Além de diversos problemas de saúde e sociais, consumo precoce pode causar demência. Foto: Reprodução Internet

João descobriu ser vítima do alcoól após um momento dramático. A filha de apenas 4 anos pediu um brinquedo, mas recebeu de presente um tapa no rosto. O arrependimento fez ele procurar ajuda para enfrentar o problema. Antes disso, como a maioria dos casos, julgava ser normal os seguidos porres, a falta de controle e os inúmeros conflitos em casa.

A vida de Mário também é marcada pelo mesmo mal. Após a esposa não aguentar mais o comportamento violento do marido, resolveu trocar a fechadura do apartamento quando ele saiu para beber. Na volta, embriagado e revoltado, ele arrombou a porta e a agrediu mais uma vez. Ao amanhecer, chorando, ele pediu perdão, prometeu nunca mais fazer isso e decidiu tentar deixar a vida de sofrimento para trás.

Já Antônio resolveu buscar ajuda após ser encontrado por um dos filhos na sarjeta perto de casa. Além de completamente inconsciente e sujo, estava urinado, passaria por um morador de rua tranquilamente. Acordou com 100% de ressaca moral, além da física. Desde então, apesar de algumas recaídas, luta contra um inimigo invisível. Há 36 anos não coloca uma gota de álcool na boca, mas segue sempre vigilante: a bebida é um inimigo silencioso, com um leão antes de avançar sobre a presa. Contudo, vem ganhando o jogo. Recuperou o carinho e admiração da família, rendeu mais no trabalho até se aposentar, sente prazer em ter qualidade de vida. Isso supera, em muito, esconder a tristeza em doses etílicas.

Embora os nomes reais dos personagens tenham sido trocados para preservar o anonimato, os dramas são reais. Além disso, os três têm algo em comum: eles conheceram a bebida no começo da adolescência, normalmente incentivados pelo grupo de amigos ou pela família. Um dos principais motivadores do consumo é, justamente, se tratar da “droga de casa”, com acesso facilitado.

A ingestão precoce de álcool é a principal causa de morte de jovens do mundo de 15 a 24 anos. O dado está no Guia Prático de Orientação sobre o impacto das bebidas alcoólicas para a saúde da criança e do adolescente, organizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
De acordo com o estudo, 40% dos adolescentes brasileiros experimentaram álcool entre 12 e 13 anos, em casa. Entre adolescentes de 12 a 18 anos estudantes da rede pública e privada de ensino, 60,5% declararam já ter consumido álcool.

Entre a lista de doenças causadas pela droga lícita para maiores de idade, não para crianças e adolescente, estão cirrose, epilepsia, e diferentes tipos de câncer, como câncer colorretal, laringe e fígado. As consequências para todas as idades a curto prazo são mal-estar físico e psíquico, perda do controle, comportamento antissocial, enjoo, vômitos, tontura, ressaca, dor de cabeça e depressão. Nos mais novos, pode levar, inclusive, a demência e outros problemas psíquicos. Também pode ter como consequência até mesmo infecções sexualmente transmissíveis, pelo fato de o álcool e a perda da consciência, mesmo parcial, facilitam as relações sem a devida proteção.

Associação Brasileira alerta para o problema
Para a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD) e psicóloga, Sabrina Presman, os países necessitam, urgentemente, adotar políticas de prevenção mais eficazes para coibir o consumo dessas substâncias, principalmente o Brasil, onde considera existir um longo caminho a ser percorrido em relação ao álcool. “A maior parte da população acaba experimentando essa droga no final da infância e início da adolescência”, sublinha.

Sabrina destaca, ainda, se tratar de uma droga, socialmente, permitida e até mesmo estimulada, inclusive nos lares. “Há festas de 15 anos com bebida, eventos culturais e esportivos patrocinados pela indústria do álcool, propagandas que estimulam o consumo”, enumera. A falta de fiscalização efetiva pelas autoridades contribui para agravar ou pelo menos não amenizar o problema.

Por outro lado, a supervisão familiar, destaca o membro da ABEAD, tenente-coronel da reserva da Brigada Militar e bacharel em Direito, José de Jesus Cirne da Silva, tem efeitos protetores nos hábitos de consumir álcool e outros entorpecentes. “As drogas têm a perversa capacidade de impactar, não raras vezes, o curso da vida dos jovens. É uma fase em que eles necessitam orientação, assistência, amparo, acompanhamento e proteção. Cabe a nós auxiliá-los no processo de amadurecimento para tomada de decisões de forma responsável e segura”, aponta.

