Mustafa mudou-se para Montenegro neste ano e ainda se acostuma à realidade mais pacata da cidade

Neste ano, conhecemos Mustafa Sylla, jovem que, mesmo enfrentando preconceito, se destacou profissionalmente

Um dos personagens que passou pelas páginas do Jornal Ibiá neste 2018 chamou a atenção de muita gente. Em uma das matérias mais compartilhadas do ano, contamos a história do senegalês Mustafa Sylla que, contrariando as expectativas e o preconceito, é gerente de loja de vestuário em Montenegro. E foi em 2018 que, após uma temporada em Caxias, ele chegou na Cidade das Artes para gerenciar a empresa de um amigo.

Em meio à correria do período natalino do comércio montenegrino, o jovem imigrante, de 24 anos de idade, voltou a falar com a reportagem. Ao ler a matéria sobre sua história, ele conta que o texto contribuiu para quebrar algumas barreiras. “Tive retorno de pessoas que me elogiaram e me fizeram feliz com palavras amigas”, confidencia. Nas redes sociais do Ibiá, também foram muitas as congratulações por sua trajetória.

Na época, Mustafa contou dos olhares recebidos no posto de gerente, em expressões que escancaravam um ‘como é que ele chega num cargo desses?’. Estudado e fluente em árabe, francês e inglês, o preconceito segue uma infeliz rotina em sua vida. “Eu acho muito triste de as pessoas duvidarem da capacidade dos imigrantes por não serem do Brasil. Todo mundo merece uma chance e alguns precisam sair daqui porque não conseguem oportunidades”, coloca.

“Somos todos iguais. Todos nós temos os mesmos direitos. O que muda se as pessoas são bem ou mal vestidas? Se são brancas ou pardas? Não muda nada! Ninguém sabe o dia de amanhã ou de quem vai precisar”, reflete. O senegalês destaca que ninguém tem moradia fixa nessa terra. “Somos todos imigrantes!”.

Ainda se acostumando com as características de Montenegro – com os horários restritos do comércio e o trânsito “estressado” da cidade – Mustafá criou uma boa rede de amigos. A humildade e a gentileza são características marcantes do rapaz. Para 2019, além da prosperidade da loja em que trabalha, o principal desejo é tirar um tempo para voltar ao Senegal. “Se Deus quiser, eu quero visitar a minha família”, conta.

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