Maria Luiza Szulczewski e Mara Rúbia Flôres

O sucesso de uma empresa pode ser medido de diversas formas: a longevidade, pelo número de­­­ funcionários, através do faturamento, por meio da carteira de clientes e pelo alcance de seus produtos. No entanto, é nas transformações positivas que ela produz que reside a sua essência, a verdadeira razão de ser. Vale para indústrias, para lojas e também para prestadores de serviços. E vale para jornais, como o Ibiá, que hoje completa 36 anos ao lado da população de Montenegro e do Vale do Caí.

Na apresentação, na periodicidade e nos meios disponíveis para a produção, não tem como comparar o jornal que chegava à casa dos montenegrinos pela primeira vez naquela manhã de 16 de março de 1983 com o que circula hoje. Contudo, se o leitor for atento, vai notar que existem características de DNA que se mantêm. O Ibiá continua sendo o jornal da comunidade, que dá vez e voz a todos, independente da condição social, do credo e da cor. E, a cada dia, cobra melhorias em nome da população, muitas vezes conseguindo a solução de problemas que as autoridades não enxergam a “olho nu”.

Quando começaram a sonhar com a instalação de um jornal em Montenegro, as então estudantes de Comunicação da Unisinos, Maria Luiza Szulczewski e Mara Rúbia Flôres, queriam exatamente isso. No início, parecia uma empreitada meio “quixotesca”. A cidade já tinha um jornal de tradição e ambas estavam bem empregadas, o que normalmente desencoraja uma “aventura” dessas. Maria Luiza era tesoureira de um banco e Mara trabalhava na área comercial de uma indústria calçadista. Na troca do certo pelo duvidoso, falou mais alto a opção consciente pela comunicação como um ideal de vida para as duas.

Os primeiros passos foram trôpegos. A estrutura do novo empreendimento era uma sala alugada com duas mesas, duas máquinas de escrever, uma câmera fotográfica Olympus Trip e duas bicicletas. As duas escreviam as matérias, faziam as fotos, vendiam anúncios e assinaturas e, depois, realizavam a entrega a bordo de duas bicicletas usadas. A energia para lidar com as adversidades vinha da própria população, que incentivava a dupla a tocar o negócio porque sentia que estavam fazendo algo diferente e de valor.

Quando olha para trás, Maria Luiza, a Lica, não esconde o orgulho da construção, mas pondera que a maioria das empresas nasce assim, a partir de um sonho que é transformado em realidade com muito esforço e sacrifício. “Eu já tinha trabalhado em jornais da cidade como colunista e como repórter, mas quando fui para a universidade, a ideia era cursar Letras. Só que o curso era diurno e eu precisava trabalhar. O Jornalismo era o que mais se aproximava e virou uma paixão”, recorda.
Mara Rúbia já tinha na Comunicação um projeto de futuro, mas na área de relações públicas. Para ela, trabalhar em outro segmento foi a alternativa para financiar o projeto. “A gente se conheceu através de uma amiga em comum. Depois convidei a Lica para um retiro da Pastoral da Unisinos e a amizade foi se consolidando. E aí começamos a pensar na criação de um jornal em Montenegro”, revela.

Informação em todos os suportes
Se a falta de estrutura já era um problema, a macroeconomia tornava as coisas ainda mais difíceis. O Brasil viveu, nos anos 80, um longo período de recessão, seguido por planos econômicos que não conseguiram domar a inflação. As opções de crédito eram poucas e as taxas de juros proibitivas. Neste cenário, somente em 1986 foi possível adquirir o primeiro equipamento de computação gráfica. Mesmo assim, o processo era extremamente artesanal.

Os textos eram impressos, recortados e colados em folhas do tamanho do jornal. A produção dos títulos era feita letra por letra. Depois de reveladas as fotos e “montadas” as páginas, tudo era enviado para Lajeado e, mais tarde, a Venâncio Aires, para impressão. Os malotes eram entregues na Rodoviária e seguiam de ônibus. Na madrugada, um motorista ia buscar os jornais prontos para distribuição, que às vezes levava quase o dia inteiro. O Ibiá circulava somente às quartas-feiras.

