Foto: reprodução internet

Recentemente, a cantora Celine Dion foi acusada de magreza excessiva por parte dos seguidores. Aqui no Brasil, uma situação semelhante aconteceu com a atriz Bruna Marquezine, que também recebeu uma enxurrada de comentários negativos sobre seu corpo. Se por um lado a magreza incomoda muita gente, por outro, a ditadura do corpo “perfeito” castiga as pessoas consideradas gordas ou acima do peso. A pressão estética dos corpos não se restringe ao mundo da fama. Ao contrário, ela está presente no dia a dia de milhões de homens e mulheres que, por escolha ou por predisposição genética, acabam sofrendo as consequências dessas imposições.

Zuraica Pires

No consultório da nutricionista e coach Zuraica Pires, 95% dos pacientes que procuram o acompanhamento nutricional buscam perder peso. A grande maioria são mulheres. “Muitas não estão satisfeitas com seus biotipos de corpos, e uma coisa que tenho observado é que quanto maior o peso, mais a paciente quer emagrecer por questões de saúde. Já aquelas com pouco sobrepeso, a motivação é sempre estética”, revela. Para a nutricionista, os dois extremos estão errados. “As pessoas precisam entender o motivo do emagrecimento e não apenas o peso perdido”, orienta a profissional, acrescentando que por trás das motivações estéticas – tanto para ganhar ou perder peso – existem fatores emocionais.

A relatividade da beleza está na aceitação
As transformações dos padrões de beleza do corpo marcam a evolução de diferentes visões sociais acerca do modelo estético que deve ser incorporado, principalmente pelas mulheres. Aos poucos, o movimento de aceitação do corpo ganha mais adeptos no mundo e reforça a importância da desconstrução dos padrões impostos pela mídia.

“Vem surgindo uma vertente de mulheres que estão aceitando seus biotipos de corpos e isso é muito importante, pois as novas gerações acabam encarando com mais naturalidade essa questão”, destaca Zuraica.

ParaTiago Martinelli Nogueira, é preciso desmistificar a palavra “gordo”

O corpo como resistência
O estudante de teatro Tiago Martinelli Nogueira, revela que a ditadura da beleza tornou-se, para ele, motivo de sofrimento por um bom tempo. “Já fiz todas as dietas possíveis”, desabafa. “Sofri muito preconceito ao procurar emprego e ter que enfrentar o estereótipo de que gordo é preguiçoso e relaxado, e hoje em dia ainda me incomodam com comentários que velam essa intolerância, mas a gente resiste”, ressalta o estudante.

“O meu processo de aceitação não tem muito tempo. Antes eu sempre pensava que com roupas eu iria conseguir entrar dentro dos padrões, mas isso era uma ilusão porque mesmo que usasse uma burca, as pessoas iriam ver que eu sou gordo. A partir 2018, quando entrei na faculdade de teatro, comecei a me dar conta de que esse é o meu corpo, algo que tive no passado, no agora e terei no futuro”, revela Tiago. “Nesse processo, aprendi que ser chamado de gordo não é ofensa e nós, gordos, temos que desmitificar esse adjetivo, por isso, tenho tentado transformar meu corpo em resistência”, complementa o estudante.

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