Como é bom chegar a uma festa e ouvir aquela seleção de músicas que você ama, não é mesmo? E na abertura de um grande show? Alguém tem que animar a galera com as melhores do estilo. Do funk ao rock and roll. Do pop ao sertanejo. Do deep house à música gospel. Todos os estilos têm aberturas para serem mixadas, ou seja, ganharem mais ritmo. São os DJs, que se divertem e, ao mesmo tempo, levam o público à loucura com as transformações que fazem em cada faixa. Ser um deles, porém, não significa apenas colocar o pen drive no computador e dar play. É preciso investimento financeiro e dedicação.

Thiago afirma que o deep house está ganhando força
foto: arquivo pessoal

E então chega um dia em que você olha para si mesmo e diz: “Quero trabalhar com música”. Foi isso que aconteceu com Thiago Dewes, 21 anos, em 2006. Ele nasceu em Portão, mas, depois de tanto tocar em festas por aqui, já se considera praticamente um montenegrino. “Trabalho com música há mais de 10 anos e, como DJ, atuo há cinco anos. Ser DJ é ter um trabalho como qualquer outro. Você deve manter atualizados tanto seus sets quanto suas performances”, compara.

Qualquer profissional tem entre seus objetivos o reconhecimento, e isso Thiago diz receber dos festeiros do Vale do Caí. “Me sinto valorizado na região. Depois de muito trabalho conquistei meu espaço para tocar nas melhores casas e festas da região. Faço, em média, 80 festas por ano. Hoje, no meu segmento de trabalho, o que mais agita as pistas é o deep house. É a estas mudanças de preferência que precisamos ficar sempre atentos”, explica.

Rodrigo é DJ há 15 anos e avisa que, para ser um, é preciso investimento financeiro e dedicação
foto: arquivo pessoal

Rodrigo Gunthner é outro conhecido entre os artistas da mixagem na região. Ele também está há um bom tempo agitando as festas­­, mas reforça que é preciso sempre se atualizar. “Trabalho há 15 anos como DJ. A rotina é um pouco diferente dos trabalhadores normais. Muitas vezes descansamos de dia para tocar à noite e, no espaço que tenho, sempre estou conectado, buscando músicas novas e estilos para sempre aprimorar o set list e empolgar ainda mais a galera”, comenta. O DJ afirma que na hora das negociações é preciso cobrar aquilo que julga necessário. “Procuro valorizar o meu trabalho. Se você esperar pelos clientes, eles sempre irão optar pelo mais barato e, com certeza, o resultado é frustrante. Não sou um DJ caro nem barato. Cobro o que acho que meu trabalho e experiência valem”, explica.

Em tempos em que milhares de estilos são disponibilizados por todos os lados, agradar 100% das pessoas em uma festa não é tão simples, mas Rodrigo cita alguns que predominam. “Hoje em dia, temos três estilos musicais que estão agitando as pistas. O sertanejo faz mais de oito anos que não sai do mercado. Em segundo lugar, que vem muito forte, é o deep house e o tech house, em que DJs como Alok, Vintage, Cat Dellers, entre outros, vêm contagiando milhares de pessoas. E, em terceiro lugar, um estilo que nunca saiu da moda, o funk, que veio com duas músicas nesse verão, “Deu onda” e ‘Explosão’”.

O início é difícil e exige investimento
O material de trabalho, a aprendizagem, as primeiras oportunidades. Nada é fácil. Nem barato. Thiago avisa a quem está se empolgando a investir que a estrada é longa e cheia de obstáculos, mas não é intransitável. “Deve se dedicar muito e, acima de tudo, ter amor pelo que faz. Equipamentos não são baratos. Mas quando se faz o que se ama, vale cada esforço. Para fazer um som bacana nas festas, o DJ precisa de um fone de qualidade, um computador bacana e o ideal é que se possua uma cdj, que é o painel onde você faz as mixagens das músicas”, comenta. Thiago optou por não divulgar os valores que investiu em seu equipamento, mas garante que foi “muito dinheiro”.
Para Rodrigo também foi complicado no começo e, por isso mesmo, ele sempre procura dar valor a tudo que aprendeu. “Não é apenas conectar um computador ou um pen drive e sair tocando como muitas pessoas pensam. Você precisa estudar, conhecer equipamentos, conhecer músicas e, o principal, conhecer a pista. Tocar é uma tarefa que exige muita experiência, afinal, na pista, você pode encontrar pessoas dos 18 anos até os 80. E aí, como agradar a todos? Como manter a pista cheia?”, reflete.

Quanto ao equipamento, Rodrigo avisa aos que pensam em iniciar carreira que desembolsar uma boa grana e se dedicar muito. “O primeiro equipamento que você deve ter é um fone de ouvido bom, que está em torno de R$ 900,00. Um ótimo computador para poder criar os seus set lists, eu indico um MacBook, que se encontra usado por uns R$ 4.000,00. Também é preciso um kit cdj Pioneer, que está na média de uns R$ 6.000,00”, detalha.

foto: arquivo pessoal

Quem vai a festas elogia o talento dos DJs
Para quem está na pista, não pode faltar música boa. Kelly Finger, 24 anos, diz que a presença desse artista é essencial. “Sem DJ não tem festa. A mesma coisa é festa sem público. Não é festa. Eles animam as pessoas. Dependendo do DJ, eles são queridos e aceitam sugestões de músicas que ainda não colocaram para tocar”, destaca.

Deixe seu comentário