Três décadas e meia depois, a empresa tem em torno de 40 colaboradores, o jornal circula cinco dias por semana na versão impressa e as matérias são divulgadas praticamente em tempo real no portal e nas redes sociais. As dificuldades, segundo Maria Luiza e Mara Rúbia, hoje são outras. A informação precisa chegar ao público da forma como ele a prefere. “Nós vamos continuar investindo no produto impresso, porque entendemos que ele tem ainda um grande público. Inclusive, estamos alterando o sistema de impressão para qualificá-la e estender as cores a todas as páginas. Ao mesmo tempo, seguiremos aperfeiçoando as plataformas digitais, porque também existe mercado para a informação on line”, aponta Maria Luiza.

Mara acrescenta que o compromisso do Ibiá é com a informação correta, checada e independente, tanto no papel quanto na internet. “Passar informação qualquer um pode. Mas é no jornal, em todos os seus formatos, que o leitor vai encontrar uma apresentação fiel da realidade e variados pontos de vista. E isso ocorre porque tem profissionais qualificados para apurar e conferir e, principalmente, compromisso ético com o público”, ressalta.
A produção de um jornal é uma atividade completamente diferente de qualquer outra. Para explicar os processos envolvidos e o papel de cada profissional, selecionamos histórias contadas por alguns colegas que permitem avaliar a dimensão dessa experiência.

Jocelaine Silva Martins está na empresa desde 1992

Da revistinha da Avon à assinatura online do Ibiá
Natural de Júlio de Castilhos, na região Central do Estado, Jocelaine Silva Martins foi admitida no Ibiá em 1992, poucos meses depois de se mudar para Montenegro. O primeiro trabalho foi a venda e a renovação de assinaturas, tarefa que, na época, era feita de casa em casa, a pé. Como não conhecia a cidade, a vendedora foi orientada a começar pelo Centro.

Logo cedo, Jô recebia uma lista impressa, com nomes e endereços. Era a largada de uma jornada que só terminava no final da tarde, depois de visitar mais de 30 clientes. “Nessa época, não havia a facilidade dos cartões de crédito e nem todos lidavam com cheques. Muitas pessoas pagavam em dinheiro e, ainda que os valores não fossem tão altos, chegava ao fim do turno com um bolo de cédulas. Hoje isso seria impossível”, explica.
De fato, nos anos, 90, a violência era uma praga restrita aos grandes centros. Mesmo mais tarde, quando ela passou a fazer seus roteiros a bordo de uma bicicleta, já pelos bairros e vilas, também não havia um cuidado maior, por exemplo, com o uso de cadeados. “Eu não tinha medo”, recorda Jocelaine.

Dessa época, sobram excelentes recordações. Muitos clientes se tornaram amigos. “Conheci muita gente e muitos lugares”, comenta Jô. A venda, para ela, é algo natural desde a adolescência, quando ganhava uns trocos comercializando cosméticos e outros produtos através de revistas da Avon e da Hermes. A habilidade de se comunicar e a chance de fazer o próprio salário, graças às comissões, resultaram numa carreira de sucesso e sonhos realizados.

Depois de uma rápida passagem pela recepção do jornal, em 1995, Jô foi promovida a supervisora e, em 1997, a gerente de Circulação, quando assumiu também o controle da entrega do jornal. “Sempre aproveitei as oportunidades que tive e me orgulho de ter aprendido e crescido como ser humano junto com o Ibiá. Só tenho a agradecer”, afirma.

Convidada a comparar o momento atual com o de 27 anos atrás, a gerente diz que a vida era mais simples, a cidade mais segura e a pessoas mais acessíveis. Ela também destaca a união e a amizade da equipe. “Quando o grupo ainda era menor, independente dos setores, todo mundo pegava junto, por exemplo, para compensar problemas na entrega. Repórteres, o pessoal da área comercial e até a direção participavam dos mutirões e iam para os bairros entregar o jornal”, recorda.

