Numa história de 5 mil anos, a Coréia do Sul teve mil guerras, o que representa um combate a cada cinco anos. Após este período, a situação dos sul-coreanos era desastrosa, com o predomínio da fome, pobreza e das doenças que atingiam o povo.

Outra atividade da programação que divertiu os participantes foram as apresentações dos grupos que cantaram em coreano

Com sotaque marcante da sua língua mãe, Marcos Kim, 42 anos, é coreano e mora em Porto Alegre, onde é diretor da Organização Não Governamental (ONG) International Youth Fellowship (IYF – Comunhão Internacional de Jovens). Segundo ele, o país onde nasceu passou por difíceis momentos, mas conseguiu superar com algo simples e que muitos governos parecem não dar tanta prioridade como deveria.

Marcos Kim destaca que a educação emocional faz parte do currículo escola na Coréia a partir de uma lei federal

“O país Coréia do Sul tem mais de 70% do seu território cercado de montanhas, é muito frio e sem recursos naturais. A Coréia ficou totalmente destruída após as guerras e somente saiu daquela realidade com muita persistência e uma mudança radical quando investiu tudo o que tinha em educação. Somente por isso mudou”, diz Kim.

O trabalho da organização IYF está presente em 94 países para atuar no treinamento do coração dos jovens. “Estas gerações mais novas precisam ficar mais fortes para não caírem em decepções da vida e terem depressão e outras doenças. Por isso fazemos eventos de fortalecimento, com oficinas da cultura coreana e palestras de educação emocional”, aponta o diretor da ONG.

Evento proporcionou conhecimento aos estudantes, entre os quais montar comidas típicas do país e o nome dos ingredientes na língua sul-coreana

Durante a última sexta-feira, 30, a entidade esteve na Escola Sesi de Ensino Médio, e passou o dia inteiro proporcionando atividades gratuitas que visam incentivar a integração e o controle das emoções. “É importante para que eles saibam trabalhar em grupos e não apenas individualmente”, diz.
Brincadeira e diversão não faltaram aos alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio do Sesi. Os estudantes puderam aprender a língua e músicas coreanas e a partir disso participaram de apresentações em grupos para cantar em público a música Yozum no Malya. Além disso, os participantes frequentaram oficina de culinária, com o preparo de um prato com cenoura, agrião, arroz, salsicha, alga marinha e outros ingredientes.

Não faltou cultura contemporânea e histórica com aulas da escrita artística, karaokê, aula de coreano e músicas do país. Além disso, à tarde os jovens tiveram a palestra de controle emocional e a oficina da arte marcial Hapkidô, ministrada pelo Mestre Te Bo Lee, de Porto Alegre.

Eduarda e Kelly estavam orgulhosas pelo evento que organizaram

Evento foi proposto por alunas
O evento da cultura coreana que aconteceu na sexta-feira, 30, na Escola Sesi de Ensino Médio, em Montenegro, foi uma proposta que surgiu através de uma pesquisa que visava enaltecer a cultura dos sul-coreanos. As alunas Maria Eduarda Albuquerque, 16 anos, e Kelly dos Santos, 15 anos, ambas estudantes do 1º ano, destacam que o gosto por algum aspecto da Coréia do Sul é o que motivou o projeto.

Por meio de pesquisas na internet, as alunas descobriram a ONG IYF e os eventos que são realizados em escolas e outros locais. “Inicialmente o professor de Filosofia pediu pra gente participar do evento em Porto Alegre, mas pensamos melhor e resolvemos unir ao nosso trabalho a ideia de trazer as atividades para a escola”, diz Maria Eduarda.

De acordo com Kelly, a IYF propôs colaborar e trazer as oficinas ao Sesi. “É legal apresentar para os colegas o que é a cultura coreana, as ideias de formar jovens lideranças e incentivar o trabalho em equipe”, aponta Kelly dos Santos. As estudantes estão conscientes das mudanças que a educação proporcionou aos asiáticos. “Eles se tornaram uma potência mundial com investimentos educacionais e tiveram muita perseverança”, concluem.

Participando das atividades, a aluna Adriani Tainara Escher da Silva, 18 anos, aprovou a oficina de culinária e ficou surpresa com a rápida recuperação do país após a guerra. Já o professor de Filosofia, Marcelo Azevedo, destaca que a escola e os professores ficam felizes e satisfeitos com o evento, que é resultado da vontade e proposição dos próprios alunos.

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