Cirne costuma dar palestras em escolas sobre os efeitos nocivos da ingestão de álcool, em especial na infância e adolescência. Entre eles, estão aumento da violência, reflexos negativos no desenvolvimento escolar, conflitos familiares e risco de dependência química no futuro. Ele lembra o fato de, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existir volume de álcool classificado como seguro, tendo em vista ser uma substância tóxica para o organismo humano.

Alcoólicos Anônimos ajudam a superar o vício

Alcoolismo é lento e progressivo
O corretor de imóveis aposentado, Bruno Negruni, 75 anos, comemora 39 anos livre do álcool no dia 15 de setembro. Percebeu estar bebendo em excesso quando passou a ter problemas em eventos sociais. Costumava ir a bailes e outros encontros, onde sempre chamava a atenção. “Eu era o ‘rei da festa’, contava a mesma piada 39 vezes e queria que as pessoas sempre rissem”, lembra.

É comum os dependentes de bebidas só buscarem auxílio quando já tiveram a vida pessoal e profissional bastante prejudicada. Muitos quando chegam ao chamado “fundo do poço”. Esse não é o caso de Negruni, com apoio da família, ele conseguiu superar o problema antes disso.

Negruni experimentou o álcool na pré-adolescência e começou a beber com mais intensidade por volta dos 16 anos. Percebeu precisar lutar contra o problema em 1980. O alcoolismo, segundo ele, é uma doença lenta e progressiva, por isso a dificuldade de a pessoa identificar sofrer da dependência e tentar alguma forma de tratamento ou auxílio de pessoas próximas.

“Tu vai em uma festa, se encontra com teus amigos, toma uma, toma outra e ‘enche a cara’. Leva um susto e para de beber. Então, vai em outra festa e pensa ‘na última vez que estive aqui tomei um porre, hoje vou devagar, parei’. Teu cérebro ainda te avisa, mas chega um ponto que o prazer da bebida supera a moral”, afirma, exemplificando como é difícil a própria pessoa perceber estar sendo, dose a dose, mais dependente da droga.

Negruni lembra o fato de o cérebro registrar, primeiro, as sensações de prazer, não as saudáveis. Isso tem relação direta com pessoa ter dificuldade de perceber ser alcoolista. Praticamente há 40 décadas livre da dependência, ele leva uma vida normal, frequenta festas, bares e encontros onde as pessoas consomem bebidas e não sente vontade de acompanhá-las. Ainda assim, vez por outra se lembra de sofrer do problema. Mostra quem manda. Hoje ele diz ser uma honra (“porque orgulho é pecado”) servir de exemplo para quem trava esta dura luta.

Quem começa a beber cedo tem
mais chance de se tornar dependente

Alcoólicos Anônimos ajudam a superar o vício
Montenegro conta com dois grupos de alcoólicos anônimos. O principal objetivo é dar apoio a quem precisa, a partir da premissa de ninguém está sozinho na batalha pela sobriedade. O Ibiá, localizado no Ginásio Taninão, no Sindicato dos Metalúrgicos, na rua Fernando Ferrari, 1221, no Centro. As reuniões ocorrem segundas às 20h. No dia 30, inclusive, haverá festa no local para celebrar os 40 anos do grupo. O outro é o Vida Nova, com encontros às sextas, às 20h,na Escola Municipal de Ensino Fundamental  Cinco de Maio, rua Alberto Trasel.

Os AAs são abertos a toda a comunidade. Quem chega, tem a opção de se identificar, permanecer no anonimato ou escrever qualquer pseudônimo na lista de chamada. Contudo, os demais participantes se comprometem a não contar para ninguém os fatos descritos por cada um.

O trabalho é realizado com base em doze passos. O primeiro é admitir a impotência diante do álcool e ter perdido o controle da própria vida. O segundo, acreditar na força de poder superior para devolver ao alcóolico à sanidade. O terceiro, decidir entregar a vontade e a vida aos cuidados de Deus. Isso não tem nada a ver, necessariamente, com alguma religião específica, mas com a fé em qualquer crença.

A maioria dos outros passos segue a linha de incentivar o participante a seguir em frente, sempre com o foco de acreditar não somente Nele, mas em si próprio. O último é uma espécie de juramento entre companheiros de trincheira: sempre ajudar quem vive o mesmo drama. Veja todos ao lado.
No final de cada comovente manifestação, o integrante do grupo deseja mais 24 horas para todos, seguindo a ideia de não beber um dia de cada vez. O “nunca mais vou beber na vida”, cortando o hábito de forma abrupta, via de regra, não tem o resultado esperado.