Sobre o futuro do jornalismo, Jocelaine ressalta que a empresa sempre acompanhou as tendências do mercado, lançando produtos e serviços, ampliando a periodicidade e inovando. “Hoje o leitor pode escolher se quer ler o Ibiá no papel ou no tablet. Temos variados tipos de assinaturas para atender as necessidades de informação de todos os públicos”, sublinha. “Eu acredito muito no produto jornal e tenho certeza de que as pessoas vão valorizá-lo cada vez mais”, conclui.

Alexandre tinha apenas 14 anos quando ingressou na empresa para, entre outras atividades, entregar jornal

Funcionário mais antigo, o “faz-tudo” virou gerente
Entregar jornais, fazer cobranças, ajudar a revelar fotos e a imprimir títulos eram apenas algumas tarefas do “faz-tudo” Alexandre Röder em março de 1988, quando ele foi incorporado à então pequena equipe do Jornal Ibiá. Na época, o guri tinha apenas 14 anos e morava com a vó. Funcionário mais antigo da empresa, com quase 31 anos de casa, ele recorda das dificuldades iniciais até com certa nostalgia.

Não é saudade dos problemas, mas de um tempo em que a vida parecia mais simples. “Para se ter uma ideia de como tudo era diferente, basta dizer que os títulos das matérias eram feitos numa máquina especial, letra por letra, e cada letra levava três segundos de jogo de luz para ficar pronta. Depois, elas passavam pelo mesmo processo de revelação de uma foto”, conta.

O jornal circulava uma vez por semana, às quartas-feiras, e chegava à cidade de ônibus, por volta das 8h30. A distribuição ocorria a bordo de bicicletas e normalmente acabava somente no meio da tarde. “Parece que o tempo tinha outro ritmo. O leitor considerava normal receber uma informação da semana anterior. Hoje, o fato acontece e, minutos depois, está no portal”, compara Alexandre.

Depois de concluir um curso técnico em Eletrotécnica e outro em Administração, Röder optou pela segunda área ao ingressar na universidade. Dentro da empresa, foi assumindo novas e maiores responsabilidades, até se tornar gerente administrativo, em 1997. O Ibiá cresceu, criou musculatura, adquiriu sede própria (depois ampliada), montou seu próprio parque gráfico e virou diário. “É um orgulho ter participado de tudo isso”, afirma Alexandre, lembrando que os desafios vão se renovando, assim como a vontade de superá-los.

Dos tempos de entrega, Xande guarda a lembrança de uma mordida de cachorro e de um susto. “Lá nos anos 90, eu costumava ir a Venâncio Aires buscar o jornal durante a madrugada e, numa noite de forte serração, cochilei ao volante. Bem em cima da ponte sobre o Rio Jacuí, quase entrei na traseira de um caminhão”, explica. Nessas viagens, também era comum se deparar com vacas na pista da RSC-287. Todos estes episódios formaram um motorista mais atento e cuidadoso.

No dia a dia a da empresa, entre as muitas vitórias festejadas, também ocorreram situações que não deixarão saudades. Uma delas foi um temporal, em setembro de 2008, quando o vento arrancou parte do telhado do prédio, provocando enorme prejuízo. Outra foi o capotamento de um carro do jornal em Muda Boi, que resultou em perda total. “Felizmente, o motorista não sofreu sequer um arranhão”, festeja.

Mais recentemente, em 1º de janeiro deste ano, o assalto a uma colega da redação, em que outro carro foi levado, também foi um episódio bastante traumático. “Graças a Deus, ela não foi ferida”, comemora Alexandre.

Paulo trabalhou primeiro na venda de assinaturas. Hoje, está no Comercial

“Os clientes sempre têm algo para nos ensinar”
Outro veterano no time do Ibiá é Paulo Barbosa, que atualmente trabalha na área comercial, mas quando ingressou na empresa, em 1º de abril de 1996, vendia assinaturas. Antes de ir para o setor em que está agora, também foi supervisor de entrega. Nessas múltiplas tarefas, o que mais o atraiu sempre foi o contato direto com o público.

