Lara e Loivani, as professoras com menos e mais tempo na rede, falam das carreiras e do aprendizado

Na próxima terça-feira, 15, será celebrado o Dia do Professor. Para entender os desafios que unem a categoria, a reportagem do Ibiá foi conhecer as professoras com menos e mais tempo na Rede Municipal de Ensino de Montenegro. Com apenas um ano e meio de atividades, Lara Maria Lampert, de 46 anos, é uma delas e atua na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Cinco de Maio. Já Loivani Clarise Schu tem 57 anos de idade e 38 lecionando em escolas municipais, hoje na EMEF Pedro João Müller, em Costa da Serra.

Apesar do pouco tempo de trabalho na Rede Municipal, Lara já tem 23 anos de atuação como professora do Estado. Quando começou, ainda cursava faculdade, o que lhe proporcionou grande aprendizado, vinculando o que via na universidade com a experiência prática. “Eu nasci para dar aulas, amo minha profissão e a considero a mais importante de todas”, diz ela, orgulhosa do magistério. A rotina de trabalho é intensa, mas recompensadora. A necessidade de acumular escolas e turnos de trabalho é comum entre os professores. “Nós deveríamos ter mais tempo livre para preparar as aulas e retomar as forças. Porque tu lidar com criança e adolescente é desgastante”, completa.

A história de Loivani é toda escrita em escolas do interior de Montenegro. Ela conta que, desde criança admirava a profissão e sonhava com a sala de aula. “Eu dizia ‘um dia, também serei uma professora’ e assim foi. Comecei na Serra Velha, depois fui para Bom Jardim e, em 1998, vim para Costa da Serra. Sempre comunidades muito boas, sempre do interior”, conta Loivani. Nesses anos, viu famílias se formarem e deu aula para filhos de ex-alunos. “A gente chega no pátio e eles abraçam. É o melhor que tem”, comenta a educadora, que entrou na rede municipal através de um concurso especial em 1985, depois passou a ser celetista e há cinco anos se aposentou, mas seguiu trabalhando. A parada definitiva está próxima, talvez em 2020. “Eu também tenho que descansar”, comenta.

A disciplina e a relação com as famílias vêm mudando. Mas não apenas no enfoque negativo, já muito abordado. Lara cita que, quando era estudante, a escola ainda era para os que tinham condições de lá estar. Hoje ela é para todos. “Nós temos hoje vários grupos culturais, uma diversidade maior. O nosso desafio é trabalhar isso. A gente pode querer colocar o aluno naquela forma de ‘modelo’, mas não é assim. Muitas vezes, tem que desenvolver uma adaptação de atividade para um aluno”, explica.

Com a experiência de quase quatro décadas em sala de aula, Loivani Clarise Schu diz que os alunos e as famílias, mesmo no interior, já não estão tão próximas das instituições. “Não é mais o mesmo. Os alunos já não têm aquele carinho pelo professor. Mas a gente tenta se aproximar, algumas famílias ficam mais retraídas e a gente vai conquistando”, diz Loivani, sem desistir dos alunos.

A tecnologia na sala de aula
As grandes mudanças trazidas pela tecnologia à vida das pessoas alcançam as crianças e a escola. Mas as professoras garantem que esse avanço não é contra a educação. “Tem o momento em que você precisa dizer ao aluno que naquela hora não é para mexer no celular e ele deve guardar. Isso você conversa e consegue resolver. Mas nós precisamos nos aliar à tecnologia. Porém, nós temos internet nas escolas de forma restrita. E a nova base curricular nacional traz a linguagem virtual da internet”, diz Lara.

Em uma realidade mais interiorana. Loivani diz que a tecnologia ainda está distante da sua sala de aula. “Usamos muito o quadro. A gente não tem acesso. Mas os alunos ainda aceitam bem”, diz a professora com 38 anos de atuação em escolas municipais. Lara Lampert aposta em uma mudança em curto prazo. “Hoje em dia, a nossa comunicação é virtual. E a escola não pode virar as costas para isso”, completa.

Loivani Clarise Schu é professora da Rede Municipal de Montenegro há 38 anos
“Para quem vai entrar no magistério agora e enfrentar a sala de aula, que não é fácil, eu digo que tem de entrar pensando no aluno. Não no salário, porque salário de professor não é muito bom. Tem que entrar pensando no carinho. Ter amor pelo que vai fazer. Ter dedicação e muita paciência. Porque hoje em dia não é fácil, tem que ter paciência. Mas eu me sinto realizada, foi muito bom passar todas essas décadas.”

Lara Maria Lampert é professora da Rede Municipal de Montenegro há um ano e meio
“Para aqueles com muitos anos de carreira, digo que o nosso trabalho é muito importante. Nós vamos mudar o nosso país. O que fazemos agora, essas sementes que plantamos, são as que vão, quem sabe, um dia tornar o nosso país uma nação desenvolvida. E para quem pensa seguir no magistério, digo que o façam porque amam ser professoras. O salário do magistério não é justo, nós deveríamos receber muito mais.
Então faça pelo amor. Porque quem não ama o aluno e a sala de aula, não consegue permanecer no magistério”.

 

Na Rede Estadual de Ensino, Montenegro tem 17 escolas, 443 professores e 5.829 alunos

Montenegro tem 2 escolas particulares. Já a Rede Municipal de Ensino de Montenegro tem 21 escolas de Ensino Fundamental, 7 de Educação Infantil e 561 professores que atendem a 6.730 alunos

No Vale do Caí, são 52 Escolas Estaduais, 1.106 professores e 13.492 alunos

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