A força da taquareira é o tema da reflexão no Velho Casarão

Turismo. Rota pelo interior de Montenegro oferece beleza, sabor e saúde

Da busca pelo sossego da Zona Rural de Montenegro, do desejo de compartilhar informações e sensações e da amizade, está surgindo uma nova alternativa turística. A expectativa é que em 2019 a Rota Fortaleza possa receber turistas; mas as cinco propriedades já têm alguma atividade de forma isolada, especialmente para grupos.

Ricardo e Rose convidam para sentar à sombra ao lado do lado do Sítio Fortaleza

Claudete Klein, coordenadora do Centro de Treinamento de Agricultores de Montenegro (Cetam), reafirma o desenvolvimento do turismo rural como braço de ação da Emater. “Como trabalhamos com rural sustentável, vemos o turismo como uma fonte de renda para agricultura familiar e como uma forma de aproximar o consumidor do produtor”, argumenta.

Claudete recorda que tudo começou pelo Orquidário Moreira, primeiro a realizar eventos sociais. Neste espaço em frente ao marco histórico Farroupilha Cruz das Almas, divisa com Triunfo, os professores Vera Alice e João Antônio Moreira, de 58 e 57 anos, respectivamente, recebem no galpão rústico. O espaço acomoda seminários, reuniões ou confraternização, enquanto na cozinha são preparadas comidas campeiras.

Mas a vocação principal é a respeito da planta ornamental. O orquidário iniciou em 1992, com uma muda presenteada pelo amigo Gilberto Ketz. Hoje, integrado ao Núcleo Montenegrino de Orquidófilos, os viveiros abrigam 15.000 mudas das mais variadas espécies de Orquídeas. De hobby à alternativa na aposentadoria, o casal vende e ensina a cultivar, inclusive com banca na Casa do Produtor Rural.

Além da beleza, a Orquídea é de fácil manuseio

Sítio Fortaleza é o ideal de casa de fim de semana
Mas antes de chegar nas flores, a Rota oferece um momento de contemplação no Sítio Fortaleza, às margens da BR-470. O espaço agradável para festas e eventos foi pensado pelo professor Ricardo, 60, e sua esposa, a servidora pública aposentada Rose Oliveira, 58. “A gente vinha acampar. Não tínhamos ideia de fazer o que estamos fazendo”, explicou ele, ao lembrar que o sítio foi adquirido para relaxar em finais de semana ao lado dos filhos e netos.

Agora é um empreendimento para integração e descanso. Na cozinha é servida comida típica e cerveja de fabricação própria. Quem preferir pode curtir o preparo de um costelão 12 horas. No fim de tarde a pedida é o café com produtos coloniais, depois sentar na sombra à beira do lago ou caminhar pelo pomar até a floresta que o professor cultiva.

“Se tornou uma Fortaleza mesmo. Me sinto parte de um grupo, onde alguém sair seria como tirar o vagão de um trem”. Rose refere-se a união entre os integrantes, que se reúnem em almoços e jantas. Essa amizade é confirmada pelo slogan da Rota, “Juntos Somos uma Fortaleza, e tem nos Sobrado Força”.

Éder e Graciela fizeram do Planta Nativa um santuário de biodiversidade

Saúde que pode ser colhida
Seguindo a Rota, a propriedade rural seguinte é o Grupo Planta Nativa. O comissário de voo Éder Müller, 41, não vê a hora de parar de viajar e se fixar no cultivo da terra. A esposa, Graciela Santos, geógrafa de 36 anos, já vive este sonho, entre plantas medicinais, alimentícias e Alimentícias Não Convencionais, as Panc’s. A explicação para essa terceira espécie é simples: são vegetais nutritivos, mas vistos como inço.

Ali o plantio segue o conceito da biodiversidade, sem agrotóxico e com equilíbrio natural. Assim, o capim e o inseto são agentes biológicos harmoniosos que garantem o ciclo natural de desenvolvimento da comida. “Nossa visão aqui é a verdadeira sustentabilidade do planeta”, descreve a geógrafa. Ela define que o objetivo do Planta Nativa não é só turismo, tampouco renda familiar. É transformar a mente das pessoas.

Graci afirma que, no atual ciclo alimentar, somente as plantas e a terra produzem. O resto é consumidor, e o homem do campo é apenas um manipulador do sistema natural. A caminhada pelo sítio ensina sobre o canteiro bio-séptico, alternativa para o esgoto residencial; apresenta a Mata Sagrada, com conhecimento indígena; a agrofloresta e o Relógio da Vida.

Após aula de cultivo, com direito a autoterapia e energização piramidal; os turistas vão para a cozinha. Ali, o casal ensina receitas com alimentos conhecidos e menos populares. Eles mostram que nenhuma parte da planta precisa ser jogada fora, e que a comida natural é a porta para corpo e mente saudável.

Cabana do Riacho tem a serenidade que só a natureza oferece

Bolachas com a sinfonia do riachinho
Em comum as propriedades têm a beleza natural do interior de Montenegro. Mas certamente Isabel Cristina Cheron, 50, é privilegiada pelo riacho manso que banha seu quintal. Fora do traçado da rodovia, a Cabana do Riacho está na confluência entre Fortaleza, Passo da Serra e Itacolomi. Neste cenário “Belinha” desenvolveu duas aptidões: o artesanato e a preparação de bolachinhas.

Em seu café sob as árvores, o destaque é a bolacha de polvilho de raiz Araruta, outro conhecimento que adquiriu através da Emater. O artesanato em tecido e pintura iniciou há 30 anos. “Comecei a fazer em um agosto, não lembro de que ano”. A artesã referia-se ao Papai Noel que foi sua primeira obra, surgida apenas pelo instinto.

“São coisas de vó”, ilustra, referindo-se as guloseimas e as singelas decorações. Na horta ela cultiva hortaliças sem veneno, que vende em formato de “cesta básica” acrescida de ovos frescos de sua criação. O momento terapia é ao som tranquilo do curso d’água que margeia uma mata preservada.

Casa construída pelo imigrante alemão Henrique Nüske, em 1854, retrata a história do Vale do Caí

141 anos de história em um Casarão
A última propriedade rural foge um pouco da Rota, pois fica no Sobrado. Mas não tinha como deixar fora o Velho Casarão, que é a primeira visão de quem entra no sítio. A impressionante moradia com mais de 141 anos de história abriga a quarta geração da família Nüske. O bisavô de dona Anísia Nüske Ulrich, 59, foi imigrante alemão que derrubou o mato e ergueu seu lar com as próprias mãos, arrancando pedras dos moros.

Privilegiado em belezas naturais, e um convite ao turista para percorrer a trilha entre mata nativa e plantação de Eucalipto, que termina em um paredão de pedra com sinais, que podem ser, pré-históricos. Em momento de meditação, o agricultor Paulo Roberto Ulrich, 62, externa sua experiência de vida em derrotar doenças e superar um acidente.

Sob gigantescas taquareiras, aquele homem simples se transforma em guia espiritual, traçando paralelos com aquela resistente planta que se curva, resiste e não quebra. De volta à sede, após ver a relíquia da taipa e do aqueduto que faziam girar a roda da tafona, todos se sentam à mesa posta no galpão e degustam um café da colônia.

Agendamentos
Orquidário Moreira – 99764-9210
Sítio da Fortaleza – 99989-2248
Grupo Planta Nativa – 99914-8847
Cabana do Riacho – 98120-8457 (encomendas)
Velho Casarão – 99838-8452

*Rota completa terá um calendário de visitas agendadas por telefone e e-mail ctmnegro@emater.tche.br

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