Em geral, diz ele, as pessoas são muito receptivas. “Sempre gostei muito de conversar, de fazer amizades, de ouvir e de aprender”, inicia Barbosa. Nesses quase 23 anos de trabalho, ele aprendeu muito, com públicos dos mais variados segmentos, do mais humilde morador de um bairro até o empresário bem sucedido, dono de um grande negócio. “E todos, absolutamente todos, têm muito a ensinar”, assegura.

A identificação do vendedor com a empresa é tanta que Ibiá acabou se tornando uma espécie de sobrenome para “Paulinho”, como muitos o chamam. “Cansei de chegar nas casas para oferecer assinaturas e as pessoas me convidarem para entrar, tomar chimarrão, comer bolo e até almoçar”, revela. Alguns clientes se tornaram amigos, o que deixa o profissional orgulhoso, por saber que essa condição é fruto de uma relação de respeito mútuo e de troca.

Sobre as vantagens da profissão, Barbosa cita a liberdade de estar na rua e a oportunidade de aprender sempre. Ele acredita que, apesar de muita gente prever o fim do jornalismo como é conhecido hoje, o que vai ocorrer é justamente o contrário. “Hoje, a internet, principalmente, espalha muita notícia falsa. O leitor acaba confiando ainda mais no jornal porque sabe que tudo é apurado primeiro”, constata. Além disso, afirma que essa credibilidade ajuda o empresário a vender os produtos que anuncia.

Desviando dos buracos e da violência
Os cabelos brancos denunciam: João Batista da Silva não é mais guri. Porém, aos 50 anos, ele tem o fôlego e a disposição que muitas vezes falta até mesmo aos mais bem nutridos adolescentes. Todos os dias, pilotando sua moto, ele enfrenta as estradas de madrugada para entregar centenas de jornais. Aos riscos do trânsito, somam-se a violência e o tempo ruim. Chuva e frio intenso exigem uma dose extra de coragem para abandonar a cama.

Felizmente, isso não é problema para o entregador, que entrou “nessa vida” em 2003, depois de ver um anúncio no próprio Ibiá. “Na época, eu trabalhava em serigrafia, dirigia uma van escolar e via no trabalho noturno a chance de ganhar um dinheiro a mais”, recorda. João assumiu um roteiro extremamente difícil: as sedes de Brochier e Maratá e suas localidades na zona rural. Barro e buracos viraram companheiros de jornada. “A vantagem é que sempre fui trilheiro, então não tenho maior problema com isso”, explica.

João Batista já sofreu algumas quedas e até quebrou o pé direito depois de sair da estrada ao desviar de um carro, na localidade de Esperança. Mas é a violência que mais assusta. As histórias são várias e algumas marcaram. Em 2005, o entregador sofreu uma tentativa de assalto. “Eu estava na RSC-287 e uma dupla de moto passou por mim. A atitude deles foi suspeita. Resolvi entrar numa propriedade à beira da estrada e me escondi. Passou um tempinho e eles voltaram, procurando por mim. Acho que iam me esperar mais adiante e me obrigar a parar para levar a moto”, deduz.

Há cerca de um ano, na estrada de Muda Boi, foi por pouco. “Um rapaz de moto, indo para o serviço, seguia um pouco à minha frente e foi abordado. Levaram a moto dele. Por alguns minutos, provavelmente teria sido a minha”, comenta João.

Nessa rotina de 16 anos, o entregador também testemunhou diversos acidentes. Em 2008, foi o primeiro a chegar ao local de uma colisão, próximo a Brochier, em que um motoqueiro – como ele – perdeu a vida. Embora situações assim sempre sejam traumáticas, João Batista não se impressiona. A liberdade do trabalho nas ruas e o horário reduzido compensam os riscos. “Perigo tem em todas as profissões”, avalia.

