Mara Rúbia Flôres

Seja no impresso, no digital ou na rádio, o Ibiá segue levando notícias de qualidade

“A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro”, disse uma vez o famoso escritor, Gabriel Garcia Márquez. Há exatos 38 anos, o Jornal Ibiá mantém o seu compromisso com a verdade e a cobrança pelos direitos da população, com ética e responsabilidade.

Na manhã do dia 16 de março de 1983 foi posto em prática o sonho de duas jovens idealistas em Montenegro. Maria Luiza Szulczewski e Mara Rúbia Flôres, na época estudantes de Comunicação, se conheceram através de uma amiga em comum, e viram ali a oportunidade de juntar seus sonhos e transformá-los em realidade.

Maria Luiza Szulczewski

Todo o processo teve início em uma pequena sede, em uma sala de casa alugada, na Rua Coronel Antônio Inácio, no centro da cidade. A estrutura? Apenas duas mesas, duas máquinas de escrever, uma câmera fotográfica Olympus Trip, duas bicicletas e, claro, muita força de vontade.

O Ibiá tinha as suas matérias e fotos produzidas pelas duas, que também corriam atrás de assinaturas e ofereciam anúncios para o comércio local. Em duas bicicletas usadas, Maria Luiza, a Lica, e Mara atravessavam a cidade encorajadas pela receptividade que recebiam dos montenegrinos. Aquele sonho que era, de algum modo incerto, evoluiu, se transformou, se adaptou e apesar de todas as mudanças que ocorrem ao longo dos anos no Jornal Ibiá, as suas características as mesmas do início: o compromisso com a comunidade e a credibilidade junto ao público.

Há mais de três décadas o Ibiá já vivenciou ditadura, retorno à democracia, transformações econômicas e sociais, crises, e muitas mudanças na política local. Apesar disso, o Ibiá nunca parou, nem mesmo na pandemia do novo coronavírus.

Com todos os cuidados necessários, toda a equipe uniu-se para levar ao leitor todas as informações necessárias sobre a Covid-19. “A própria situação do jornal na pandemia, que foi considerado essencial, já demonstrou a importância da imprensa em geral. Esse próprio fato da nossa atividade ser considerada essencial, assim como os médicos – cada um em suas proporções – já demonstra bem a importância que tem um veículo de comunicação em uma cidade, ainda mais o Ibiá que tem 38 anos de credibilidade”, declara Lica.

Buscando combater as fake news e também colaborar com o conhecimento da população sobre a nova doença, o Jornal Ibiá criou no seu portal uma editoria exclusiva, intitulada “Coronavírus”. Desde a sua criação, há um ano atrás, já são mais de 500 matérias e reportagens sobre o assunto, todas de livre acesso aos leitores. “O Ibiá ajudou efetivamente com a informação, porque tem muitas fake news e muita política envolvida no meio, e o jornal sempre foi defensor das pessoas se cuidarem, não saírem de casa, e isso é muito importante”, afirma Mara Rúbia Flôres.

Ibiá multiplataforma
Nos anos 80 o Brasil viveu um grande período de recessão, seguido por planos econômicos que não conseguiram domar a inflação. As opções de crédito eram poucas e as taxas de juros eram de cerca de 30% ao dia. Maria Luiza relata que esse foi um dos momentos mais difíceis que o Jornal passou, por volta de cinco anos após a sua criação. “Mas nesses 38 anos não passamos nem próximo de uma crise como essa”, exclama.

A Rádio Ibiá Web deu seu grande impulso durante a campanha política de 2020. Foto: Arquivo Ibiá

Afetando a saúde, a economia e o social, a pandemia do novo coronavírus trouxe novos desafios para os empresários, que tiveram de se adaptar. Mesmo com as dificuldades, o Jornal Ibiá conseguiu crescer durante este período, aumentando a sua gama de plataformas disponíveis de informação. “A gente investiu muito em tecnologia. A rádio foi um dos investimentos que a gente fez a partir de outubro do ano passado, também para ampliar esse leque de oportunidades de onde as pessoas têm informação. Na rádio, por exemplo, a informação é totalmente gratuita”, fala Lica.

