De 2007 até junho deste ano, foram notificados 247.795 casos de infecção pelo vírus no país. 50.890 deles no Sul. Foto: REPRODUÇÃO INTERNET

No mês de conscientização e combate da Aids, especialistas destacam o diagnóstico precoce do HIV – vírus causador da doença – como um dos aspectos mais importante para seu tratamento e controle. De acordo o Ministério da Saúde, de 2007 até junho deste ano, foram notificados 247.795 casos de infecção pelo vírus no Brasil, sendo 50.890 (20,5%) na região Sul.

O diagnóstico e o tratamento precoce sobre uma eventual infecção aumentam consideravelmente a eficácia do tratamento e com isso a qualidade de vida de quem tem o vírus. O infectologista Ronaldo Hallal, que atua na Santa Casa de Porto Alegre, explica que o HIV não se distribui de forma homogênea na população, por isso, o acesso deve ser mais intenso em populações mais vulneráveis e pouco acessadas pelo sistema de saúde.

“As organizações da sociedade civil têm um papel importante na prevenção, comunicação e apoio a essas políticas. A homofobia, a transfobia, a violência contra a mulher, usuários de drogas, o enfraquecimento das relações de trabalho e o subfinanciamento do SUS, reduzem o acesso e impedem o diagnóstico precoce”, disse o especialista. “O diagnóstico ou tratamento devem ser acompanhados pela dimensão dos direitos humanos, como preconizado pela Organização Mundial de Saúde e pelas Nações Unidas.”

Para quem enfrenta o problema, a falta de informação ainda é um grande desafio. Entre as dúvidas mais recorrentes sobre assunto está a diferenciação entre Aids e HIV, situações comumente confundidas. O HIV ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças, onde as mais atingidas são as células brancas de defesa (linfócitos). Já a Aids é o estágio mais avançado desta infecção, uma vez que o vírus destrói as células de defesa e deixa o organismo vulnerável a diversas doenças. “O tratamento antirretroviral precoce controla a replicação viral e reduz o risco de adoecer, podendo até eliminá-lo em algumas situações”, acrescenta o infectologista.

O estigma e preconceito é outro grande desafio para quem convive com a doença. Ainda muito presente na sociedade, essas são barreiras para quem busca ter uma vida normal após o diagnóstico do HIV. Para o especialista, as mensagens homofóbicas, preconceituosas, conservadores e autoritários, tendem a piorar a vida de quem vive com o vírus e, assim, dificultam o controle da epidemia.

“O cuidado integral e o tratamento eficaz são essenciais e contribuem para a construção de políticas inclusivas. Mensagens fundamentalistas que comprometem o caráter laico das políticas públicas são preocupantes”, destaca Hallal. “Defender a vida significa defender acesso universal a prevenção, diagnóstico e tratamento, com zero discriminação.”

Previna-se
A camisinha ainda é a forma mais simples de se proteger do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis. Em caso de exposição ao vírus, é preciso procurar uma unidade de saúde que ofereça a PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV) no prazo máximo de 72 horas após o contato com o vírus.

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