Incêndios em áreas de mata geram inúmeros prejuízos ao meio ambiente. Foto: arquivo jornal ibiá

Frequentemente, o Morro São João é “alvo” de queimadas em Montenegro. Às vezes, o incêndio é causado por algum cigarro descartado, de maneira acidental, mas na maioria dos casos, a queima de resíduos em áreas de mata no município é realizada de forma intencional. De qualquer forma, esses incêndios, mesmo que sejam de pequeno porte, causam inúmeros estragos ao meio ambiente.

Vale lembrar que, de acordo com o Código Municipal de Meio Ambiente de Montenegro (Lei n° 4.293/2005) é proibida a queima ao ar livre de resíduos sólidos domésticos, resíduos tóxicos ou líquidos, exceto, mediante a autorização prévia da Secretaria de Meio ambiente, assim como a queima de borracha, de resíduos de couro, plásticos e de assemelhados em qualquer logradouro do município.

Dra. Elisa Kerber Schoenell, gestora ambiental. Foto: arquivo pessoal

Além disso, também é proibido, por lei, o uso do fogo ou queimadas nas florestas e demais formas de vegetação natural, exceto para controle ou erradicação de pragas, e mesmo assim somente com expressa autorização dos órgãos municipais, de meio ambiente ou agricultura. “Esse rigor não se justifica por preciosismo das autoridades, mas pelo fato de que, além de causar sérios riscos físicos, à saúde e integridade humana, as queimadas são uma ameaça à fauna e flora”, relata o biólogo Rafael Altenhofen.

Ele ainda observa que a vegetação, dependendo da periodicidade e da intensidade dos incêndios, pode ser permanentemente afetada, na medida em que se perdem não apenas árvores (quando morrem), mas também populações inteiras de espécies, principalmente as mais frágeis. “Pode levar décadas para voltar à situação original de antes da queimada”, complementa o biólogo.

Os incêndios em áreas de mata também afetam muitas espécies animais, não apenas pelo fogo direto, que mata principalmente as espécies que possuem menor velocidade de deslocamento – que ficam encurraladas pelo fogo, ou filhotes em ninhos durante os meses de primavera e verão –, mas também pelos efeitos indiretos relacionados às queimadas. “Há casos em que os animais são expulsos de seus ambientes e ‘empurrados’ para as áreas urbanas. Além disso, o que é pior e menos perceptível muitas vezes: morrem de fome por não terem mais alimentos disponíveis”, frisa Altenhofen.

O biólogo ainda constata que essas queimadas afetam a cobertura e camada superior do solo, eliminando a matéria orgânica, o banco de sementes ali depositado (que proporcionaria uma recuperação mais rápida da vegetação) e a fauna edáfica –pequenos organismos e microrganismos do solo, responsáveis pela ciclagem de nutrientes e manutenção da vida nele.

Assim, alteram até mesmo a composição e estrutura desse solo, podendo abrir caminho para processos erosivos, que além de retirarem o que porventura resta da camada fértil do solo quando as chuvas chegarem, ainda reduzem a capacidade de absorção de água, contribuem com assoreamento de arroios e rios, além de aumentarem o risco de enxurradas e da falta de água nos meses mais secos.

Reciclagem de resíduos é alternativa

A gestora ambiental Elisa Kerber Schoenell alerta para os impactos negativos que a queima de resíduos resulta ao meio ambiente. “Esses incêndios aumentam a poluição atmosférica, a qual gera efeitos negativos sobre a saúde humana, sobre a biodiversidade e sobre as condições climáticas do planeta. Anualmente, milhões de pessoas são afetadas por esses poluentes, causando grandes prejuízos econômicos e sendo considerada a principal causa de morte por doença não infecciosa no mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (2016)”, reforça.

Uma alternativa para minimizar a queima de resíduos é a reciclagem, sugere Elisa. “Ao serem queimados, os resíduos geram outros impactos ambientais negativos, como a necessidade de extração de matéria-prima para a fabricação de novos produtos. Por isso, é importante destacar que muitos resíduos podem ser reciclados. Além disso, a queima diminui a renda de famílias que trabalham com a venda de resíduos recicláveis”, acrescenta a gestora ambiental.

Vale salientar que, para a queima controlada, é necessário licenciamento ambiental e um tratamento dos gases gerados, por exemplo, com uso de filtro de manga e lavador de gases.

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