Desde o dia 13 de outubro, de segunda a sexta-feira, a população do Vale do Caí pode conferir, a partir das 12h, todas as informações atualizadas do dia, entregue através de entrevistas, prestação de serviços e canal de interatividade com os ouvintes. O objetivo desse novo meio segue diretrizes editoriais que acompanham o Ibiá ao longo dessas quase quatro décadas.

Além da rádio, o Ibiá segue no impresso e também por meio do seu Portal e redes sociais, como Facebook, Whatsapp, Instagram e Youtube. Independente de qual plataforma, a credibilidade continua a mesma. “Já faz quase 10 anos que a gente vem promovendo mudanças, justamente na parte digital. Hoje nós temos o nosso noticiário 24h por dia, a cada momento se tu quiser saber de algo, é só entrar no portal ou acessar nossas redes sociais”, comenta a diretora.

Para isso, Maria Luiza explica que muitas mudanças tiveram de ser feitas em toda a estrutura, principalmente na questão comercial. “As pessoas não estão acostumadas a anunciar ou fazer assinatura virtual. Por isso, estamos trabalhando muito para fazer essa ponte entre o impresso e os meios digitais, reforçando sempre a importância de ambas plataformas”, diz.

Hoje o Ibiá conta com um amplo investimento na produção de conteúdo digital. “Para produzir uma matéria para o impresso e para o digital o custo é o mesmo. porém, para o digital precisa ter vídeo e a plataforma precisa ser boa, além de haver planejamento quanto à linguagem utilizada para este público específico”, Afirma Lica. Por esse motivo, o Ibiá continua precisando do apoio da comunidade.

Durante a pandemia, jornalismo é considerado essencial
Considerado serviço essencial durante a pandemia, pelo Governo Federal, o jornalismo é capaz de entregar à população com mais clareza e transparência os dados de positivados, óbitos e mortes. “A gente divulga os recuperados, mas não é manchete, porque geraria uma falsa sensação de que está tudo bem. Claro que o número de recuperados é muito bom, mas tem muita gente morrendo também”, avalia Lica. Através do jornalismo local, mais especificamente, a população pode saber todo o cronograma de vacinação, a sua importância; os dados de casos nas suas cidades e até mesmo falsas informações que chegam no local através das redes sociais.

Para a enfermeira do HM, Alessandra Lisboa, o jornalismo pode ajudar na disseminação de informações corretas e auxiliar, assim, no combate à pandemia

O Jornal Ibiá presta esse serviço diariamente desde o primeiro caso confirmado no Brasil. Para a enfermeira responsável pelas Imunizações da Secretaria da Saúde de Montenegro, Nicole Ternes, o serviço da mídia tem sido essencial nesse momento. “Para que essa divulgação da campanha e de todas as demais notícias e novidades sobre o vírus chegue até a casa de cada um, sem que eles precisem vir até a rua”, afirma.

Grata pela parceria que a pasta possui com a mídia local, ela explica que o maior objetivo disto é transmitir a informação correta para a população. “Através do apoio e da parceria com o jornalismo, com a mídia, a gente consegue levar informação correta. Isso (fake news) acaba sendo um desserviço para a saúde no momento atual, com relação à campanha de vacinação da Covid, por exemplo”, diz.

Nicole conta que surgiram fake news em relação a uma escala com as datas e idades de vacinação. “Nem sei se está sendo usado em algum local, porque não é o estabelecido pelo Ministério da Saúde, então a gente conta sempre com o apoio da mídia para a gente levar essa informação as pessoas, para que elas estejam munidas com as informações corretas”. Sobre as fake news ela completa. “Antes de repassar uma notícia verifiquem a fonte, vejam se realmente condiz”, completa a responsável pelas Imunizações.

A enfermeira e coordenadora da Atenção Básica de Montenegro, Andreia Coitinho da Costa, também concorda sobre essa parceria citada por Nicole. “A imprensa local é muito importante nesse momento, porque consegue apoiar a Secretaria da Saúde a levar para a população as informações de forma segura e verdadeira”, diz. Segundo Andreia, a imprensa é fundamental no repasse de informações diárias. “Mesmo com vacina, mesmo com o tratamento precoce que está sendo disponibilizado na Tenda Covid é importante que a população tenha consciência e mantenha todos os cuidados, como a higiene das mãos, o uso continuo de mascaras, evitar aglomerações e que se desloquem dos seus domicílios em casos de extrema necessidade”, ressalta.

