Especialistas garantem que a transmissão através do papel é improvável. A chance é baixa quando se trata de embalagens de papelão e ainda menor pelo jornal. Foto: Foto: JC Oliveira / Flickr

Nossa região já ultrapassou a marca de 100 casos positivos de Covid-19. Na última semana, Montenegro registrou o primeiro óbito em decorrência do novo coronavírus no Vale do Caí. Não é novidade para ninguém que as pessoas podem ser infectadas através do ar ou ao tocar em objetos contaminados e depois levar as mãos ao rosto. Mas você sabe quanto tempo o vírus permanece nas superfícies?

Pesquisas realizadas pelas principais organizações de saúde do planeta, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o National Institute of Allergy and Infectious Diseases e o Journal of Hospital Infection, sugerem que o risco de transmissão do novo coronavírus a partir de superfícies é relativamente baixo. Segundo a OMS, “a probabilidade de uma pessoa infectada contaminar mercadorias é baixa e o risco de pegar o vírus que causa a Covid-19 de uma embalagem que foi transportada e exposta a diferentes condições e temperaturas, também é baixo”.

Sobre o tipo de superfície, estudos científicos feitos pelo National Institutes of Health (NIH), Centers for Disease Control (CDC), UCLA, e Princeton University mostram que o vírus tem maior sobrevida no plástico, onde pode ficar por até três dias, e menor sobrevida no papelão, onde permanece por algumas horas. Vale ressaltar que esse tempo é reduzido quando a superfície é exposta ao ar, com o vírus se tornando cada vez menos potente quanto mais exposto. Além disso, no caso do papel, o processo de impressão também diminui a potência de qualquer vírus.

Há quem manifeste preocupação em relação à infecção por meio de toque no papel ou em cartões. De acordo com comunicado da International News Media Association (INMA), não há casos registrados de transmissão do coronavírus através de jornais, revistas, cartas ou embalagens impressos.

Professor da Universidade Feevale e Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Fernando Spilki

Professor da Universidade Feevale e Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Fernando Spilki explica que a transmissão do vírus através do papel é muito improvável. “O experimento que se tem feito é com papel de caixa. O vírus poderia durar, após uma dose muito alta de contaminação, até 24 horas nessa superfície, mas já em uma quantidade bem baixa. Por isso, dizemos que a transmissão por papel é bastante improvável, desde que sejam tomadas as medidas de higiene por quem manipula, entrega e comercializa o material impresso”, frisa.

Fernando reitera que a chance de contágio é muito maior quando há contato entre as pessoas. Por isso, é fundamental que entregadores de materiais impressos, ou até de encomendas, pizzas e lanches, estejam usando máscara e luvas. O virologista George Lomonossoff, do John Innes Centre, no Reino Unido, reforça que as chances de infecção por contato com o papel são infinitamente menores, tendo em vista que os jornais são muito estéreis, devido à maneira como são impressos, sem contato humano, e ao processo pelo qual passam.

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