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Uma doença há tempos esquecida volta a preocupar os órgãos de saúde e as famílias no Brasil: o sarampo. Os casos relatados da doença aumentaram 300% nos primeiros três meses de 2019, comparados com o mesmo período do ano passado, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O Brasil aparece em 7º lugar na lista dos 10 países com maior taxa de incidência da doença entre março de 2018 e fevereiro deste ano.

Nesses 12 meses, foram relatados 10.318 casos no Brasil. Isso representa uma taxa de incidência de 46.69 casos por cada 100 mil pessoas. A Ucrânia, seguida de Madagáscar e Índia, estão no topo da lista de países com maior maiores índices.

O Brasil não teve registros da enfermidade, causadora de mortes, principalmente, de crianças, em 2017. Neste mesmo ano, foram quase 110 mil óbitos no planeta.

O sarampo é altamente contagioso, contaminando nove em cada 10 pessoas que têm contato com o vírus e não estão vacinadas. Por outro lado, a doença é quase totalmente evitável através de duas doses de uma vacina segura e eficaz, mas a cobertura global da primeira dose parou em 85%.

Para evitar um surto, é necessária uma taxa de cobertura de 95%. A vacina é a tríplice viral e também previne caxumba e rubéola. Segundo a OMS, 25 países ainda precisam tornar a segunda dose parte de seu programa essencial de imunização.

Entre as causas da não vacinação estão a falta de acesso em países carentes e a recusa de alguns pais de vacinarem os filhos em nações de alto rendimento, devido a incertezas sobre a necessidade e segurança das vacinas. Nesse contexto, se enquadram os movimentos antivacina, fortes nos Estados Unidos e na Europa, mas já iniciando no Brasil. A questão, inclusive, foi destacada pela OMS como um dos dez maiores riscos à saúde.
Embora os dados sejam provisórios, a OMS destaca existir “uma tendência clara” de aumento do problema. Isso não só no Brasil, mas em todas as regiões do mundo, e causa de muitas mortes, principalmente entre crianças pequenas.

O coordenador do Núcleo de Vacinas do Hospital Moinhos de Vento, infectologista Paulo Gewehr, destaca haver diversas razões para as baixas em cobertura vacinais. As vacinas, de acordo com o médico, “são vítimas do próprio sucesso delas”. “No momento que uma doença infeciosa grave, como o sarampo, por exemplo, está circulando na população, causa muito pânico, medo e ansiedade. As pessoas convivem com a doença, ‘enxergam’ ela do dia a dia e a temem”, comenta.

Por outro lado, aponta Gewehr, a vacina, praticamente, eliminou o sarampo, nos países onde foi utilizada de forma ampla na população. “E isso se sustentou durante vários anos. Então, a população esqueceu que aquela doença era grave, pois não via mais pessoas doentes, e foi achando que a vacinação não era uma coisa tão importante”, explica. O médico ressalta que, por não perceber o risco, deixam de se prevenir.

O médico salienta a importância dos profissionais de saúde estarem atentos a questão e atualizados para melhor orientar os pacientes. Principalmente, as crianças e os idosos. “Nas crianças, o sistema imunológico ainda está amadurecendo, não está funcionando completamente. Por isso, estão mais suscetíveis, vulneráveis, frágeis à doenças infecciosas, que acontece de forma mais frequente e grave na infância. E, na terceira idade, o sistema imunológico envelhece junto como todos outros sistemas do nosso organismo”, esclarece.

William e Welinton mostram a carteirinha de imunização em dia

Atenção às crianças e idosos
O infectologista Paulo Gewehr lembra ainda a necessidade das vacinas em todas as faixas etárias. E traz um exemplo: um adulto não vacinado contrai uma gripe e, em função da doença, apresenta problemas de saúde leves. Por outro lado, pode contaminar uma criança ou idoso, onde as consequências correm o risco de serem mais graves, até fatais.

Gewehr destaca, também a questão da história da vacinação na infância no Brasil ser algo relativamente recente, se comparada a outros países. Isso faz existir uma grande parcela da população adulta sem a cobertura adequada. Por isso, é fundamental o alerta.

Vacinação desde o nascimento
Os pais Welinton dos Santos de Oliveira, atualmente com 5 anos, sempre valorizaram a questão da vacinação. Todos os quadrinhos da carteirinha estão, devidamente, preenchidos. Quando a reportagem esteve na Unidade Básica de Saúde (UBS) Centro, o pequeno estava acompanhado do pai, William de Oliveira, 26, mas para uma consulta ao dentista. A prevenção da gripe já tinha sido feita durante a campanha. “Sempre fizemos as vacinas em dia, não dá para brincar com as doenças. A gripe é uma das piores”, avalia.

Apesar de muito ativo, Welinton pareceu ser um pouco tímido. Perguntado sobre se, às vezes, a vacina doía um pouco, apenas fez um sim com a cabeça e sorriu, abraçado ao pai. Além da alegria dele, chamava a atenção o cabelo estiloso do moço, com a figura de uma estrela na lateral. Quem costuma levar o guri para vacinar é a mãe dele, Paola Tamires dos Santos Corrêa, 23 anos.

Saiba quando vacinar
Ao nascer
aBCG (Bacilo Calmette-Guerin) – (previne as formas graves de tuberculose) – dose única
aHepatite B – dose única

2 meses
Pentavalente (previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite e infecções por HiB) – 1ª dose
aVacina Inativada Poliomielite (VIP) (previne poliomielite ou paralisia infantil) – 1ª dose
aPneumocócica 10 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo) – 1ª dose
Rotavírus (previne diarreia por rotavírus) – 1ª dose

3 meses
aMeningocócica C (previne a doença meningocócica C) – 1ª dose

4 meses
aPentavalente – 2ª dose
aVacina Inativada Poliomielite (VIP) – 2ª dose
aPneumocócica 10 Valente – 2ª dose
aRotavírus – 2ª dose

5 Meses
aMeningocócica C – 2ª dose
6 meses
aPentavalente – 3º dose
aVacina Inativada Poliomielite (VIP) – 3ª dose

9 meses
aFebre Amarela – dose única

12 meses
aTríplice viral (previne as doenças: sarampo, caxumba e rubéola) – 1ª dose
aPneumocócica 10 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo) – Reforço
aMeningocócica C – Reforço

Calendário precisa estar em dia
Para vacinar, basta levar a criança a um posto ou Unidade Básica de Saúde (UBS) com o cartão da criança. O ideal é que toda dose seja administrada na idade recomendada. Entretanto, se o prazo para alguma dose foi perdido, é importante atualizar as vacinas.
A maioria das vacinas disponíveis no Calendário Nacional de Vacinação é destinada a crianças. São 12 vacinas, aplicadas antes dos 10 anos de idade em 25 doses.

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