Antônio dá segurança à equipe nas áreas de software e hardware

“A dependência das máquinas vai crescer muito”
O computador não liga! Chama o Antônio. O programa não abre! O Antônio resolve. A rede tá lenta! Fala com o Antônio. É assim o dia inteiro não só na redação, mas em todos os setores da empresa. E o tal Antônio, mago da tecnologia que tem a cura para quase todas as doenças de hardware e software, é o… Antônio Gonçalves de Oliveira Junior, de 34 anos. Graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, exerce a função de assistente de informática desde 2 de janeiro de 2015.

Inicialmente um autodidata na área em que atua, Antônio é um daqueles profissionais que se apaixonou pelo trabalho. Logo que chegou à empresa, fez um completo inventário de tudo que o Ibiá possuía em termos de máquinas e equipamentos, ao mesmo tempo em que começou a caçar os vírus menos perigosos que infestavam os computadores. As barreiras eram frágeis e, em 2017, o jornal sofreu dois ataques. No primeiro, perdeu praticamente todo o acervo de páginas e anúncios prontos e, no segundo, um incontável número de imagens do arquivo fotográfico.

“Foram momentos de grande tensão. O vírus era um Ramson Ware, que criptografa os arquivos e programas, inutilizando seu uso completamente”, recorda. A solução foi a substituição do servidor e a instalação de um novo e moderno sistema antihacker, que exigiu pesados investimentos da empresa.

Como bom nerd, Antônio é um entusiasta da fusão homem/máquina e acredita que a dependência do ser humano em relação à tecnologia vai crescer muito mais. E onde fica o jornalismo nessa nova realidade? Para ele, num espaço cada vez mais destacado na rotina da população. “A cada dia que passa, as pessoas têm acesso a um volume maior de informações, mas está cada vez mais difícil diferenciar o que é verdade daquilo que é fake news. Os jornais cumprem essa insubstituível tarefa de averiguar, de checar e de separar e isso será cada vez mais importante”, prevê.

Clarice também tem excelente desenvoltura diante das câmeras

Aprendendo a lidar com a morte
A repórter Clarice Almeida chegou à redação do Ibiá em 22 de novembro de 2017. Ela já tinha algumas experiências na área, mas não em veículo diário e, de cara, descobriu o quanto esse trabalho pode ser desafiador. Nas redações, é comum receber pautas envolvendo a morte de pessoas conhecidas, que deve ser tratada como informação, sem apelos sensacionalistas. Já no segundo dia de trabalho, Clarice foi escalada para contar a história de vida do pastor luterano Klaus Meirose, que por muitos anos dirigiu a congregação em Montenegro, e acabara de falecer.

“Pautas assim são sempre difíceis. A gente sai da redação sabendo que vai chegar num ambiente tomado pela emoção, em que nem sempre as pessoas estão em condições e dispostas a falar naquele momento. Há também o receio de que os familiares não entendam o nosso papel, que é contar a história e eternizar os atos daquela pessoa”, revela Clarice. Neste caso, a recepção foi amistosa e colaborativa, o que rendeu uma matéria à altura do legado do pastor.

Contudo, há situações ainda mais complicadas, quando a pessoa que morreu foi vítima de acidente ou assassinada. “Tem gente que acha que o jornalista está ali de intrometido, fazendo sensacionalismo para vender jornal”, comenta a repórter. Conciliar o direito da sociedade de ter acesso à informação com a revolta de quem perdeu um filho, um pai ou outro familiar de maneira trágica requer muita calma e sensibilidade. Felizmente, Clarice Almeida reúne estes predicados.

E qual é o impacto destes dramas na vida do profissional da comunicação? Segundo a repórter, obviamente há situações que provocam tristeza, mas as reportagens também acabam fortalecendo o jornalista. “A gente aprende que todos têm problemas e até mesmo a lidar melhor com as perdas”, afirma. “E, principalmente, a se colocar no lugar das pessoas”, conclui.

Tatiane Muchinski gosta do contato direto com o público

“As pessoas, muitas vezes, só querem ser ouvidas”
Num universo cada vez mais dominado pelas máquinas e pelo contato através de aparelhos, a necessidade de diálogo olho no olho vem crescendo diariamente. A constatação é da supervisora de Circulação do Jornal Ibiá, Tatiane Muchinski, que foi admitida em abril de 2009. Inicialmente vendedora externa de assinaturas, Tati soube da vaga através de uma colega de autoescola.

