Fatores de mercado são mais influentes no preço do que o custo adicional da nova fórmula. Foto: Sulpetro
Foto: Petrobras

Mudança. Petrobras antecipa padrão ‘europeu’ que protege o motor, dificulta fraudes e reduz o consumo

A Petrobras já está produzindo em suas refinarias e desde segunda-feira, dia 3, comercializando aos distribuidores a gasolina com octanagem RON 93. O novo padrão da fórmula também tem maior massa específica (densidade), o que, segundo a estatal, significa mais eficiência, com possibilidade de redução média de 5% no consumo por quilômetro rodado (dependendo do motor).
Mas este rendimento vem com o ônus de aumento do preço por litro, já garantido nas refinarias, mas definido pela cotação no mercado internacional e outras variáveis – para cima ou para baixo -, como valor do barril do petróleo, frete e Dólar. A Petrobras argumenta que tudo será compensado pelo rendimento da nova gasolina, com o “consumidor rodando mais quilômetros por litro”.

O sindicato dos donos de postos – o Sulpetro – não pode prever de quanto será este aumento, pois dependerá dos valores repassados pela Petrobras e pelas distribuidoras de combustíveis. “Além disso, cada posto é livre para praticar os preços de acordo com suas margens e estrutura de custos”, ressalta João Carlos Dal’Aqua, presidente do sindicato.

A entidade informa que a nova gasolina já está chegando aos estabelecimentos do Rio Grande do Sul. A refinaria está fornecendo o produto, e com a legislação em vigor agora haverá somente adequação de valores. A Petrobras também ressalta que é responsável por apenas 30% do preço nas bombas, que recebe forte carga de tributos, preço do etanol e margens de lucro.

Venda será obrigatória apenas em 2022
A Petrobras defende a nova fórmula evocando benefícios, que incluem a melhor dirigibilidade, menor tempo de resposta na partida a frio e aquecimento adequado do motor. “Ajustamos nossos processos de refino e estamos prontos para antecipar o padrão de qualidade previsto para 2022”, afirma Anelise Lara, diretora de Refino e Gás Natural da Petrobras.

A Sulpetro avalia que a nova formula ajudará na melhoria da qualidade do produto, especialmente no caso da gasolina importada, que, muitas vezes, pode vir com especificação inadequada. Entre as alterações prejudiciais deste produto está a adição de solventes ou componentes químicos ruins, que prejudicam a sua composição.

“Anteriormente não havia especificação de densidade para a gasolina, fazendo com que o produto vendido aqui fosse menos denso que o de outros mercados”, explica João Carlos Dal’Aqua. O presidente do sindicato assinala que desta forma as importadas acabavam chegando com “padrão, de certa forma, mais flexível”, o que lhe garantia custo mais baixo.

“Mas, a partir de agosto, o combustível vendido às distribuidoras precisará ter massa específica (densidade) de 715 quilos por metro cúbico”, assinala. Ele avalia que o objetivo é justamente frear importações de baixa qualidade e aproximar a qualidade do produto vendido no Brasil com o do mercado americano e europeu.

Quais as novidades do laboratório
A regulamentação da ANP, cuja primeira fase entrou em vigor segunda-feira, estabelece uma massa específica (densidade) mínima de 715 kg/m³. Prevê ainda octanagem mínima de RON 92 (metodologia Research Octane Number), sendo que na segunda fase, em janeiro de 2022, passará para 93. A Petrobras se antecipou ao padrão 2022, e toda a gasolina comum que produz já tem octanagem RON 93. Essas especificações são mais adequadas às novas tecnologias de motores que estão sendo introduzidos no Brasil; além de dificultar fraudes, combatendo o uso de solventes e naftas de baixa qualidade.

Imagem: Ilustrativa/ Petrobras

O que é a octanagem
É a capacidade de resistência da gasolina às altas pressões e temperaturas dentro do motor durante a combustão (funcionamento). E quanto maior for a octanagem, maior sua resistência ao efeito da “detonação”, que é uma combustão irregular e descontrolada dentro da câmara, alterando a harmonia entre taxa de compressão e avanço de ignição. É a famosa “batida de pino”, e que reduz a potência e traz danos ao motor. A octanagem está ligada ao tipo e à qualidade da gasolina. Quanto maior seu nível, maior o desempenho do carro.

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