Janquiel percebe o mercado retraído em virtude da pandemia

O ano de 2020 não tem sido fácil para ninguém. Saúde, economia, turismo, esporte… Todos os setores foram afetados pela pandemia do novo coronavírus. No interior, os agricultores ainda têm outra preocupação: as condições climáticas severas. Primeiro, uma longa estiagem, de aproximadamente seis meses, impactou diretamente a produção de citros na região. Mais recentemente, nas últimas semanas, chuvas intensas deixaram propriedades inundadas.

Na localidade de Lajeadinho, interior de Montenegro, o citricultor Janquiel Ulrich calcula que cerca de 40% da sua produção total de bergamota Montenegrina neste ano foi perdida em virtude das condições climáticas – principalmente pela estiagem. Ele também está preocupado com a safra seguinte. “Tem ano que produzimos mais e outros menos. Neste, a estiagem diminuiu ainda mais esse volume, foi a seca mais prolongada que vivi. Além disso, a floração da próxima safra está desequilibrada, já que neste ano está atrasada e o ciclo do próximo ano está adiantado”, observa.

Como o fluxo de pessoas é baixo em sua propriedade, o citricultor não teve sua rotina totalmente alterada pela pandemia. No entanto, os reflexos são sentidos no bolso. “O mercado está mais retraído, as vendas diminuíram um pouco. O consumo se dá pelo poder aquisitivo, e não sabemos até quando vai essa crise econômica. O que mais nos preocupa é o médio e longo prazo”, afirma o produtor, que tem 18 hectares de pomar em produção e mais sete em fase de formação, na localidade de Lajeadinho.

Janquiel relata que as fortes chuvas que atingiram o Estado nas últimas semanas não chegaram a prejudicar a produção em sua propriedade, mas entende que 2020 tem sido um ano complicado para a agricultura. “A cheia não nos afetou muito, mas inundou outras propriedades. Está bem difícil produzir fruta de boa qualidade neste ano, temos que trabalhar o dobro. Até o clima quente desta semana não é o ideal, porque provoca a ‘pinta preta’, um tipo de fungo, na fruta”, declara.

Kettermann afirma que sua maior preocupação no momento é a pandemia do novo coronavírus

Coronavírus deixa citricultor de Campo do Meio apreensivo
Além da estiagem e das cheias, a pandemia do novo coronavírus também está entre as principais preocupações para muitos agricultores neste ano. Na localidade de Campo do Meio, também no interior de Montenegro, o citricultor Vagner Kettermann e sua família precisaram alterar por completo a rotina nos últimos meses. “Agora temos ido ao mercado uma vez por mês e os passeios do final de semana não são mais feitos. Reduzimos gastos desnecessários e deixamos de lado sonhos que, neste momento de crise, não são prioridade”, frisa.

Assim como Janquiel perdeu uma parte da produção total devido à seca, Vagner também teve sua produção de bergamota Pareci, Caí e Montenegrina bastante afetada pela estiagem. Contudo, ele revela que sua maior preocupação no momento é a pandemia. “Óbvio que a estiagem é preocupante, ainda deixa algumas ‘sequelas’ na produção, mas no momento, o que mais me deixa apreensivo é a pandemia. Por exemplo, se você adoecer, como vai conseguir produzir alguma coisa no campo estando debilitado? Me entristece muito ver que muita gente não está se importando com esse vírus”, lamenta.

“No interior, muitas pessoas são do grupo de risco e moram na mesma propriedade. A gente se decepciona quando vai ao centro da cidade e vê aglomerações, pessoas tomando chimarrão e cerveja em vários lugares. Muitos não estão se cuidando e só vão se conscientizar quando perder um ente querido para o coronavírus ou quando enfrentarem essa doença”, completa o citricultor.

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