foto: arquivo pessoal de Lukas Pacheco Brum
Lukas defenderá a sua dissertação em maio na UNB, para concluir o mestrado

O que significa Artes Visuais? Em um conceito direto, é a designação dada ao conjunto de artes que representam o mundo real ou imaginário e que têm a visão como principal forma de avaliação e apreensão. Só que, na prática, estas duas palavras têm um significado muito mais amplo na vida de quem escolhe viver neste meio. Tem gente que cultiva este “olhar artístico” desde pequeno e descobre isso na adolescência ou no início da vida adulta.

Outros afirmam ter esta intuição desde a primeira infância.

Um desses exemplos é Lukas Pacheco Brum, de 28 anos, que afirma ter nascido para vivenciar a arte. Ele é natural de São Luiz Gonzaga, porém, ao ganhar uma bolsa de estudos na Uergs, mudou-se para Montenegro e gostou da cidade. “Vim para cá em 2011, aos 22 anos, para iniciar minha graduação.

É um lugar muito bacana para se morar e já tenho muitos amigos, por isso pretendo ficar mais um tempo por aqui”, diz. Em 2014, uma nova oportunidade lhe apareceu. Lukas teve a chance de realizar seu mestrado em Brasília, na UNB. “Foi maravilhoso. A universidade é nota 10 em estrutura e a cidade é incrível”, conta. Lá, ele teve aula com o professor Dr. Bildson Dias e contato com muitos outros pesquisadores.

Lukas está ansioso pela chegada do mês de maio, quando defenderá o sua dissertação em Brasília, para que o seu mestrado seja reconhecido. O seu trabalho, “Imagens de referência: uma trama entre a cultura e a educação da cultura visual”, tratará das imagens do cotidiano. “Minha pesquisa se baseia em tudo aquilo que o olho vê e até do que não vê. Estudo em cima da interferência que a imagem do dia a dia tem sobre nossa vida”, explica.

Ele também iniciou uma especialização, à distância, em Processos e Produtos Criativos, na Universidade Federal de Goiás, em novembro do ano passado. No fim do ano, o estudante, que também faz parte do Atelier Livre da Fundarte, pretende expor alguns trabalhos ao lado de outros artistas.

Em Brasília, em um dos trabalhos que realizou, Lukas tratou de sua fé e de sua história de vida como tema principal

Desde o início na arte
Lukas afirma que se interessa por artes visuais desde o Ensino Médio, mas antes disso ele já gostava de outra intervenção artística. “Meu sonho de criança era fazer teatro. Tentei por um tempo, mas vi que não levava jeito”, conta. Ainda no Ensino Fundamental, Lukas participou de dois vídeos amadores, que foram exibidos em sua cidade natal. A experiência fez parte de sua obra teatral.

Logo depois, ele se encantou pelas Artes Visuais. “Me interesso principalmente pela perfomance, que é a interação entre objeto e artista, e de fotografar”, diz. Lukas não chegou a fazer nenhum curso especifico para fotografia, mas sempre gostou do assunto, então comprou uma câmera e passou a observar e a registrar os momentos.

Entre seus compromissos, Lukas dedica-se a pesquisas em dois grupos. Um deles com alunos da Uergs, em Montenegro, que estudam alguns textos artísticos. Outro, com o pessoal da UNB, em que estuda mais a fundo a visualidade, trabalhando em cima de expressões artísticas. Nessa longa caminhada, ele contou com o apoio de muitas pessoas, porém destaca algumas. “Uma amiga, Saleti, foi quem me mostrou as Artes Visuais lá no início.

Ela sempre me apoiou nos estudos também. Na Uergs, recebi muito apoio da professora Cristina. Foi fundamental para o meu desenvolvimento”, declara.

Lukas já apresentou seu trabalho em vários espaços na Cidade das Artes. Também fez algumas intervenções no Salão de Iniciação Cientifica e na PUC, onde foi premiado em 2013, com uma pesquisa. Depois de toda essa vivência, ele consegue descrever o que tudo isso significa. “A arte é uma forma de ver o mundo. Ela reconhece o banal, as coisas superficiais e traz vida a todas as coisas. É outro mundo”, define.

Compreendendo as imagens
De acordo com a coordenadora da graduação em Artes Visuais da Uergs Montenegro, Carmen Lúcia Capra, as Artes Visuais são as artes das imagens, que são importantes em si mesmas porque mostram a capacidade humana de criar retratos das formas mais variadas. “Elas participam de todas as relações sociais e de produção de sentido da humanidade. A imagem é fundamental junto à dimensão espiritual e religiosa, visível nos símbolos das mais diversas crenças”, comenta.

Junto à ciência, a imagem, de acordo com Carmen, ajuda a demonstrar os sistemas do nosso corpo e dos animais, das moléculas, do universo e até a prever fenômenos do futuro e remontar a outros, do passado. “No campo da cultura, a imagem é a base do cinema, da publicidade, do design, da arquitetura, mas também está na organização das coisas da casa, nas memórias pessoais e nas intervenções que fazemos no nosso corpo, como a tatuagem e o corte de cabelo”, reflete.

Trabalho em Brasília
Entre os vários trabalhos que Lukas realizou na UNB, um teve destaque, nomeado “Poética do comprimento”. Ele afirma que essa medida é como uma metáfora daquilo que é comprido, denso, grande ou do que tem uma durabilidade. ”Refere-se ao que permanece, que é resistente na vida da gente. E eu trabalho em cima da fé, crença, religião, da doutrina, que foram muito presentes na minha vida, foram muito compridas, se prolongaram”, explica.

Para essa experiência, ele afirma ter usado a sua crença, formada na Igreja Evangélica, e a sua história de vida e analisou a relação que tudo isso tem com a sua própria formação ou identidade. “Os conceitos desse trabalho são a cultura, a história de vida, a fé, a religião, no meu caso a homossexualidade, a doutrina da Igreja, os valores morais da Igreja e até a construção de um sujeito”, define.

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