Com as taxas de juros mais atrativas, programa do governo federal é a alternativa mais buscada entre os agricultores de pequeno, médio e grande porte

O governo federal lançou o Plano Safra 2019/2020 neste mês. Já apresentado por algumas instituições financeiras, esta edição está trazendo algumas novidades. R$ 225,59 bilhões estão disponíveis para o plano agrícola e pecuário; e o valor do seguro rural mais do que dobrou. A cifra inédita de R$ 1 bilhão está disponível para a contratação de apólices de seguro em caso de perdas de safra por chuva excessiva, seca, granizo ou geada.

Dentro das linhas do Plano Safra, produtores de pequeno, médio e grande porte podem financiar diferentes necessidades de custeio e de investimento. São recursos para comprar máquinas e veículos, construir galpões, adquirir adubos, dentre outras finalidades, com as taxas de juros mais atrativas do mercado.

Maria Regina da Silveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais

“É um dinheiro que ajuda muito”, destaca a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Montenegro, Maria Regina da Silveira. “O produtor faz o custeio do que vai plantar e assim consegue se equilibrar até o outro ano.” Ela conta que a grande maioria dos montenegrinos faz uso de alguma das linhas do Safra.

Novidades para este ano são as verbas para construção ou reforma de casas nas propriedades rurais. Era um pleito antigo do setor rural, conquistado neste ano, com a oferta de R$ 500 milhões para serem acessados com este fim. Outra nova possibilidade é o custeio de equipamentos de informática, reflexo da futura obrigação da Nota Fiscal Eletrônica aos produtores.

Para a safra 2019/2020, ainda, houve aumento de 32% nas verbas para os médios produtores que se enquadram nas linhas do Pronamp, com taxas de juros de 6% ao ano.

No Pronaf, que beneficia os pequenos, da agricultura familiar, também houve acréscimo de disponibilidade, chegando aos R$ 31,22 bilhões. Por ali, algumas taxas caíram e outras tiveram alta, dependendo do perfil do financiamento. Agora, elas vão dos 3 aos 4,6% ao ano.

Ronaldo Fraga Veit, gerente da agência de Montenegro do Banco do Brasil

O que muda de um banco para outro?
Sendo uma iniciativa do governo, as linhas e as taxas de juros são as mesmas, independentemente do banco que o agricultor buscar para negociar o crédito. O que muda é o quanto que cada instituição financeira está liberada para oferecer. “Como o Banco do Brasil está presente na maior parte do País, ele é o que acaba com uma fatia um pouco maior”, explica o gerente da agência local, Ronaldo Fraga Veit.

Com convênio junto ao Sindicato de Montenegro, que já faz o meio de campo entre os interessados e a agência, o Banco do Brasil conta com 60% de todo o crédito disponível. Para esta safra, o valor passa dos R$ 103 bilhões; e a procura dos montenegrinos, Fraga conta, é considerável.

Mesmo que os bancos contem com linhas próprias voltadas ao agronegócio, os benefícios do Plano Safra seguem os mais atrativos. No programa, o Banrisul conta com R$ 3,25 bilhões para negociar em todo o estado, com expectativa de beneficiar 50 mil gaúchos. Já o Sicredi, reservou R$ 262 milhões, um acréscimo de 35% em relação à safra passada.

Atenção ao CAR
Após muitas prorrogações, tornou-se obrigatório neste ano o Cadastro Ambiental Rural, o CAR. É uma declaração com informações ambientais das propriedades e posses rurais de todo o país. Sem ela, transações comerciais e bancárias, como o acesso ao crédito rural, não podem ser realizadas.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Montenegro oferece aos agricultores o atendimento para fazer essa declaração, mas conforme a presidente da entidade, Maria Regina da Silveira, ainda são poucos os que estão em dia com a obrigação. “O pessoal acha que não precisa”, avalia. Mas é preciso estar em dia. Sem o CAR, sem Plano Safra.

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