Na cidade de Congonhas, está um dos principais atrativos de Minas Gerais: os Profetas de Aleijadinho

“Oh! Minas Gerais. Quem te conhece. Não esquece jamais. Oh! Minas Gerais.” A música eternizada por Tonico e Tinoco representa o exato sentimento de passar pela capital mineira e as cidades históricas desse estado. Atualmente, a escolha deste destino nas férias gera alguma apreensão por conta dos desastres ambientais registrados nas barragens de minério. Porém, ao chegar lá, você percebe que ele segue merecendo uma visita… ou várias.

A comida mineira é uma delícia, da entrada aos doces típicos

Não vá para Minas na intenção de ficar menos de uma semana. Se puder estender o passeio para, no mínimo 15 dias, melhor. Isso porque as cidades são belas, históricas, cheias de “cantinhos” agradáveis e cenários fotográficos de encher os olhos. Quando o roteiro lhe lembra que é hora de partir para o próximo destino, já bate a vontade de ficar onde está mais um pouquinho. Isso se você conseguir ver todas. No meu roteiro, realizado pelo Sesc no mês de maio, estavam Belo Horizonte, Brumadinho, Ouro Preto, Catas Altas, Mariana e Congonhas. Outras ficaram pra próxima, que, se Deus permitir, não está longe não. Como diz o mineiro… é “logo ali”.

Um atrativo se repete: a boa comida. Do pão de queijo, doce de leite, goiabada, cachaça a licores, em geral, todos são realmente fantásticos. Mas há surpresas deliciosas. Não passe pelo mercado público sem provar o pão de batata recheado com queijo canastra derretido na chapa. Inesquecível também é o pastel de angu. No almoço e no jantar, tutu de feijão, feijão tropeiro, leitão à pururuca, costelinha de porco e muito torresmo.

Também tem os “pratos diferentões”, como galinha ao molho pardo, frango com quiabo, ora-pro-nobis. Quando chega a sobremesa, você já está pra lá de satisfeito. Mas encontra espaço. A maioria dos bons restaurantes oferece um mix dos principais doces mineiros, servidos em pequenas porções no prato ou em buffet. Doces de leite, de abóbora, de mamão, de coco, figo em calda ou cristalizado, goiabada e, o melhor, tudo acompanhado de uma generosa fatia de queijo para “quebrar” o doce. A combinação é perfeita. Vamos conhecer um pouco mais da terra de Tiradentes e Aleijadinho?

Belo Horizonte
Depois de ouvir tanto a respeito das cidades históricas, conhecer a capital não parece sem graça? Só parece. Belo Horizonte é linda. O Mercado Central é ponto certo de visitação. Lá se encontra todas as delícias da terra, além do artesanato. Há também uma área polêmica, com animais vivos. O Conjunto Moderno da Pampulha, com obras projetadas por Oscar Niemeyer, também precisa estar no roteiro. Uma pena é a Igreja São Francisco de Assis estar fechada para restauro. Mas o Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile, o Iate Tênis Clube e a orla da lagoa encantam. A casa de Juscelino Kubitschek, também assinada por Niemeyer, hoje museu, é uma bela visita. Na Praça da Liberdade, as diferentes construções muito preservadas contam um pouco da história da capital mineira.

Santuário do Caraça
Localizado entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, o Santuário do Caraça surpreende. A construção do século XIX abrigou um colégio interno exclusivo para meninos. Hoje é possível, inclusive, hospedar-se lá. Ainda se faz muito turismo voltado à natureza. As cachoeiras explicam a razão.

Mariana
Assim como Brumadinho, a cidade é marcada pelos desastres ambientais e luta para superar o drama com suas raras belezas. A Praça Minas Gerais reúne, de um lado, a Casa da Câmara e Cadeia; do outro, a Catedral Basílica da Sé com o Pelourinho à frente. Ali está marcada uma das fases mais tristes da história do Brasil, quando pessoas escravizadas eram chicoteadas. A Catedral, como se repetirá em outras igrejas, é de uma beleza e grandiosidade sem tamanho. Pena que a visitação não é permitida por seu mau estado de conservação na parte interna. Em Mariana, também é possível visitar a Mina da Passagem, de onde aproximadamente 35 toneladas de ouro foram extraídas desde o século XVIII. Grande parte utilizada por Portugal para pagar sua dívida com a Inglaterra. Hoje não há ouro, mas é um passeio e tanto.

Congonhas
Conhecida como a “Cidade dos Profetas”, por conta das obras de Aleijadinho, mestre da arte barroca. A principal atração é a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, belo conjunto arquitetônico observado colina acima e cercado por seus 12 profetas esculpidos em pedra-sabão. A visita ao Museu de Congonhas é também fundamental. Com acervo de mais de 300 peças, moderno e interativo, ele conta a história de Aleijadinho e do Mestre Ataíde com leveza.

Ouro Preto
Cereja no bolo de quem visita Minas, Ouro Preto é realmente tudo o que se espera. As ladeiras com casas em estilo colonial encantam tanto quanto cansam a cada subida. Museus contam a história do Brasil. O da Inconfidência e o Casa dos Contos são parada obrigatória. As igrejas são show a parte. Você compreende as diferenças entre arte barroca e rococó, além de se deslumbrar com a quantidade de ouro e obras de arte em cada parede. Destaque para a Igreja São Francisco de Assis, construção projetada e ornamentada por Aleijadinho e com pinturas do Mestre Ataíde. E também para a Basílica de Nossa Senhora do Pilar, a segunda mais dourada do Brasil. Ouro Preto também é um destino de compras. Artesanato e pedras preciosas são bastante comercializados. Outro compromisso de quem passa por lá é curtir os botecos e cafés, que são muitos e dá vontade de entrar em todos.

Caminhando pelos jardins de Inhotim, você se depara com a proa de um navio negreiro. Dentro, tudo faz sentido

Brumadinho
Lá está o Centro de Arte Contemporânea Inhotim, considerado o maior museu a céu aberto do mundo, rota para quem gosta de curtir a natureza e também aos fãs de arte contemporânea. Os jardins parecem infinitos. E as obras abrem a mente para o novo. Destaque para as galerias Cildo Meireles e Miguel Rio Branco. Na primeira, “Desvio para o vermelho”, o público é provocado – quase sem perceber – a pensar sobre a ditadura militar. No segundo, ao caminhar em meio aos jardins, você se depara com a proa de um navio. Ao entrar, uma exposição de fotos retratando a prostituição e a violência que cercam a população negra. A relação disso com o navio negreiro é o grande questionamento.

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