O governo do Brasil assinou acordo com a indústria de alimentos para reduzir o consumo em 144 mil toneladas de açúcar até 2022. No total, essa quantidade representa, por exemplo, uma redução de até 62,4% do açúcar presente hoje em biscoitos. Com a iniciativa, o país será um dos primeiros do mundo a fazer um pacto do tipo com a indústria de alimentos e bebidas.

Com a iniciativa, o país será um dos primeiros do mundo a fazer um pacto do tipo com a indústria de alimentos e bebidas. Fotos: reprodução internet

Segundo o Ministério da Saúde, o acordo segue o mesmo modelo do feito para redução do sódio, que diminuiu mais de 17 mil toneladas da substância nos alimentos processados em quatro anos. “Estamos gradativamente melhorando a saúde da nossa população”, diz o ministro da Saúde, Gilberto Occhi. “Dentro do que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, vamos buscar sempre que o cidadão tenha informação e, gradativamente, com a redução do nível de açúcar desses alimentos, eles se tornarão mais saudáveis”, conclui.

De acordo com o ministério, os brasileiros consomem, em média, 80 gramas de açúcar por dia, o que equivale a 18 colheres de chá. A maior parte, 64% desse consumo, é de açúcar adicionado ao alimento. Os outros 36% tratam-se do açúcar presente nos alimentos industrializados. Para mudar essa realidade, a meta é reduzir o consumo para 50 gramas por dia, o equivalente a cerca de 12 colheres de chá de açúcar, por pessoa. Se possível, esse consumo deverá ser reduzido para 25 gramas, aproximadamente, seis colheres de chá. Conforme a OMS, o consumo de açúcar deve ser equivalente a até 10% do total das calorias diárias. Se possível, deve chegar a 5% das calorias diárias.

Pâmela Kranz, nutricionista

Maus hábitos como alimentação inadequada, além de tabagismo, inatividade física e uso nocivo do álcool aumentam a obesidade em mais de 60%, o diabetes nos homens em 54% e nas mulheres 28%, já a estimativa de casos de câncer aumenta em 27,6%. Para o ministro, a conscientização da população sobre as consequências do uso exagerado de açúcar nos alimentos é de extrema importância. “(O acordo assinado) é uma parte, que é papel do Estado e da indústria, procurar oferecer ao cidadão alimentos mais saudáveis para que possa evitar doenças crônicas não transmissíveis”.

De acordo com o Ministério da Saúde, quanto mais escuro é o açúcar, mais vitaminas e sais minerais ele possui e mais perto do estado bruto ele está

Açúcar: conheça os tipos e saiba qual a melhor opção
De acordo com a publicação do Ministério da Saúde, quanto mais escuro é o açúcar, mais vitaminas e sais minerais ele possui e mais perto do estado bruto ele está. Já a cor branca significa que o açúcar recebeu aditivos químicos no último processo da fabricação, que foi o refinamento. Dentre os diferentes tipos de açúcar, os que possuem menor processamento são sempre mais indicados para uma alimentação saudável.

A nutricionista Pâmela Kranz, explica que o açúcar pode ser classificado como refinado, cristal, demerara e mascavo, por exemplo. “As principais diferenças entre os açúcares aparecem no gosto, na cor e na composição nutricional”, ressalta. “Cada variedade vai agir de forma diferente na sua absorção pelo organismo e isso é o ponto mais importante quando pensamos na saúde, na alimentação adequada, saudável e na prevenção de doenças como a obesidade, diabetes e hipertensão arterial sistêmica.”

Porcentagens de redução por alimentos
O acordo foi firmado com a indústria brasileira que se compromete a reduzir o açúcar em cinco categorias de alimentos: bebidas açucaradas, biscoitos, bolos e misturas, achocolatados e produtos lácteos.

As metas serão monitoradas a cada dois anos e valerão para os produtos em cada uma das categorias que têm a maior quantidade de açúcar consumido pela população. Até 2022, os bolos reduzirão até 32,4%; as misturas para bolos, 46,1%; as bebidas açucaradas, 33,8%; os produtos lácteos, 53,9%; os achocolatados, 10,5%; os biscoitos, 62,4%.

Assinaram o acordo o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que fará o monitoramento, a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcóolicas, a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados e a Associação Brasileira de Laticínios.

Confira os tipos de açúcares
Açúcar Refinado: Como o próprio nome diz passa por um processo de refinamento industrial onde é retirado a maioria dos minerais. Possui um alto índice glicêmico (IG), ou seja, é absorvido pelo organismo rapidamente gerando um impacto instantâneo na elevação da insulina. Deve ser evitado sempre.

Açúcar Cristal: Com grãos maiores e mais transparentes, também passa por um processo de refinamento que retira cerca de 90% dos minerais. Mais utilizados em preparações como bolos e doces. Também possui um alto IG e ainda está presente no dia-dia de muitas famílias.

Açúcar Mascavo: É um açúcar mais natural, porém também possui um elevado IG, então seu consumo deve ser controlado. Possui cor escura, e não passa por processo de refinamento, garantindo a integridade de seus nutrientes. Cuidado: pode existir grande quantidade de fungos nele.
Açúcar Demerara: De cor mais amarelada, é levemente refinado, porém, mantém suas qualidades nutritivas. Tem um IG baixo e pode ser utilizado para adoçar preparações e bebidas no lugar do açúcar refinado e, principalmente por indivíduos obesos e com má absorção de açúcar.

Açúcar Orgânico: Produzido sem adição de aditivos químicos e agrotóxicos, pode substituir normalmente o açúcar cristal, já que mantém suas qualidades nutritivas, contudo, é preciso atenção para o alto IG que possui. Não é a melhor opção.

Açúcar de Coco: Diferente dos citados acima, este é produzido através do coco. É rico em minerais e possui baixo IG, podendo ser usado com orientação de um nutricionista para substituir o açúcar refinado. Seria o açúcar mais indicado hoje para o consumo.

Conheça três maneiras de substituir o açúcar no dia a dia
Indispensável na culinária, o açúcar é um ingrediente muito presente no dia a dia de grande parte da população. Ele pode ser adicionado às bebidas, às receitas e também está em diversos produtos industrializados. Mas, para adoçar, ele não é a única opção: confira três maneiras de substituí-lo na cozinha:
Stévia
A stévia é um adoçante natural produzido a partir da planta Stevia Rebaudiana Bertoni. Ela tem o poder de adoçar bem maior do que o açúcar, mas a sua vantagem está no fato de não ser tão calórica. Além disso, ela pode ser usada tanto no preparo de receitas frias quanto quentes, pois resiste a altas temperaturas.

Mel orgânico
Uma das alternativas para substituir o açúcar é o mel. As razões são várias, mas as principais são gosto e facilidade de aquisição. Devido ao seu sabor suave, é fácil combiná-lo com todos os tipos de alimentos.

Geleia de fruta sem açúcar
Adicionar geleias de fruta sem açúcar, também chamadas 100% fruta, é outra forma natural de adoçar alimentos e preparações como iogurtes, vitaminas e massas para bolos, tortas e biscoitos. Nesse caso, o açúcar natural da fruta é concentrado na forma de geleia, o que aumenta o seu poder adoçante, além de dar sabor às preparações de acordo como sabor da geleia.

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