Enfermeira da Emergência do Hospital Montenegro 100% SUS, Alessandra Lisboa percebe o jornalismo como um meio de saber também o que está ocorrendo fora da instituição. “Pra gente (profissionais da saúde) é de extrema importância ver como está o mundo aí fora, ver a situação também do país, do mundo, todos os dias a gente precisa disso”, comenta.
Alessandra acredita que o jornalismo pode ser um agente aliado das ações da saúde. “Para mim, o jornalismo é de extrema importância, já que cabe a eles informar a população a situação atual que a gente está vivendo, passar os dados, e com certeza conscientizar as pessoas deste momento que a gente esta passando”,.

Para Débora Kunde, médica clínica atuante na linha de frente do combate ao coronavírus em Maratá, o jornalismo local é essencial nesse momento. “O jornalismo local também é muito importante no combate às fake news, alguns boatos que surgem e que eles buscam informação junto a nossa assessoria de imprensa, e a gente consegue combater as fake news com o nosso jornalismo local”, explica.

Jornalismo local garantindo a identidade da comunidade
Segundo a pesquisa Atlas da Notícia de 2020, cerca de 34 milhões de brasileiros não possui acesso a qualquer informação jornalística sobre o lugar onde vivem. Eles fazem parte da população de 3.280 municípios que são considerados desertos de notícias. A cada dez municípios do País, seis se encontram nessa situação.

Iniciativa anual do Projor patrocinada desde 2018 pelo Facebook Journalism Project (FJP) em em parceria institucional com a Abraji e Intercom, a pesquisa é o maior e mais completo levantamento sobre a presença do jornalismo local no País. A quarta edição contou com a colaboração de 219 voluntários de 74 organizações, como escolas de jornalismo.

A redação do Jornal Ibiá se divide para passar as informações mais importantes de toda região

Em 2020, o Atlas da Notícia mapeou 13.092 veículos jornalísticos em atividade. Além disso, de acordo com o levantamento, 272 veículos fecharam e foram incorporados à base 1.170 novos veículos nativos digitais, a maior parte deles na região Nordeste do País. O registro desses novos meios digitais levou à redução do número de desertos em cerca de 5,9% em relação à terceira edição da pesquisa.

O Jornal Ibiá é considerado referência para muitas cidades do Vale do Caí que não possuem um veículo de informação próprio. Para o presidente do CIS-Caí, Marco Aurélio Eckert, em cidades como Salvador do Sul, no qual é prefeito, o jornalismo local é essencial. “É a garantia dos moradores de nossa região serem pauta, terem suas demandas reconhecidas e publicadas, e mais do que isso, o reconhecimento da identidade desse povo e a promoção do seu desenvolvimento social e econômico”, considera.

Para Eckert, “em tempos de pandemia, onde estamos mais sensíveis e preocupados com a saúde dos nossos familiares, amigos e a nossa própria saúde, por uma questão de sobrevivência e de empatia, a informação com profissionalismo é mais do que relevante, é vital”. “Também considero de suma importância o papel da imprensa para orientar e divulgar informações sobre prevenção, decretos, vacinações dos grupos prioritários e até o andamento correto das tratativas de compra das vacinas pelos municípios por meio dos consórcios”, fala.

O prefeito de Salvador do Sul relata que, como chefe do Executivo, sempre deu muito valor à divulgação da informação como forma de transparência e legitimidade das ações desenvolvidas no meio público. “E isso passa pela parceria sempre honesta com os comunicadores, que, ao escolher uma profissão tão importante e relevante em uma sociedade democrática, precisam atuar diariamente com ética, e ganham assim a confiança de seus leitores”, completa.

O presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Maneco Hassen, também demonstra a sua confiança no atual papel do jornalismo local. “A imprensa nessa pandemia tem tido pra além do papel que sempre teve, mas de muita eficácia e muita ajuda, o combate às fake news que infelizmente aparecessem a todo momento”, descreve.

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