Entrega das refeições ocorre, normalmente, todos os sábados

Desde 2017, um grupo voluntário de Montenegro realiza uma ação solidária semanalmente. Com alimentos doados, eles cozinham refeições e as entregam à população mais necessitada da cidade. Porém, no fim de 2019, um roubo de panelas fez com que o grupo cessasse as atividades por tempo indeterminado.
Há cerca de três semanas, o trabalho pode ser retomado com a ajuda de mais voluntários da comunidade. Diandra Lopes, 41, uma das integrantes do grupo, explica que, além de um prédio, o grupo conseguiu os utensílios necessários para dar continuidade às ações. “Uma irmã da Igreja nos cedeu o prédio juntamente com panelas e um fogão. Tudo”, festeja.

Preparo e entrega
As refeições são preparadas no bairro Germano Henke todos os sábados pelo grupo voluntário, que soma cerca de 20 mulheres. Após, são distribuídas no bairro Estação, na rua das Alamandas, pois foi lá que tudo começou. Hoje, além desse bairro, o grupo ainda passa por locais como Morro Bela Vista e travessa Steigleder. Diandra conta que, à medida que o projeto vai evoluindo, o grupo pretende aumentar o alcance das entregas para a população necessitada de outros bairros. Contudo, qualquer pessoa ou família que precise pode ir até o local de preparo da refeição solicitar a sua, na rua Porto Alegre, 160.

Quanto ao recipiente, Diandra conta que, nas últimas semanas, realizou uma campanha para arrecadar potes de sorvete vazios, usados na distribuição. “A gente resolveu entregar a sopa nos potes que conseguimos e pedir para que eles trouxessem de volta, para que continuassem servindo a quem precisa. Achamos que não ia dar certo, mas todos nos devolveram, como pedido”, conta, satisfeita. Ela comenta, ainda, que um dos parceiros vai doar baldes para ajudar na entrega. “Às vezes, a família é grande: só crianças, tem seis, por exemplo. Aí não adianta dar em um pote de sorvete”, salienta.

Diandra explica que ainda tem poucos estabelecimentos como parceiros, com os quais consegue parte dos ingredientes. A maior ajuda vem da própria população. A refeição não é sempre uma sopa. Como o grupo depende da doação de terceiros, cozinham com os ingredientes que recebem.

No local mesmo, morador aproveita sua refeição

Além de apenas alimento
Diandra explica que o grupo recebe todo tipo de doações, não apenas alimentos. Varais solidários com roupas e calçados são realizados pelos integrantes para que as pessoas possam escolher o que mais precisam e levar junto com a comida. Até roupas antigas, sem condições de uso, são bem vindas. “Graças a Deus, temos uma senhora costureira que se colocou a nossa disposição para costurar as peças e fazer cobertores. Então tudo que a gente recebe vai ser utilizado de alguma maneira”, afirma.

A voluntária explica que o trabalho é muito mais do que levar alimento ou roupas a quem precisa. “Junto com o prato de sopa, a gente leva um abraço, conforto, uma palavra de ajuda. É bom que esse pessoal saiba que tem quem olhe por eles, que não estão sozinhos. E isso, às vezes, vale mais do que o alimento em si”, salienta.

Desejo antigo e gratidão
Diandra conta que sempre teve o desejo de fazer o bem ao próximo com um projeto assim, mas sabia que, sozinha, não conseguiria. Por seu falecido marido ser político, ela reprimiu esse sentimento de querer ajudar a população por medo das críticas. “Eu sempre quis. Agora eu vejo que a opinião dos outros não importa nada. As pessoas podem achar coisas, mas eu sei da minha intenção. Meu foco é mostrar principalmente para os jovens que a gente pode ter oportunidades na vida”, pontua.

A voluntária explica que o sentimento de empatia pelo próximo pode ter nascido já na infância, pois também precisou de ajuda. “Quando criança, eu precisei ganhar muita coisa dos outros. Faço pelas outras pessoas porque já fizeram muito por mim e isso é gratificante”, afirma. Minimizar o problema de quem precisa, para Diandra, é renovador. “A gente vê que nossos problemas não são nada perto de muitos outros. Vivemos em uma situação muito melhor do que muita gente”, afirma.

No momento da entrega das refeições, presentes têm momento para reflexão

Depois do furto das panelas, no fim do ano passado, Diandra acredita que o grupo se fortaleceu. “Roubaram nossas panelas, mas ganhamos muito mais com isso. Quando Deus conhece a intenção do coração, ele ajuda. Quero que entendam que, independentemente da minha vida pública, eu continuarei fazendo isso enquanto puder”, pontua ela.

Diandra conclui que quer divulgar o projeto para pedir ajuda da população e também para prestar contas a quem contribui. “É para quem doa saber o que é feito com o que eles nos dão.”

Os interessados em participar do projeto ou auxiliar o grupo de alguma maneira podem entrar em contato diretamente com Diandra através de ligação ou via WhatsApp ao número 51 99771-0705.

Deixe seu comentário