Mas ninguém é obrigado fazer uso da palavra. É possível, inclusive, ir encontros apenas para se ambientar em um primeiro momento. Sem ao menos um “boa noite” para algum dos presentes, se assim preferir. Ao término, não ocorre manifestação dos outros. Entretanto, ao término da reunião, é possível uma pessoa mais experiente dar conselhos e manifestar apoio para o estreante travar esta dura luta contra a bebida. O novo participante também escolhe um padrinho para trocar experiências e buscar conselhos. Podem falar com frequência, independente das reuniões semanais.

No primeiro ano como participante, a cada três meses, quem frequenta o espaço ganha uma ficha para marcar os períodos de abstinência. Após, a cada ano uma até completar 35 anos. Certamente, cada um dos vitoriosos as guardam como troféus, amuletos e formas de seguir no fronte e vencer a batalha.

Se, após iniciar ao difícil processo, mesmo com motivação e dedicação intensa, houver recaídas é preciso saber se perdoar. Buscar forças para recomeçar, na família, no próprio AA, em Deus ou em qualquer outra manifestação forma de apoio e fé em um futuro melhor. Ninguém nasce dependente químico ou vira de uma hora para outra. Exatamente por isso, não é tarefa fácil para deixar o alcoolismo.

Os doze passos
1. Admitir ser impotente perante o álcool e ter perdido o domínio das próprias vidas
2. Viemos a acreditar que um poder superior pode devolver à sanidade
3. Decidir entregar a vontade e a vida aos cuidados de Deus
4. Fazer um minucioso e destemido inventário moral da própria vida
5. Admitir perante Deus, a si mesmo e a outro ser humano a natureza exata de nossas falhas
6. Prontificar-se, inteiramente, a deixar que Deus remova todos esses defeitos de caráter
7. Humildemente, rogar a Ele que nos livre de nossas imperfeições
8. Fazer uma relação de todas as pessoas a quem se tenha prejudicado e se dispuser a reparar os danos a elas causados
9. Fazer reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem
10. Continuar fazendo o inventário pessoal e quando estiverem errados, admitir prontamente
11. Procurar, através da prece e da meditação, melhorar o contato consciente com Deus, na forma em que o concebíamos, rogando apenas o conhecimento de sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade
12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procurar transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades

José de Jesus Cirne da Silva

Entrevista
Nesta entrevista, o membro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD), tenente-coronel da Reserva da Brigada Militar e bacharel em Direito, José de Jesus Cirne da Silva, fala sobre as consequências do consumo precoce de álcool. Além da questão de prejudicar a saúde e impactar a possível dependência, muitas vezes, há reflexos no envolvimento com a violência. Cirne dá palestras em escolas da região alertando para o perigo iminente, inclusive o de ser a “porta de entrada” para entorpecentes mais pesados.

Jornal Ibiá – Quais são os principais fatores responsáveis por levarem crianças e adolescentes a beberem?
José de Jesus Cirne da Silva – O início do uso do álcool na vida dos jovens está ocorrendo cada vez mais cedo no Brasil, constituindo uma situação alarmante. Estudos e pesquisas têm demonstrado que a maior parte da população acaba experimentando o álcool no final da infância e início da adolescência. Os jovens, em geral, possuem baixa percepção dos riscos decorrentes do uso e abuso de álcool e outras drogas. Assim, não raras vezes, poderão apresentar fatores mais vulneráveis para iniciar o uso.
Uma forma de consumo bastante preocupante ocorre em bares e casas noturnas que fazem o comércio “open bar”, ou seja, estabelecem um preço único para o consumo de bebidas alcoólicas, sem controle, restrição ou limite. Também merece destaque a falta de fiscalização sobre o acesso dos jovens ao álcool e os inúmeros pontos de comércio destas substâncias. Soma-se o baixo custo de muitas bebidas, além  do consumo solidário e compartilhado.
Outro ponto de extrema relevância diz respeito ao “impacto da publicidade de bebidas alcoólicas sobre o consumo entre jovens”, com uso de imagens, que reforçam de forma inconsciente que “não é possível se divertir sem o álcool” trabalhando com ícones de prazer e satisfação do imaginário popular (beleza, saúde, força, sexo). Assim, a fidelização de marca tende a estar associada a um aumento no consumo per capita de álcool.

