Foto: reprodução interne

No mês de conscientização e combate à Aids, o Dezembro Vermelho, os dados de Montenegro mostram um pequeno crescimento no registro de óbitos em decorrência da doença. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o número caiu de 16 em 2014, para 9 em 2015 e 2016 cada, tendo um aumento de dois casos em 2017, ficanco em 11 óbitos.

Apesar do crescimento, a assistente social Ana Paula Martins, destaca que os dados do município seguem a regra nacional. Conforme o Ministério de Saúde (MS), de 1980 a junho de 2018, foram identificados 926.742 casos de Aids no Brasil – um registro anual de 40 mil novos casos. Em 2012, a taxa de detecção da doença era de 21,7 casos para cada 100 mil habitantes enquanto, em 2017, o índice era de 18,3 casos. “Acreditamos que essa redução está relacionada à intensificação do trabalho de orientação de pacientes sobre a importância da adesão adequada ao tratamento de saúde”, disse assistente social.

O infectologista Ronaldo Hallal, explica que os dados que o MS publica são produzidos por meio de um cruzamento de sistemas de informações, como a precocidade do diagnóstico, proporção de pessoas diagnosticadas em tratamento e com carga viral suprimida, evolução da mortalidade associada a infecção pelo HIV, entre outros. Assim, o número de casos novos ao ano, por exemplo, é definido pela “detecção de casos” e não pela incidência, o que pode ser influenciado não apenas pelo número de testes realizados, mas também pela “precisão” em testar aqueles mais vulneráveis ao HIV. Quem testa menos e o faz em populações com baixa prevalência, detecta menos.

“É esperado que após chegar a um patamar elevado, ocorra queda na mortalidade de epidemias, fato que não necessariamente demonstra efetividade na resposta do sistema, mas pode significar a perda daqueles que são mais vulneráveis”, alerta o especialista”. “A oferta de tratamento mais precoce produziria impacto na mortalidade somente alguns anos após sua implantação, e o problema mais grave no Brasil é o diagnóstico tardio”.
Nesse cenário, a falta de informação agrava ainda mais a situação em relação a “dinâmica” da transmissão do HIV, o que também reflete nas políticas de prevenção e tratamento. “No Rio Grande do Sul, por exemplo, estado com a epidemia mais grave do país, somente são produzidos os dados convencionais, que impedem a adoção de ações de comunicação, prevenção, diagnóstico e acesso mais próximo do ‘tempo real’ e adequadas para as populações mais afetadas”, salientou o infectologista.

Nesse sentido, a SMS tem desenvolvido campanhas de conscientização junto à comunidade, o que tem fortalecido o sentimento de pertencimento aos usuários de serviço e pode reduzir o preconceito em relação ao tratamento e a realidade HIV/AIDS. Outro fator, segundo Ana Paula, é a melhoria do acesso à informação e insumos de prevenção e qualidade de assistência e acompanhamento clinico laboratorial, bem como a adequação do tratamento a realidade individual do paciente.

Ela cita investimentos. “Sobre a qualificação do atendimento, vale lembrar a inauguração do Ambulatório de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Planejamento Familiar e Tuberculose que permite maior integralidade do cuidado de saúde e o fortalecimento de vínculo com paciente. Além disso, a oferta de medicação antirretrovirais que hoje possui menos efeitos colaterais que a um tempo atrás que era um fator significativo na adesão”, completou a assistente social Ana Paula Martins.

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