Cidade fictícia de Serro Azul é inspirada em município interiorano de Minas Gerais, Catas Altas. Fotos: reprodução internet

Personagem que vira lobisomem nas noites de Lua Cheia para assombrar uma cidade, outra que explode de tanto comer. A teledramaturgia brasileira está repleta de produções baseadas no realismo fantástico. Surgido no início do século XX, o movimento literário realismo fantástico integra elementos mágicos à realidade cotidiana.

Quem não recorda, mesmo que por reprise no Vale A Pena Ver de Novo, do personagem Emanuel, interpretado por Selton Mello, que criava asas como um anjo? A novela de Ricardo Linhares, de 1997, também trazia a icônica vilã Maria Altiva, que morreu, virou fumaça e prometeu voltar para assombrar.
E a nova novela de Aguinaldo Silva, que estreia às 21h desta segunda-feira, 12, na Rede Globo, segue a linha fantástica, marcando o retorno do dramaturgo no universo mágico novelista.

A trama gira em torno da cidade de Serro Azul, comunidade que vive sem internet ou celular. E é na pacata cidadezinha, envolta em mistérios e cercada por montanhas, que habita um gato mágico e uma fonte da juventude com propriedades curativas protegida por sete guardiões.

Os guardiões são o prefeito Eurico (Dan Stulbach), o médico José Aranha (Paulo Rocha), o delegado Joulbert Machado (Milhen Cortaz), a esotérica Milu (Zezé Polessa), a cafetina Ondina (Ana Beatriz Nogueira), o mendigo Feliciano (Leopoldo Pacheco) e o solitário Egídio (Antonio Calloni), o guardião-mor.

O autor aproveitou para buscar referências em produções anteriores para compor O Sétimo Guardião. A música “Entre a Serpente e a Estrela, de Pedra Sobre Pedra foi uma delas. Além disso, retorna à trama o personagem Ypiranga Pitiguary, de A Indomada.
Noveleiros de plantão, apreciadores do gênero, sem dúvida se deliciarão. O elenco traz ainda Marina Ruy Barbosa, Paolla Oliveira, Lília Cabral, Bruno Gagliasso, Letícia Spiller, Carolina Dieckamnn.

Confira algumas novelas com realismo fantástico
Saramandaia (1976)

Formigas saindo pelo nariz quando o nervosismo tomava conta, personagens que voavam e até mesmo que explodiam de tanto comer, como Dona Redonda (Wilza Carla / Vera Holtz). Saramandaia, sem dúvida, foi um clássico do gênero fantástico.

Foto reprodução internet

Roque Santeiro (1985)
Sinhozinho Malta, Viúva Porcina… Na segunda versão de Roque Santeiro, nem um nem outro personagem chamou tanta atenção quanto o professor Astromar (Rui Rezende). Nas noites de lua cheia, ele se transformava em lobisomem apavorando toda a cidade de Asa Branca, onde se passava a trama.

Tieta (1989)
Em Tieta, o realismo fantástico ficou por conta da personagem conhecida na cidade de Santana do Agreste como A mulher de branco. A assombração vagava pela cidade enfeitiçando os homens, aos quais atacava sexualmente. Encantado, eles mantinham segredo sobre a sua identidade.

Foto reprodução internet
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Pedra Sobre Pedra (1992)
Ambientada na cidade de Resplendor, a trama teve seus toques de fantasia quando um de seus vilões Cândido Alegria (Armando Bogus) se transforma em estátua. Também fez sucesso a trama de Sérgio Cabeleira (Osmar Prado) que é atraído em direção à lua cheia cada vez que ela aparece, mas o enredo fantástico de maior sucesso é o do fotógrafo Jorge Tadeu (Fabio Junior) que seduz as mulheres da cidade, e após a sua morte as atrai para que elas comam a flor afrodisíaca que brota de seu túmulo, flor essa que ele cultivava com sua urina antes de sua morte.

Foto reprodução internet

Fera Ferida (1993)
Flamel é um nome conhecido na literatura mágica. E saindo das páginas, o personagem Flamel (Edson Celulari) tinha exatamente poderes mágicos em Fera Ferida. Em busca da Pedra Filosofal, ele queria transformar qualquer metal em ouro. Com diversos experimentos, não sem muitos erros, experiências mal sucedidas, raios, trovões e muita fumaça, o dramaturgo abordou a alquimia no enredo. Era também na novela que Camila (Claudia Ohana) dormia por meses e levitava só acordando quando sentia o cheiro de estrogonofe de bacalhau, e de Orestes (Claudio Marzo) coveiro da cidade que falava com os mortos e por isso conhecia todos os segredos da população de Tubiacanga.

Foto reprodução internet

A Indomada (1997)
Em A Indomada, o gênero fantástico também esteve muito presente. A lua cheia da cidade exercia um poder sexual em Scarlet (Luiza Tomé), assim como atraía para as ruas o maníaco Cadeirudo, que atacava as mulheres da cidade. Egídio (Licurgo Aspínola) assistente da juíza era uma espécie de super-homem que ao menor sinal de perigo à sua amada Mirandinha (Betty Faria) corria para socorrê-la. Em dado momento da história, Delegado Motinha (José de Abreu) cai num buraco e vai parar no Japão.

Agora É Que São Elas (2003)
Em Agora É Que São Elas, um terremoto na cidade de São Francisco das Formigas, provocado pela falta de tratamento adequado no escoamento do curtume do prefeito Juca Tigre (Miguel Falabella), virou a cidade de cabeça pra baixo, fazendo até mesmo uma vaca voar. Juca adquiriu ainda uma doença e acabou ficando com a pele roxa.

O cenário
A cidade fictícia é a maior já construída pela emissora em sua sede. Inspirada no município mineiro de Catas Altas, ela conta com 18 mil metros quadrados, o espaço tem 38 edificações, 27 delas com interior, utilizadas pelos personagens. A responsável pela idealização do projeto cenográfico de Serro Azul foi a cenógrafa Anne Marie Bourgeois.
A profissional destaca que será possível o espectador, ao assistir à produção, ver detalhes do município interiorano de Minas Gerais. Entre diversas cenas, segundo Anne, locais cata-altenses como a Praça Monsenhor Mendes, a igreja Matriz, a Serra e o Santuário do Caraça, centro histórico, além do distrito do Morro D’Água Quente serão exibidos.

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