Cristina Reinheimer é a atual secretária municipal da Saúde de Montenegro. Foto: Acom Montenegro

Cristina Reinheimer: “A gente que conquista o nosso lugar e o nosso espaço”

No Brasil, somente 37,4% dos cargos gerenciais existentes em 2019 eram ocupados por mulheres, segundo os dados do levantamento Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A igualdade trabalhista entre gêneros está longe de ser algo real no nosso país, entretanto, em Montenegro há um bom exemplo a ser seguido. Com competência e dedicação, Cristina Reinheimer, de 50 anos, é secretária da Saúde desde 2018 – atravessando governos e períodos conturbados.

Enfermeira obstétrica de formação, Cristina sempre desejou a profissão, demonstrando desde pequena a sua vontade. “Na minha família sempre tiveram pessoas doentes e a minha mãe contava, que quando eu era pequena brincava (na minha cabeça), como se estivesse dando injeção nas bonecas. Então eu acho que já é uma coisa que é da gente. No fundo, no fundo, é uma vocação que vem contigo, acredito”, diz.

Com o sonho de ser enfermeira, Cristina prestou vestibular direcionada à saúde, algo que nunca se arrependeu. “Enquanto eu puder permanecer e conseguir fazer saúde para ajudar as pessoas, continuarei. Isso é o que eu faço, e é o que eu pretendo fazer pro resto da minha vida”, fala.

Já são 27 anos de carreira, com um currículo exemplar. Cristina possui várias especializações nas áreas de UTI, Obstetrícia e Bloco Cirúrgico. Ela já trabalhou simultaneamente nos hospitais Pompéia e Unimed de Caxias do Sul. Além disso, foi professora nas universidades UCS e Unisc, no próprio Hospital Pompéia e no curso técnico em Enfermagem do Hospital Montenegro, escreveu junto com colegas um manual de captação de órgãos e trabalhou para o Ministério da Saúde. Com MBA em Gestão, comandou a secretaria da Saúde de Pareci Novo entre 2013 e 2016 e, na Prefeitura de Montenegro, está trabalhando desde agosto de 2017, recebendo o cargo de secretária um ano depois.

Sempre com cargos administrativos nos hospitais, a secretária nunca deixou de fazer o que gosta: se dedicar à parte assistencial. “Eu gosto muito da parte assistencial, aquela questão com o paciente, a parte da empatia com o outro”, comenta.

Para Cristina, não há diferença entre homem e mulher no serviço, o importante é cada papel ser desempenhado. “Eu acho que a gente tem que ter a vontade, o conhecimento e muita disposição, principalmente na saúde”, completa.

Confira a entrevista da secretária da Saúde para o Jornal Ibiá
Jornal Ibiá – Qual é o peso de ser secretária da Saúde frente à pandemia do novo coronavírus?
Secretária Cristina Reinheimer –
É uma coisa que ninguém esperava. Já é a segunda pandemia que eu passo, mas na época de 2010, quando teve a Influenza, eu trabalhava em UTI, então eu tive à frente naquela pandemia. Ela foi bem complicada também, só que não foi tão duradoura e complexa como está sendo a de agora. Não sei se era porque eu estava dentro de hospital, onde a gente tem todos os recursos, a gente tem tudo.
Na área da saúde pública tudo é mais complicado, tu tem que ter ideias, tu tem que ter inovações, tu tem preocupações e a população te adota como se tu fosse responsável pela vida delas 24h, mas eu acho isso muito bom, eu gosto disso.

Jornal Ibiá – Como mulher, a frente da secretária da saúde, quais os desafios que você já teve?
Secretária – Eu sempre fui muito trabalhadora, e pra mim o não sempre existe, o que a gente tem é que correr atrás do sim. Mas eu nunca tive maiores dificuldades por ser mulher na minha vida profissional, derrepente por ser enfermeira, que é uma profissão onde atuam mais mulheres. Mas eu sempre me destaquei bastante nessa área, porque eu nunca me deixei levar. Não credito muito nisso, a gente que conquista o nosso lugar e o nosso espaço.

Jornal Ibiá – Você já reconsiderou o seu posto?
Secretária – Não, a ponto de que quando o Zanatta me convidou para permanecer na pasta eu logo aceitei, porque eu gosto.

Jornal Ibiá – Em dezembro questionada sobre os principais desafios para 2021, você destacou a vacinação contra a Covid-19. A imunização está ocorrendo como o esperado? O que você acha que pode melhorar a nível municipal e Estadual?
Secretária – A gente tinha a expectativa da vinda de mais vacinas, porém a gente está tendo essas vacinas que estão vindo, como está vindo para todo o país e Rio Grande do Sul. Mas agora existem outras expectativas ainda, que é a compra da vacina pelo Estado e também pelos municípios. Acreditamos que a gente vai chegar lá, vamos chegar até o final dessa batalha, e com sucesso.

Jornal Ibiá – O que você acha que pode melhorar a nível municipal e Estadual?
Secretária – Acho que a gente precisa melhorar a conscientização da população em relação ao seu próprio valor, porque eu acho que o não cuidar da gente, como as pessoas estão fazendo, ele desvaloriza a gente como pessoa um pouco e eu acho que isso está faltando. Essa é uma expectativa que todo mundo tinha em relação à pandemia, é que mudasse os nossos valores, e acho que isso não está acontecendo muito, eu acho até que as pessoas estão sendo um pouco egoístas, porque cada um está pensando em si e não na população como um todo.

Jornal Ibiá – Quais as expectativas para 2021 na área da saúde?
Secretária – A expectativa é que a gente consiga vencer esse Covid, e que a vacina venha suficiente para que a gente possa imunizar a população. E que todos nós tenhamos muita força e fé para que a gente consiga cumprir com tudo isso, não só nós da área da saúde, como a Prefeitura e a população como um todo.

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