É preciso estar atento para não se colocar em perigos como automedicação. foto: reprodução internet

A internet é terreno fértil para os chamados “tudólogos”, ou seja, especialistas das mais variadas áreas. Muitos deles espalham, além de opiniões, informações equivocadas. Isso ocorre, com más intenções ou por desconhecimento do assunto. Algumas dessas fake news referentes à saúde colocam as pessoas em risco de complicações sérias e, até mesmo, de morte.

Os maiores perigos são as pessoas tomarem essas postagens como verdades absolutas, optando por usar medicações contraindicadas, não usar vacinas e outras ferramentas médicas. Outro problema é quando o indivíduo utiliza remédios adquiridos pela internet, de uma maneira mal orientada, sem saber o conteúdo dessas medicações. Essas ações são capazes de trazer danos incalculáveis para a saúde. Quando uma pessoa acredita e toma atitudes baseadas nestas notícias falsas, o dano já existe, explica o diretor da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Juliano Chibiaque.

Juliano Chibiaque

O médico destaca o fato de uma notícia inverídica alimentar a falsa sensação de segurança para quem teve acesso à mesma. Para ele, existe muita fantasia em torno da temática da saúde. “Como é feito? Para que é feito? Quais os benefícios? É preciso que se entenda que nenhuma medicação é aprovada sem testes, nenhum procedimento é aprovado sem o mínimo da comprovação científica”, sublinha.

Os principais exemplos são as imunizações, que têm sua eficácia comprovada cientificamente. No entanto, circula, nas redes sociais, uma série de notícias sem procedência, alegando problemas no uso de imunizações. Isso acabou resultando em pessoas não se vacinando. Há situações como do sarampo, que já havia sido erradicado e voltou a ter casos no diversos países, inclusive no Brasil, em função disso.

Para evitar complicações, é extremamente importante que, quando alguém comentar ou enviar alguma informação sobre o assunto, seja feita a checagem em sites confiáveis. Ter acesso à informação correta é um direito de todos e faz parte da opção de tratamento ter o conhecimento da doença. “Se o paciente quer mais opiniões ou trocar uma ideia, é sempre importante falar com o médico. A partir disso, ele vai ser ouvido e poderá expor os seus receios e dúvidas”, completa Chibiaque.

O representante da AMRIGS classifica a Internet como um grande bem, pois aproxima pessoas, culturas e notícias diversas. Por isso, usar o meio a favor da saúde com informações qualificadas, confiáveis é positivo. “No entanto, quando se utiliza isso de má-fé, são vidas que estão em jogo, e isso como médico e como profissional da saúde, serei sempre conta. Prezamos pelo bem-estar e pela saúde em primeiro lugar”, argumenta.

Ministério tem canal para checagem de informações
Com o objetivo de combater as fake news sobre saúde, o Ministério da Saúde, disponibiliza um número de WhatsApp para envio de mensagens da população. O canal não é um Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) ou tira-dúvidas dos usuários, mas um espaço exclusivo para receber informações virais, que serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdadeiras ou mentirosas.

Saiba mais
Qualquer cidadão poderá enviar, gratuitamente, mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando.
O número é (61) 99289-4640.

Deixe seu comentário