foto: Reprodução Internet

A leucemia promielocítica aguda tem índice de cura superior a 70% após tratamento quimioterápico, aponta o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Até mesmo quando há recidiva da doença, sendo necessário novo tratamento e transplante de medula óssea, a chance de vencer a batalha é alta. Este é um dos tipos de câncer com melhor expectativa de resultados positivos.

Ao descobrir o problema de saúde, o tratamento padrão é a quimioterapia, em um primeiro momento com o paciente internado, até a doença ficar indetectável. Após o término do tratamento, é iniciado acompanhamento clínico hematológico, com o objetivo identificar de recidivas da doença. Quando os resultados não são os esperados e ocorre a recaída da leucemia, são feitos procedimentos semelhantes aos do primeiro tratamento, mas, dessa vez, com nova tentativa de controle para a realização de um transplante de medula óssea.

Marcelo Schu, 28 anos, está, exatamente, no segundo caso e combate o problema pela segunda vez. “Para a leucemia promielocítica aguda, o transplante é empregado quando o paciente é refratário ou recidivado ao tratamento inicial. É necessário instituir um segundo tratamento com o objetivo de controlar a doença e permitir que o paciente possa chegar ao transplante, com potencial curativo do problema”, comenta o chefe do Serviço de Hematologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Ricardo Bigni.

O médico salienta a efetividade dos tratamentos disponíveis no Brasil atualmente, inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Também lembra com orgulho as inúmeras histórias de sucesso presenciadas na instituição. “Temos, aqui no Inca, muitos exemplos de pacientes que já trataram esta doença, seja mais cedo, na infância ou adolescência, ou já adultos jovens e estão bem 20, 30 anos depois. Tiveram filhos, vidas normais”, ressalta. O depoimento, certamente, serve de estímulo para quem está encarando esta batalha e suas famílias.

Schu descobriu a doença em 2017. Após acordar com o travesseiro ensanguentado, escarrar sangue e notar pequenas manchas em uma das pernas, buscou atendimento na emergência do Hospital Montenegro. Então, foi encaminhado ao Hospital Conceição, em Porto Alegre, onde recebeu o diagnóstico.
O rapaz foi internado no Conceição, onde permaneceu por 36 dias, para tratamento. Depois de receber alta, continuou sob cuidados médicos, inclusive com quimioterapia via oral e, regularmente, ia até a instituição para fazer os exames da medula e outros de rotina. Tudo apontava para grandes chances de cura. A médica passou o intervalo entre uma consulta e outra de dois para três meses. Contudo, infelizmente, os sintomas da doença voltaram. Internado há mais de um mês nesta nova luta, ele deve permanecer na instituição por, pelo menos, mais dois meses.

A expectativa da família é que, a partir da próxima semana, comecem a ser realizados os testes de compatibilidade com os irmãos de Marcelo para a doação de medula. “Esperamos com ansiedade ele estar bem e ter um doador compatível para que tudo possa correr bem e logo ele esteja de volta”, ressalta a esposa Nicole de Oliveira.

Entre os possíveis sintomas da doença estão cansaço e fraqueza, em razão da anemia gerada, sangramentos espontâneos, desenvolvimento de infecções com facilidade. Nesses casos, é importante buscar atendimento médico para o encaminhamento correto.

Amigos farão trilha para ajudar Marcelo Schu no domingo, dia 1º, em Catupi. Foto: Arquivo pessoal

Como ajudar Marcelo a vencer
Marcelo Schu, frequentemente, precisa de doadores de sangue. Quem deseja contribuir pode entrar em contato pelo telefone (51) 99737-1276. O Município colocou à disposição uma van para levar os interessados uma vez por semana a Porto Alegre. Pelo número, é possível saber o dia e o horário da partida e reservar um lugar. O veículo sai da Assistência. Nessa semana, com líquido no tórax e dificuldade para respirar, ele precisou ir para a UTI, provavelmente consequência dos mais de 40 dias de internação.

O médico Ricardo Bigni ressalta a importância de campanhas para doações regulares de sangue, visando evitar o desabastecimento dos bancos em determinados momentos e excesso de procura em outros. “Todo paciente com uma doença, que por si só já tem uma anemia acentuada e tendência a sangramento por diminuição das plaquetas, precisa de um suporte de hemoterapia”, ressalta.

A família conseguiu a aquisição do medicamento trióxido de arsênio, avaliado em R$ 78.400, via judicial. Ainda assim, segue contando com contribuição para outras despesas como deslocamento a Porto Alegre, alimentação dos acompanhantes, entre outros. Depósitos de qualquer valor podem ser feitos na Caixa Econômica Federal: agência 0530, conta 30858-7, Mateus Schu, CPF 02597967000. Será realizada prestação de contas.

