Demais modelos do portfólio no Brasil são importados, por tanto, não sofrem impacto. Foto: Assessoria Ford Brasil

Nada muda. Cobertura é inclusive para o KA e a Ecosport, que deixam de ser fabricados

A saída da montadora Ford do Brasil foi inesperada e preocupante. Ela coloca luz sobre os problemas enfrentados pelo mercado automobilístico mundial, e como são ampliados no cenário de um Brasil sem projeto econômico que reduza custos e incentive a competitividade. O diretor da concessionária autorizada Brenner Ford, Marco Brenner, fala dos novos rumos da montadora no país, mas, antes de tudo, trata de acalmar os clientes.

Sobretudo para aqueles que acabaram de adquirir um veículo da marca, a informação e de impacto zero. A assistência técnica está mantida, com revisões, peças originais e garantia de três anos nos veículos zero quilômetro. Inclusive para os modelos populares KA e a SUV compacta Ecosport, cujas produções foram encerradas no Brasil. E, por enquanto, sua venda segue enquanto durar os estoques, sem haver definição quanto a importação.

“Não está nos comunicados enviados pela Ford”, avisa Marco Brenner. Uma análise coerente é que, a importação destes populares, especialmente em Dólar, elevaria seus preços, tirando, definitivamente, competitividade. Quanto às vendas do que resta nos pátios, Marco não aposta em uma redução de valores em estratégia de “queima de estoque”.

Mas, aposta em condições diferenciadas, como ampliação nos prazos de pagamento e taxas reduzidas; sempre com a garantia de manutenção ao KA e à Ecosport. E nada muda em relação aos demais produtos do portfólio Ford, pois picapes, SUV, esportivos e sedan de luxo são importados, por tanto sequer sentirão o fechamento das três fábricas. Inclusive, estão previstos lançamentos ainda no primeiro semestre. A linha de montagem do “fora de estrada” Troller, em Horizonte, no Ceará, também fechou.

Linha popular estava dando prejuízo
Em entrevista ao programa Estúdio Ibiá, na Rádio Ibiá Web, Marco Brenner confirmou o choque inicial que atingiu todo o setor, inclusive das autorizadas como a Brenner Ford. Ele revela que não havia nenhum indício de uma atitude tão drástica como a saída do país, inclusive com fechamento da montadora em Camaçari, na Bahia, que estava em atividade há apenas 20 anos.

Todavia, defende a transparência da direção quando reiterava que as linhas populares – como o Ford KA montado na Bahia – deixavam de compensar no cálculo entre custo de produção e preço que precisava oferecer ao consumidor brasileiro. Marco revela que já não era nem uma questão de queda de lucro, mas de arcar com prejuízos no Brasil.

“Muito falavam que havia uma dificuldade para se manter neste seguimento de produtos populares”, confirma. No site da montadora norte-americana, o comunicado refere-se a uma “reestruturação de suas operações na região”. Segundo Marco Brenner, nos planos da matriz nos Estados Unidos está inclusive o abandono de modelos sedan de luxo, no Sul e no Norte do continente americano. O projeto da montadora é retornar às origens da empresa, com picapes, camionetes, esportivos potentes e SUV. A entrevista completa está no Facebook e no canal do Jornal Ibiá no Youtube.

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