Ibiá – Como o senhor mencionou, em festas de adolescentes, muitas vezes, há consumo de álcool. Existe aquela conversa de o pessoal  “entrar na onda” e acabar bebendo para fazer parte da turma mesmo sem vontade?
Cirne – O adolescente é um sujeito que está formando sua personalidade de adulto. Nesta fase da vida, o ser humano é naturalmente impulsivo, valoriza o grupo e se afasta da família. É, ainda, curioso, desafiador e valoriza a opinião dos amigos. Assim, ele é bastante suscetível ao álcool e outras drogas, bem como apresenta dificuldade de enxergar o consumo como problemático.
O uso do álcool pela influência dos pares é muito determinante. Os jovens se sentem mais livres para beber e o fazem até para garantir sensação de pertencimento aquele grupo. Muitos estão bebendo em grandes quantidades, ou seja, um beber impulsivo e problemático.
O álcool, equivocadamente, sob forte influência cultural e econômica, esta relacionado a divertimento, sensações de alegria, desinibição e diminuição da ansiedade. Busca-se, ainda, justificar o uso como forma de evitar ou aliviar sensações desagradáveis.

Ibiá – Após o primeiro contato, é possível estimar a chance de isso voltar a acontecer?
Cirne – O álcool, em suas várias formas de bebidas, representa um dos maiores problemas de saúde, embora não seja tratado com o cuidado que merece. Logo, estamos diante de uma questão de enorme relevância e que exige uma postura muito séria diante dos variados impactos no cotidiano. Estamos falando de impactos reais na saúde pública, segurança e ambientes da vida social.
É uma droga e não existem níveis seguros para consumo, principalmente, para jovens. Quanto mais cedo o indivíduo inicia o consumo de bebidas alcoólicas, mesmo eventualmente, maior é a chance do desenvolvimento do uso problemático e a dependência do álcool na vida adulta.

Ibiá –  Por ser uma droga lícita, quase sempre está disponível em casa. A maioria dos pais tem atenção e os devidos cuidados a este tema? Orienta os filhos adequadamente?
Cirne – A visão da sociedade e da família sobre o uso do álcool é bastante equivocada e irresponsável. Infelizmente, em muitas famílias, é negligenciado o elevado potencial lesivo que representa.
A supervisão orientação e acompanhamento dos pais é muito importante. Assim, ao estarem mais conscientes das atividades, amigos e paradeiro de seus filhos, podem ajudar a protegê-los do uso e abuso de bebidas. Infelizmente, temos muita tolerância e negligência de pais dentro das próprias residências e festas em casa dos amigos. A atitude familiar permissiva, muitas vezes, será relevante no consumo de álcool e outras drogas pelos jovens. Precisamos abrir canais de comunicação, oferecer a estas crianças e jovens alternativas, modelos de vida saudável.

Ibiá – Além disso, o quanto é importante os pais darem o exemplo, sem beber em excesso e não incentivarem o consumo? Antigamente, por exemplo, era algo até comum dar a “espuminha” da cerveja para as crianças experimentarem.
Cirne – Infelizmente, podemos afirmar que não há controle efetivo sobre o uso e abuso do álcool, uma droga socialmente aceita e cujo consumo, em muitos casos, é até incentivado apesar dos vários problemas pessoais, familiares e sociais que pode provocar.
Atitudes favoráveis dos pais em relação ao uso de álcool e o próprio consumo dos pais impactam, diretamente, no risco do uso nocivo dessa substância pelos filhos. Temos que evitar a apologia ao álcool e dar o exemplo. Uma pessoa criada em um ambiente de consumo abusivo de álcool tem maior propensão a desenvolver ansiedade, depressão e vícios.
Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância, na sigla em inglês) o consumo nocivo de bebidas alcoólicas entre os adolescentes é uma grande preocupação em muitos países. Ele reduz o autocontrole e aumenta outros comportamentos de risco. É a principal causa de lesões, acidentes e mortes prematuras.

Ibiá – O uso de bebidas na fase inicial da vida leva a quais impactos na adulta, tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional?
Cirne – Estudos e evidências do cotidiano mostram que o abuso de álcool pode ser responsável pelo aumento da agressividade entre os usuários. Seu “status de legalidade” torna-o socialmente aceito e largamente consumido, ainda que se tente regular seu uso. É uma droga democrática: está nas casas, nos bares, nas festas, nas praças, enfim, nos mais variados ambientes de convivência.
O uso, abuso e a dependência de bebidas poderão ser impactantes no trabalho e vida social: atrasos frequentes, faltas ao serviço, acidentes de trabalho, desemprego, envolvimento em condutas violentas, aposentadoria precoce, doenças físicas e psiquiátricas, internações para tratamento da dependência e morte, entre outros.