No domingo, dia 1º de setembro, também haverá a Trilha do V8, organizada pelos Trilheiros do Brejo e Tatu Trilha, em benefício de Schu. V8 é o apelido de Marcelo dado por seus em alusão à moto que ele tinha, que consumia muita gasolina. O evento será em Catupi, na divisa entre Montenegro e Triunfo, a partir das 8h30min. A inscrição é R$ 50,00 e inclui refeição de salsichão com pão no almoço. Haverá sorteio de brindes. Mais informações pelo (51) 99847-3410. O valor total repassado ao jovem.

foto: arquivo pessoal

O transplante é indicado para algumas doenças
O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como as leucemias e os linfomas. Consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais da medula, com o objetivo de reconstituir uma nova medula saudável.

A medula é um líquido gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecido popularmente por “tutano”. Esse líquido desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das células sanguíneas, pois é lá que são produzidos os leucócitos (glóbulos brancos), as hemácias (glóbulos vermelhos), e as plaquetas.

Os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo, nos defendem das infecções. Pelas hemácias, o oxigênio é transportado dos pulmões para as células de todo nosso organismo e o gás carbônico é levado destas para os pulmões, a fim de ser expirado. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

Mais de 4 milhões de cadastros
O Redome conta coma mais 4 milhões de cadastros de possíveis doadores, em maio deste ano. Antes de 2003, a possibilidade de se encontrar um doador no registro para paciente brasileiro era inferior a 15%. Atualmente, há mais de 80% de chance de se encontrar um doador compatível em fase inicial de busca e, ao final do processo, 64% dos pacientes terão um doador compatível para a realização do transplante.

A dificuldade ou facilidade de encontrar doadores não aparentados varia conforme a diversidade genética ou a miscigenação do País e está relacionada à representatividade da população no registro.

O banco de cadastros foi criado em 1993 por dois pesquisadores do Inca, os médicos Jose Roberto Moraes e Maria Elisa Moraes. Em 2003, o registro tinha em torno de 35 mil doadores.

Saiba como ser um candidato a doador
Para se tornar um doador de medula óssea é necessário ter entre 18 e 55 anos; apresentar documento oficial de identidade com foto; estar em bom estado geral de saúde; não ter doença infecciosa ou incapacitante; não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico. Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.
O voluntário à doação irá assinar um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), e preencher uma ficha com informações pessoais. Será retirada uma pequena quantidade de sangue do candidato a doador para a identificar suas características genéticas.
Após o cadastro, é coletada amostra de sangue (5 ml) exame de histocompatibilidade (HLA). Os seus dados pessoais e o tipo de HLA serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Caso seja detectada a compatibilidade com algum paciente, o possível doador é contatado.
Há locais onde os cidadãos podem fazer o cadastro em diferentes municípios do Estado. Para os moradores do Vale do Caí, os mais próximos são em Porto Alegre:

Hemocentro
Av. Bento Gonçalves, 3.722, bairro Partenon
Fone: (51) 3336-6755
De segunda à sexta feira das 8h às 17h.

Hospital de Clínicas
Rua São Manoel, 543, bairro Rio Branco,
Fone: (51) 3359-8504
De segunda a sexta das 8h às 15h.

Hospital Conceição
Endereço: Av. Francisco Trein, 596 – Cristo Redentor
Fone: (51) 3357-2139
Terças e quintas das 9h às 11h e das 14h às 16h.

O que é quimioterapia?
É um tipo de tratamento em que se utilizam medicamentos para combater o câncer. Estes medicamentos se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo, também, que se espalhem.
O tratamento é administrado por profissionais capacitados da equipe de enfermagem. Algumas vezes, no momento da aplicação, certos remédios podem causar uma sensação de desconforto, ardência, queimação, placas avermelhadas na pele e coceira.
Entre o efeitos adversos podem estar: enjoos, tonturas, vômitos, fraqueza, perda ou aumento de peso, queda de cabelos ou outros pelos do corpo, entre outros. Isso ocorre em razão de o paciente, em razão da doença, já apresentar um quadro de saúde debilitado e também por causa dos elementos tóxicos utilizados. Conforme o tratamento vai dando resultados, no entanto, a tendência é os efeitos diminuírem.

A leucemia
A leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos), geralmente, de origem desconhecida. Tem como principal característica o acúmulo de células doentes na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais.
A medula óssea é o local de fabricação das células sanguíneas e ocupa a cavidade dos ossos, sendo popularmente conhecida por tutano. Nela são encontradas as células que dão origem aos leucócitos, aos glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos) e às plaquetas.
Na leucemia, uma célula sanguínea que ainda não atingiu a maturidade sofre uma mutação genética que a transforma em uma célula cancerosa. Essa célula anormal não funciona de forma adequada, multiplica-se mais rápido e morre menos do que as células normais. Dessa forma, as células sanguíneas saudáveis da medula óssea vão sendo substituídas por células anormais cancerosas.
Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo que os quatro primários são leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (CLL).

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