A primeira sede do Jornal Ibiá foi uma sala de casa alugada, na Rua Coronel Antônio Inácio

O sucesso de uma empresa pode ser medido de diversas formas: pela longevidade, pelo número de funcionários, através do faturamento, por meio da carteira de clientes e pelo alcance de seus produtos. No entanto, é nas transformações positivas que ela produz que reside a sua essência, a verdadeira razão de ser. Vale para indústrias, para lojas e também para prestadores de serviços. E vale para jornais, como o Ibiá, que hoje completa 37 anos ao lado da população de Montenegro e do Vale do Caí.

Na apresentação, na periodicidade e nos meios disponíveis para a produção, não tem como comparar o jornal que chegava à casa dos montenegrinos pela primeira vez naquela manhã de 16 de março de 1983 com o que circula hoje. Contudo, se o leitor for atento, vai notar que existem características de DNA que se mantêm. O Ibiá continua sendo o jornal da comunidade, que dá vez e voz a todos, independente da condição social, do credo e da cor. E, a cada dia, cobra melhorias em nome da população, muitas vezes conseguindo a solução de problemas que as autoridades não enxergam a “olho nu”.

Maria Luiza lembra dos desafios enfrentados no começo e define o apoio da população como essencial para superar cada dificuldade

Quando começaram a sonhar com a instalação de um jornal em Montenegro, as então estudantes de Comunicação da Unisinos, Maria Luiza Szulczewski e Mara Rúbia Flôres, queriam exatamente isso. No início, parecia uma empreitada meio “quixotesca”. A cidade já tinha um jornal de tradição e ambas estavam bem empregadas, o que normalmente desencoraja uma “aventura” dessas. Maria Luiza era tesoureira de um banco e Mara trabalhava na área comercial de uma indústria calçadista. Na troca do certo pelo duvidoso, falou mais alto a opção consciente pela comunicação como um ideal de vida para as duas.

Os primeiros passos foram trôpegos. A estrutura do novo empreendimento era uma sala alugada com duas mesas, duas máquinas de escrever, uma câmera fotográfica Olympus Trip e duas bicicletas. As duas escreviam as matérias, faziam as fotos, vendiam anúncios e assinaturas e, depois, realizavam a entrega a bordo de bicicletas usadas. A energia para lidar com as adversidades vinha da própria população, que incentivava a dupla a tocar o negócio porque sentia que estavam fazendo algo diferente e de valor.

Quando olha para trás, Maria Luiza, a Lica, não esconde o orgulho da construção, mas pondera que a maioria das empresas nasce assim, a partir de um sonho que é transformado em realidade com muito esforço e sacrifício. “Eu já tinha trabalhado em jornais da cidade como colunista e como repórter, mas quando fui para a universidade, a ideia era cursar Letras. Só que o curso era diurno e eu precisava trabalhar. O Jornalismo era o que mais se aproximava e virou uma paixão”, recorda.

Mara Rúbia já tinha na Comunicação um projeto de futuro, mas na área de relações públicas. Para ela, trabalhar em outro segmento foi a alternativa para financiar o projeto. “A gente se conheceu através de uma amiga em comum. Depois convidei a Lica para um retiro da Pastoral da Unisinos e a amizade foi se consolidando. E aí começamos a pensar na criação de um jornal em Montenegro”, revela.

Mara Rúbia destaca a responsabilidade dos jornalistas na checagem das informações e na busca das diversas versões dos fatos

Informação em todos os suportes
Se a falta de estrutura já era um problema, a macroeconomia tornava as coisas ainda mais difíceis. O Brasil viveu, nos anos 80, um longo período de recessão, seguido por planos econômicos que não conseguiram domar a inflação. As opções de crédito eram poucas e as taxas de juros proibitivas. Neste cenário, somente em 1986 foi possível adquirir o primeiro equipamento de computação gráfica. Mesmo assim, o processo era extremamente artesanal.

Os textos eram impressos, recortados e colados em folhas do tamanho do jornal. A produção dos títulos era feita letra por letra. Depois de reveladas as fotos e “montadas” as páginas, tudo era enviado para Lajeado e, mais tarde, a Venâncio Aires, para impressão. Os malotes eram entregues na Rodoviária e seguiam de ônibus. Na madrugada, um motorista ia buscar os jornais prontos para distribuição, que às vezes levava quase o dia inteiro. O Ibiá circulava somente às quartas-feiras.

Passados 37 anos, a empresa tem em torno de 35 colaboradores, o jornal circula cinco dias por semana na versão impressa e as matérias são divulgadas praticamente em tempo real no portal e nas redes sociais. As dificuldades, segundo Maria Luiza e Mara Rúbia, hoje são outras. A informação precisa chegar ao público da forma como ele a prefere. “Nós vamos continuar investindo no produto impresso, porque entendemos que ele tem ainda um grande público. Ao mesmo tempo, seguiremos aperfeiçoando as plataformas digitais, porque também existe mercado para a informação on line”, aponta Maria Luiza.

Mara acrescenta que o compromisso do Ibiá é com a informação correta, checada e independente, tanto no papel quanto na internet. “Passar informação qualquer um pode. Mas é no jornal, em todos os seus formatos, que o leitor vai encontrar uma apresentação fiel da realidade e variados pontos de vista. E isso ocorre porque tem profissionais qualificados para apurar e conferir e, principalmente, compromisso ético com o público”, ressalta.

Informação tem valor
Em tempos de comunicação a cada dia mais digital, mais rápida e em todos os lugares, a informação parece ter se multiplicado. Ela surge em todas as plataformas quase que ao mesmo tempo. A certeza de que se está lendo uma notícia baseada na apuração profissional de dados e não um boato qualquer vem da fonte. “Quando se trata de informação com credibilidade, por trás de uma postagem existe uma equipe profissional. É diferente de quem coloca uma informação qualquer, sem checagem jornalística, numa rede social”, detalha a diretora do Ibiá, Mara Rúbia Flores. As fontes confiáveis atuam com jornalismo profissional, com uma equipe capacitada.

E é para arcar com os custos desta operação que o Ibiá e todos os demais veículos de imprensa sérios estão fechando seus sites através do chamado “paywall” e permitindo que apenas os assinantes tenham acesso ao conteúdo total. “É assim para valorizar o assinante, garantir a sustentabilidade do veículo e manter a qualidade da informação”, explica Mara Rúbia. Quando se sabe a fonte, é possível questionar uma informação. Algo que, sem saber a origem, torna-se impossível. “Quando um veículo sério de imprensa, seja o Ibiá ou outro, comete um erro, ele o assume e corrige. É um compromisso dele com o seu leitor. Na internet, vê-se muitos erros involuntários e também aqueles em que, por trás do suposto erro, existe um objetivo. E em nenhum dos casos a informação é corrigida. Ela permanece errada”, ressalta a diretora do Ibiá.

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