KERBER contabiliza aumento de 20% nas vendas da Kervicar no último ano. Revenda trabalha com usados de vida média de 5 anos

Comprar veículo usado, mas especialmente seminovo, ainda é uma forte opção dos brasileiros. A comparação entre dados acumulados no mês de janeiro de 2018 com janeiro deste ano revela um resultado 1,6% maior, indicando que a atividade começou o ano em terreno positivo. Foram 1.145.183 veículos vendidos no Brasil no primeiro mês de 2018, contra 1.163.377 em janeiro de 2019.

No mínimo, pode-se considerar que o setor navega em uma estabilidade promissora. O otimismo é justificado ainda que os negócios entre dezembro passado e janeiro de 2019 tenham decrescimento de 9,2% (comercializados 1.163.377 unidades em janeiro e 1.281.881 em dezembro). Isso porque o resultado já era esperado, segundo avalia a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) porque, historicamente, todo último mês de ano é forte em vendas.

Quem confirma essa realidade é o comerciante montenegrino José Airton Kerber. “Nós notamos um crescimento bom em dezembro e janeiro”, salientou. Na verdade, o proprietário da Kervicar comemora a reação observada no último ano, depois de um hiato entre 2015 e 2017. Então em 2018 os negócios foram ainda em ritmo lento, certamente devido ao medo do desemprego e incertezas quando ao rumo da economia e da eleição.

Então, uma vez definido o cenário presidencial, a partir de novembro os clientes voltaram. Ele avalia que os clientes preferiram fazer uso da chamada “opção de compra”, sistema no qual economizam enquanto avaliam as melhores oportunidades e ofertas. Era normal que nos outros meses os visitantes da loja se limitassem ao pedido de orçamento.

Essa forma de agir durante o período mais forte da crise resultou em outra realidade. “A partir de novembro o pessoal veio decidido! E o que me chamou a atenção é muita compra à vista”, observou Kerber, sem deixar de frisar que financiamento em consórcio também segue valorizados.

O que é o seminovo
Veículo com até três anos de uso ou, no máximo, 30.000 km rodados. Como a média de rodagem do brasileiro é de 15.000 km por ano, aquele com três anos e 30.000 km é supervalorizado como seminovo.

Seminovo tem vantagens em relação ao 0km
Kerber tem 27 anos de loja e hoje vende também veículos novos de praticamente todas as marcas. Todavia defende seu nicho de negócio âncora, defendendo as vantagens do seminovo. Ele confirma que a depreciação de um zero quilômetro inicia quando o comprador passa pelo portão da concessionária. “É uma belíssima opção de compra”.

Essa desvalorização automática gira em torno de 15%. Enquanto isso um carro com até 10.000 km – considerado novo – custa de 15 a 20% menos do preço do 0km. “O novo, a pessoa tem que ficar com ele por, ao menos, três anos”, enfatiza, referindo-se ao prazo de garantia e para usufruir do valor investido. Depois deste tempo, se estiver em bom estado de conservação e as revisões em dia, ainda é bem valorizado no setor de usados.

Outro nicho é o proprietário colocar aquele seminovo que adquiriu de volta no mercado e buscar um novo ou seminovo com menos quilometragem. Neste caso, igual a venda do seminovo de primeiro dono, a valorização se dá pelo cuidado que o segundo dono teve com o carro.

Vendas com pouca variação em 2018
Segundo a associação das revendedoras, foram vendidos 14,2 milhões de exemplares no ao passado. Número é apenas 0,4% maior do que em 2017. A diferença, de apenas 62,7 mil unidades, representa pouco mais do que a média diária (dias úteis) de vendas em 2018, de 56.874 veículos.

Seminovo custa até 20% menos do preço de um 0km

Neste balanço sobressai que os considerados seminovos, com até três anos de uso, tiveram acentuada queda de 52,1%. Por outro lado, os “usados jovens”, de 4 a 8 anos de uso, e os “usados maduros”, de 9 a 12 anos de idade, tiveram crescimento de 27% e 46,5%, respectivamente.

Concessionárias valorizam o segmento
As concessionárias não têm o que se queixar em relação ao seu setor de usados. Igor Castilhos, gerente de vendas da Sinorcar, classificou desempenho de excelente, superando as expectativas. “E projetando um crescimento de 10% em 2019”, definiu. A representante Chevrolet no Vale do Caí trabalha com multimarcas comercializados na troca por novos. Em relação à preferência, Castilhos explica que os clientes buscam um modelo mais completo, de ano inferior, motor 1.4 e de baixa quilometragem. Na Sinoscar o modelo Onix, versões 1.0 e 1.4, está na liderança.

Na Comauto, o usado é levado tão a sério que a revenda Volkswagen abriu quatro lojas especializadas na região. A rede multimarcas Comauto Seminovos surgiu entre 2013 e 2014, em meio à crise econômica que reduziu o volume de negócios de novos. O gerente de vendas, Tiago Aloísio Rambo, explica que a estratégia foi criar uma estrutura na concessionária que garanta a qualidade através de revisão com garantia. O resultado foi o desempenho positivo em 2018.

“Mantivemos o mesmo volume de venda final em relação a 2017. Porém, conseguimos ser bem efetivos, obtendo um resultado um pouco melhor durante um ano em que os seminovos tiveram baixa”, revela. A busca dos clientes é por valor mais em conta em um veículo completo e com garantia. Os mais procurados na Comauto Seminovos são justamente modelos da marca, como Gol, UP e Voyage. Inclusive, ela faz girar seus próprios carros, antes levados 0km e depois incluídos na troca.

Mais vendidos no país/ dezembro
Volkswagen Gol – 83.027 unidades
Fiat Uno – 49.385
Fiat Palio – 49.297
Ford Fiesta – 32.184
Chevrolet Celta – 29.960
Volkswagen Fox – 26.001
Chevrolet Corsa – 24.073
Fiat Strada – 23.892
Fiat Siena – 22.648
Toyota Corolla – 21.119

Deixe seu comentário