Sobre o seu trabalho, ela considera o contato com o público a característica mais importante. “Gosto de conversar com o leitor, visitar, encontrar com ele a melhor alternativa para deixar os exemplares”, revela. Aliás, ela constata que, entre os idosos, principalmente, as pessoas estão mais carentes de atenção. “Elas sempre têm boas histórias para contar e acabam contribuindo também para o nosso próprio crescimento pessoal”, afirma.

Na rotina da supervisora, durante uma venda ou mesmo renovação, é comum receber sugestões de matérias, que são repassadas para a equipe de redação. “Nem sempre a gente consegue satisfazer a vontade do leitor. Mas só o fato de ouvi-los, de dar atenção, torna o dia deles melhor”, conclui.

Luciana Santos da Rosa coordena a “montagem” das páginas

Teclado e mouse aposentaram cola e tesoura
Em 1993, quando Luciana Santos da Rosa, então com apenas 17 anos, ingressou na empresa, a paginação do jornal ocorria de forma absolutamente artesanal. Porém, antes de contar como era, é preciso explicar o que é, afinal, a tal “paginação”. Trata-se de um processo em que são dispostos, na… página, todos os elementos de uma notícia, como textos, fotos, legendas, títulos e também os anúncios. Eles devem ocupar seus espaços de forma harmônica, para atrair a atenção do leitor e permitir uma fácil assimilação do conteúdo. É quase um trabalho de artista.

Pois há 26 anos, a maior parte desse trabalho era feita com tesoura e cola. Sobre uma mesa de vidro, cada “pedaço” era fixado individualmente, até o conjunto assumir o formato final da página de jornal. “A gente tinha apenas um computador, no qual eram digitados os textos e depois impressos em tiras, recortadas e coladas em folhas do tamanho de uma página”, recorda Luciana. “Era tudo muito lento.”

À medida que o mercado passou a oferecer soluções tecnológicas para suprir estas carências, a empresa foi se modernizando. O Ibiá foi um dos primeiros periódicos do interior do Estado a adotar as máquinas fotográficas digitais em suas rotinas. Elas começaram a se popularizar em 1997 e, já no ano seguinte, a redação tinha o equipamento. O mesmo ocorreu com os softwares de editoração eletrônica, que se tornaram mais acessíveis no fim da década de 90 e hoje são usados em qualquer máquina doméstica.

Daqueles tempos, Luciana lembra da dificuldade que era encontrar pessoas capacitadas para lidar com estas ferramentas. “Nós usávamos um programa chamado PageMaker, que quase ninguém mais tinha. Então, quando saía um colega, a gente era obrigado a ensinar tudo do zero”, afirma. As escolas de informática da cidade sequer tinham cursos nesta área e a empresa costumava matricular seus colaboradores em Novo Hamburgo e São Leopoldo. “Muita gente, que depois passou a trabalhar nesta área, aprendeu dentro do Ibiá”, lembra a funcionária.

Hoje supervisora de paginação, Luciana explica que fazer jornal é um aprendizado diário, não só pela operação de softwaes cada vez mais modernos e amigáveis, mas pelo desafio de criar. Ela gosta principalmente da produção de revistas e outros especiais, em que há mais liberdade e a apresentação não tem formatos pré-estabelecidos.

No dia a dia, a cola e a tesoura foram substituídas pelo teclado e pelo mouse e a folha de papel branco sobre a mesa de vidro, pelo monitor. Contudo, a emoção de ver seu trabalho impresso, nas mãos do leitor, ajudando as pessoas e se informarem e a terem uma vida melhor, ainda desperta em Luciana os mesmos sentimentos: alegria e emoção.

1 comentário

  1. Tive o privilégio de conhecer Maria Luiza Szulczewski e Mara Rúbia Flôres nos vancob da Unisinos. O sucesso não surpreende, mas é digno de elogios e reconhecimento. Parabéns!

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