Butantan divulga entrega de menos doses do que Ministério promete. Foto: Arquivo Ibiá

Pressionado por prefeitos e governadores, devido à escassez de doses da vacina contra a Covid-19, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, informou nessa quarta-feira, 17, em conferência virtual com os governadores, que 230,7 milhões de doses serão distribuídas até o mês de julho, entrando na conta acordos ainda não concluídos que incluem a Sputnik V e a Covaxin. De acordo com o cronograma apresentado, as próximas entregas aos estados acontecem ainda em fevereiro, com a importação de 2 milhões de doses da vacina de Oxford, da Índia, e a liberação de 9,3 milhões da CoronaVac, produzidas pelo Instituto Butantan.

Entretanto, em nota divulgada na tarde dessa quinta-feira, 17, o Instituto Butantan declarou que vai entregar ao Ministério da Saúde mais 3,4 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 a partir da próxima terça-feira, 23. Serão 426 mil doses por dia ao longo de oito dias. Desse modo, a remessa enviada em fevereiro não atenderá nem metade do previsto em contrato para o mês.

Além da remessa da CoronaVac, o Ministério da Saúde aguarda que cheguem até a próxima quinta-feira, 25, mais 2 milhões de doses da Covishield, produzida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford. O cronograma apresentado por Pazuello também inclui negociações que ainda não foram fechadas oficialmente, com os laboratórios União Química/Gamaleya e Precisa/Bharat Biotech, que pretendem garantir a chegada da vacina russa Sputnik V e da indiana Covaxin, respectivamente. “A previsão é de que o contrato com os dois laboratórios seja assinado ainda nesta semana”, declarou o ministério.

Está faltando compromisso, diz presidente da Famurs
O ministro da Saúde tem recebido pressão de centenas de gestores do país. Ainda na noite dessa terça-feira, 16, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgou nota oficial em que diz ser “necessária, urgente e inevitável” a troca do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Segundo o texto, o general não tem condições de conduzir a superação da pandemia e deve ser substituído “para o bem dos brasileiros”.

O documento é assinado pelo presidente da CNM, Glademir Aroldi. O texto afirma que a entidade tem recebido relatos de prefeitos indicando a suspensão da vacinação contra a Covid-19 para grupos prioritários, motivada pela falta de doses e de reabastecimento dos estoques.

Segundo o presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Emanuel Hassen de Jesus, no Estado essa já é uma realidade. “O nosso país já começou a vacinação com atraso, demorou demais, sem qualquer tipo de planejamento. O que nós temos notado é a ausência de responsabilidade do Ministério da Saúde com esse processo que é fundamental para que a gente finalmente consiga sair dessa pandemia”, diz.
Em suas palavras, “o governo Federal precisa assumir as suas responsabilidades”. “O que está faltando realmente é o compromisso do Ministério da Saúde adquirir as doses e fornecer para os Estados e Municípios em quantidade suficiente”, fala Emanuel.

De acordo com o presidente da Famurs, o anúncio do ministro Pazuello já foi uma resposta à pressão feita pelos prefeitos e governadores. “O calendário viabiliza para que a gente acompanha e fiscalize, e continuemos atentos para que não falte mais vacinas para a população e o processo seja acelerado”, completa. A previsão, segundo Emanuel, é que seguindo o cronograma, até abril toda a população gaúcha com mais de 70 anos seja vacinada.

Se permitido, CIS-Caí poderá comprar doses
Para o presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Caí (CIS-Caí), prefeito de Salvador do Sul, Marco Aurélio Eckert, o documento enviado pela CNM é justo e importante para mostrar ao governo o descontentamento com a situação. “Penso que o Ministério da Saúde foi lento na disputa para adquirir as vacinas contra a Covid 19. Também falhou em apostar em apenas uma fabricante e desmerecer outras. Na situação em que o mundo se encontra, é fundamental buscar toda a ajuda possível, importando apenas a eficácia e a liberação pelos órgãos competentes”, declara.

Segundo ele, nenhum município do Consórcio notificou ainda a parada na vacinação, mas em breve as doses devem terminar. “Se necessário e sendo permitido, há a hipótese de comprar vacinas pelo consórcio. Acredito que todos os municípios teriam um certo recurso para investir nessa situação, caso for preciso”, diz Marco.

Confira o cronograma de entregas
Fundação Oswaldo Cruz (vacina AstraZeneca/Oxford)

Janeiro: 2 milhões (entregues)
Fevereiro: 2 milhões (importadas da Índia)
Março: 4 milhões (importadas da Índia) + 12.900.000
(produção nacional com IFA importado)
Abril: 4 milhões (importadas da Índia) + 27,3 milhões
(produção nacional com IFA importado)
Maio: 28,6 milhões (produção nacional com IFA importado)
Junho: 28,6 milhões (produção nacional com IFA importado)
Julho: 3 milhões (produção nacional com IFA importado)
Total primeiro semestre: 112,4 milhões de doses
A partir do segundo semestre, com a incorporação da tecnologia da produção da matéria-prima (IFA), a Fiocruz deverá entregar mais 110 milhões de doses, com produção 100% nacional.

Fundação Butantan (vacina Coronavac/Sinovac)
Janeiro: 8,7 milhões (entregues)
Fevereiro: 9,3 milhões
Março: 18,1 milhões
Abril: 15,9 milhões
Maio: 6 milhões
Junho: 6 milhões
Julho: 13,5 milhões
Total: 77,6 milhões de doses
Até setembro, serão entregues mais de 22,3 milhões de doses da Coronavac, totalizando os 100 milhões contratados pelo Ministério da Saúde.

Covax Facility
Março: 2,6 milhões (vacina importada da AstraZeneca/Oxford)
Até junho: 8 milhões (vacina importada da AstraZeneca/Oxford)
Total: 10,6 milhões de doses

União Química (vacina Sputnik V/Instituto Gamaleya/RUS)

Março: 400 mil (importadas da Rússia)
Abril: 2 milhões (importadas da Rússia)
Maio: 7,6 milhões (importadas da Rússia)
Total: 10 milhões de doses
Com a incorporação da tecnologia da produção do IFA, a União Química deverá produzir, no Brasil, 8 milhões de doses por mês.

Precisa Medicamentos (vacina Covaxin/Barat Biotech/IND)

Março: 8 milhões (importadas da Índia)
Abril: 8 milhões (importadas da Índia)
Maio: 4 milhões (importadas da Índia)
Total: 20 milhões de doses

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