Fotos: reprodução internet

Com estigma ainda muito forte de subcultura, o hip-hop desbrava o cenário musical, artístico e social, em constante busca por espaço. E no município que leva o título de “Cidade das Artes”, nada mais justo do que oportunizar, com intervenções, uma abertura ao rap local.

Neste domingo, 21, a Casa da Esquina promove o Rap Hour Negras Melodias, com shows de rap e música de raiz negra, como samba, rock, reggae, charme, black music e funk. O endereço é rua João Pessoa, n° 1334.

Mais do que um evento, a promoção é uma parceria do estabelecimento com a Associação de Hip-Hop de Montenegro. E, a partir da festa, a comunidade pode conhecer um pouco mais sobre a cultura musical. Essa também é a oportunidade de se integrar ao projeto que pretende montar, na periferia da cidade, mas sem local definido, um espaço de estúdio público, contento biblioteca, laboratório de informática, cinema comunitário e oficina para crianças. A iniciativa é do coletivo de jovens afrodescendentes, com integrantes na Associação.

Também por isso, a entrada no Rap Gour, que inicia às 16h, é a doação de um livro. Entre as atrações, MC Henry Adriel & Guerreiros da Perifa, que lança seu novo clipe. A apresentação fica por conta de MC Pedrão.

Novo sócio-proprietário da Casa da Esquina, Lau Graef destaca que a parceria com a Associação foi firmada há dois meses. Esse será o terceiro evento. “A ideia foi abrir para iniciativas que precisam de espaço aqui na cidade, como o rap. Temos pensado em eventos para todos os públicos e em transformar a Casa para além de um espaço de festas. Transformar em um espaço de representatividade. Agregar a cultura musical de diversos tipos”, afirma.

Retratar realidades e traficar informações
De acordo com MC Pedrão, a Associação de Hip-Hop de Montenegro conta, aproximadamente, com 400 integrantes. “Nove grupos são de rap. E temos grupos de Triunfo, apoiadores de Porto Alegre… Nós ocupamos espaços públicos e queremos firmar ainda mais parcerias para gerar emprego e renda para o pessoal. E, através dos eventos, conseguimos dar uma ajuda de custo. Não queremos nos restringir apenas a apresentações voluntárias”, destaca.

Segundo Pedrão, é importante democratizar a cultura do rap para quebrar o estigma negativo que ele tem. “Para divulgar, difundir e o pessoal conhecer o trabalho realizado. Todo o dia vencemos barreiras contra o preconceito. Mas isso se transforma em combustível para continuarmos lutando”, relata.

Com letras que prezam pela valorização da vida, conteúdos políticos e sociais, o rap é mais que um gênero musical, mas um movimento. “Ele envolve cultura, oportunidade. Através de sua linguagem, conseguimos mudar a vida das pessoas e saber o que se passa em uma comunidade ao interpretar as letras. O rap retrata a realidade de uma ‘quebrada’. E seu principal objetivo é levar informação, ou como dizemos na nossa gíria, traficar informação”, explica.

E cada conquista do movimento é comemorada – e as vitórias vêm depois de muito empenho e trabalho duro. “Nós realizamos palestras em escolas, oficina no Abrigo Menino Jesus de Praga e atingimos cerca de cinco mil crianças na comunidade. É importante agradecer todo o reconhecimento e apoio que encontramos no caminho. Essas parcerias são uma troca onde um fortalece o outro. Continuamos na luta”, conclui.

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