Ibiá – E quanto à questão de saúde, quais os principais problemas causados?
Cirne – O álcool é a substância psicoativa mais consumida por adolescentes no mundo inteiro e do ponto de saúde pública é um flagelo mundial. É algo devastador para nossas crianças, adolescentes e jovens, bem como na vida adulta. É uma substância tóxica que, absorvida pelo tubo digestivo, causa impacto no cérebro. Isso explica boa parte dos acidentes de trânsito e a maioria dos casos de violências. Também é a droga que mais gera violência familiar e urbana. Impacta os adolescentes, tanto do desenvolvimento psicomotor, quanto da questão escolar, social e física. Em famílias nas quais um adulto faz uso abusivo de álcool, são maiores as taxas de conflito entre os pais e de violência praticada contra as crianças.
Podemos destacar doenças e prejuízos associados ao consumo de álcool: violência interpessoal, câncer de esôfago, câncer de laringe, pancreatite, cirrose hepática, síndrome alcoólica fetal, problemas cardíacos, neurológicos e musculares, endocrinológicos, fraturas, suicídio, risco maior para transtornos psiquiátricos, crimes, entre outros. Não raras vezes, o desfecho é a incapacidade e a morte precoce.
O melhor caminho é a prevenção e o cuidado. Assim, implica em maior controle na oferta, publicidade e regulação do comércio. As ações podem se tornar efetivas quando são integradas com outras propostas, possuem uma continuidade e contemplam, nas abordagens educativas, a interface entre a saúde e a educação.
Uma proposta interessante é a educação para uma vida saudável, na qual a escola aborda o tema das drogas em um contexto mais amplo, ancorado no currículo, abrangendo temas transversais, buscando desenvolver a autonomia e a responsabilização dos sujeitos em relação a sua saúde. Não existe beber seguro para crianças, nem para os  adolescentes.

Atendimento no Caps I
Montenegro conta com o serviço de tratamento aos pacientes alcoolistas do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) I. Para ser atendido, inicialmente, o paciente ou a família dele precisam ir ao local para marcar o primeiro atendimento, o acolhimento, onde por cerca de uma hora é feito um histórico do usuário. “Estamos marcando só pessoalmente, porque antes as pessoas faziam o agendamento por telefone e não vinham no dia e horário marcados”, explica coordenadora do serviço, a psicóloga Jaqueline Porto.

Após esta etapa, são feitos atendimentos individuais, em grupo e consultas médicas. Quando necessário, há o encaminhamento para internações hospitalares e em comunidades terapêuticas. Há instituições onde o serviço é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Montenegro e outros municípios.

Os adolescentes e suas famílias são recebidos sempre às quintas-feiras, das 8h às 12h. À tarde, nestes dias, há apenas expediente interno. Adultos podem participar em outros dias, das 8 às 17h sem fechar ao meio-dia. Ao todo, entre problemas com álcool, drogas e mentais são relizados, no mínimo, 1000 atendimentos por mês.

Em casos de pacientes debilitados fisicamente pelo problema de saúde, primeiro é feito o atendimento clínico no Hospital Montenegro. Depois de apresentarem melhoria no quadro, são recebidos no Caps. Em casos, específicos o psiquiatra do local pode receitar medicamentos para quem frequenta o espaço. Quem desejar apenas o tratamento medicamentoso, entretanto, precisa procurar a Secretaria Municipal de Saúde.

O CAPS fica localizado na rua Bruno de Andrade, 1847, bairro Timbaúva. O telefone para contato é o (51) 3632-5317.

Foto: Pixabay

Recreo tem espaço para acolher a faixa etária
O Retiro Comunitário de Reabilitação Ocupacional (Recreo) tem um espaço com 25 vagas para atender dependentes químicos precoces. A maioria deles iniciou o uso de substâncias nocivas pelo álcool e passaram para drogas mais pesadas, como o crack. “Na classe média, geralmente, são jovens de famílias desestruturadas, o pai ou a mãe são alcoolistas ou ficam meio turno sozinhos em casa, olhando televisão”, afirma o presidente da instituição, Otávio Furtado. Esta falta de cuidado, seja por desleixo ou necessidade de arcar com as despesas da casa dos responsáveis, alguma vezes, serve como gatilho para os menores tentarem buscar o vazio interior nas drogas.

Furtado destaca, ainda, o fato de o problema ser mais frequente em áreas mais carentes. Contudo, também atinge famílias com melhor poder aquisitivo. “Começam no cigarro, no álcool e ficam com ânimo para ingerir sustâncias mais pesadas, como o crack. Não buscam uma motivação interior natural, espiritual, alegria de viver, mas uma energia artificial. Assim, acabam ficando viciados, perdidos e não se encontram mais”, explica, com a autoridade de quem já viveu esse pesadelo.
O atendimento no Recreo é feito em diferentes modalidades: particular, convênio ou custeado pelo poder público. O telefone para contato é o (51) 3632-2275.

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