Mateus Heckler, 29, natural de Pareci Novo, está vivendo uma experiência e tanto na Alemanha, mais precisamente em Kahla, uma pequena cidade situada no estado de Turíngia, no Centro-oeste do país. Seu sonho sempre foi conhecer o lugar, e em 2018 as portas se abriram. “Apesar do sonho, nunca passou pela minha cabeça algum dia morar aqui. Mas a oportunidade bateu na porta e eu não poderia deixar passar”, conta.

Ele diz que tudo aconteceu durante seu mestrado em Portugal. “Fiquei sabendo que no segundo semestre do meu curso eu poderia realizar um intercâmbio pela universidade. Foi aí que eu apliquei a candidatura para concorrer a uma bolsa de Erasmus”. O termo citado pode ser desconhecido para alguns brasileiros, justamente porque se trata de um programa europeu com foco na educação que disponibiliza um orçamento mensal para os estudantes terem a oportunidade de estudar e adquirir experiência em outro país.

Ele conseguiu a bolsa e está residindo na pequena cidade há dois meses. Apesar de morar em Kahla, Mateus estuda na Universidade de Jena, na cidade homônima. O intercambista conta que há vantagens em estudar lá. “Os estudantes recebem um cartão chamado “Thoska”, onde podem se deslocar para qualquer lugar dentro do Estado, de transporte público e gratuitamente”, afirma.

Kahla: uma cidade para quem não é do agito
Kahla é uma cidade com cerca de sete mil habitantes, muito calma. “Durante o dia você pode escutar o som das crianças correndo e brincando pelas praças, jovens ouvindo músicas na estação de trem e adultos bebendo cerveja depois do trabalho”, relata Mateus.

Mas a falta de agito, às vezes, se torna um problema. “É muito bem localizado, tenho acesso fácil às outras cidades, mas a cidade nunca tem uma vida agitada. É difícil encontrar pubs, bares. Assim, preciso me deslocar para as outras cidades como Jena, Weimar ou Erfurt. Outra coisa que não é muito boa é o fato de poucas pessoas falarem inglês aqui”, afirma.

Mas ele admite que não passa muito tempo na cidade. “Eu só durmo em Kahla, fico muito pouco em casa. Gosto às vezes de simplesmente pegar um trem e explorar as cidades de Turíngia. Quero aproveitar e conhecer o máximo de cidades possíveis aqui”.

Primeira hospedagem, desespero e boa recepção
Hekler conta que encontrar a primeira moradia na cidade foi quase impossível. “A única coisa que fiz antes de vir pra cá foi entrar em contato com alguns proprietários de quartos privados, mas sem sucesso, e o cadastro para concorrer a uma vaga nos alojamentos que a universidade disponibiliza”, relembra. Ele relata que teve uma surpresa não muito agradável. “Me deparei com filas enormes de estudantes tentando vagas para os dormitórios e pessoas virando a noite na frente do escritório para pegar senha e ser atendido no primeiro horário do dia. Desespero total”, sublinha. “As imobiliárias com todos os imóveis locados e a cidade superlotada de universitários procurando acomodação. Hotéis, hostel e Airbnb, todos reservados e com valores altíssimos. Imagina pagar 40 euros para apenas uma noite, sendo que o custo de um aluguel mensal aqui é de 180 a 200 euros?! O primeiro dia não tive como escapar disso”.

Mateus recorda que a universidade conta com um programa voluntário chamado “IB Mentoring-Programme”, que oferece apoio aos estudantes novos na cidade. No final de seu segundo dia lá, o estudante, sem alternativas, conheceu a amiga de trabalho de sua mentora. A moça se sensibilizou com a situação e ofereceu pousada para o Pareciense, local em que ele passou cinco dias sem pagar nada. “Fiquei muito contente com essa receptividade e grato por ter encontrado essas pessoas no meu caminho”, conta o estudante.

Das melhores culinárias da Alemanha e cerveja barata
Hekler conta que a culinária é um ponto muito forte de Kahla. “O sabor da comida não tem igual. Tem muita batata, linguiça e pão. Estive em Munique, na Bavária e realmente achei aqui melhor”, afirma ele.

Dentre os pratos mais conhecidos, Mateus cita Bratkartoffel, Bockwurst, Fleischspiess, Currywurst e sua favorita: Bratwurst mit Kraut. Ele explica que o prato com pão e salsicha ainda leva uma espécie de alho seco. “Também vai repolho, famoso “Sauerkraut”, que é o chucrute ou repolho em conserva aí no Brasil. É gostoso demais”, conta. Entre risadas, Mateus conta que nada ganha da cerveja, que inclusive, é muito barata. “A Paulaner, por exemplo, no Brasil custa mais de R$ 15,00 e aqui custa menos de 1€. Se converter dá menos de R$ 5,00”, ressalta.

Mas por que a Alemanha?
Mateus conta que essa é a pergunta que mais escuta desde que decidiu a Alemanha para o intercâmbio. Ele explica que sua família tem descendentes alemães, tanto por parte materna, quanto paterna, que migraram do país para o Brasil no século XIX. “Da mesma forma pela qual venho de uma região colonizada por alemães, onde já teve o idioma germânico como uma das principais línguas”, pontua.

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