O casamento foi planejado de surpresa por família e amigos, e ocorreu no dia 20 de maio. Fotos: Arquivo pessoal

Sonho foi impulsionado pela ajuda de amigos

A Catedral São João Batista foi palco de mais uma linda história de amor. Dessa vez, o namoro que começou na igreja se concretizou nela depois de 30 anos de união. Os montenegrinos de coração, Rita Márcia Teixeira dos Santos, de 50 anos, e Ricardo Viana, de 53, tiveram o seu amor oficializado na igreja no mesmo dia em que foram morar juntos pela primeira vez, 20 de maio.

O casal teve uma caminhada de encontros e desencontros até ficar junto. Os dois se conheceram na sua terra natal, em General Câmara, quando Rita Márcia tinha apenas 13 anos. Ela já tinha se mudado para Montenegro na época, mas voltava seguidamente para visitar os familiares. Em uma dessas visitas Rita foi a um encontro de grupo de jovem na Igreja Católica da localidade, e foi lá que conheceu o jovem Ricardo.

Mas se engana quem pensa que a fé foi o motivo dessa união. Católica desde criança Rita Márcia participava dos encontros e missas, já Ricardo ia por outros motivos na época. “Eu ia à igreja quando mais novo para arrumar namorada”, conta, brincando. Depois desse primeiro contato os dois se encontraram em um baile no interior, dançaram juntos e o namoro fluiu.

O casal ficou junto durante dois anos em um namoro à distância. “Dos meus 13 aos 15 anos tínhamos só um namorinho. Muitas vezes eu ia só para o baile mesmo e a gente se via. Era um namoro bem à distância”, relata Rita. Segundo Ricardo, era bem difícil manter contato com a amada, já que ela morava em Montenegro e ele, em General Câmara.

Os encontros dos dois eram em bailes, férias de Inverno e de Verão. A comunicação longe não era fácil. Na época, até uma tia de Rita ajudava. “Cartas eu ainda tenho algumas, às vezes minha tia Ivete que escrevia. Ele pedia para ela avisar os dias dos bailes e me convidava para ir”, comenta ela.

Casal exibe com carinho foto do grupo de Cursilho

O amor vence
Rita e Ricardo chegaram a namorar outras pessoas enquanto estiveram separados, mas o destino tratou de unir os dois de volta. “Perto de eu fazer 17 anos eu tinha me desentendido no emprego e com o meu namorado, então peguei um ônibus e fui na minha avô em General Câmara, já com a intenção de encontrar ele”, relembra. Rita passou todo o mês de fevereiro indo a bailes para encontrar Ricardo, mas não conseguiu. Isso porque ele não morava mais lá. Estava em Porto Alegre. “Meus amigos me falavam que ela estava me procurando, só que nem sempre eu conseguia vir, porque eu trabalhava nos finais de semana, às vezes”, diz Ricardo.

Depois de tanta procura, no dia do aniversário de 17 anos de Rita, os dois se encontraram em um baile e voltaram a namorar. O casal namorou durante três anos e, no dia 20 de maio de 1989, deram um grande passo na vida a dois: foram morar juntos. Aos poucos foram se estruturando e crescendo, e o desejo de terem um filho aumentou, mas não foi fácil também. “Eu tinha 32 anos quando começamos a pensar em ter um filho. Fiz tratamento durante seis anos e não engravidava”, relembra Rita. Foi quando desistiram do tratamento que o filho tão planejado chegou, Ryan que hoje está com 11 anos de idade.

Ricardo, Ryan e Rita na recepção do casamento

A bênção da Igreja
Há cerca de três anos os dois participam do Movimento de Cursilho de Cristandade, da Igreja Católica. Segundo eles, o grupo é muito bom, todos são unidos e é graças a ele que os dois têm hoje o sacramento do matrimônio. “Integrante do nosso grupo, um casal desejava muito realizar o matrimônio na igreja, só que não podiam. Eles tinham quase o mesmo tempo juntos que nós. Para eles aquilo era um sonho”, comenta Rita.

Ricardo explica que o amigo era viúvo, e a amiga era separada e tinha casado na igreja anteriormente. Segundo regras da religião uma pessoa separada não pode casar novamente. “Acabou que ele ficou doente e o grupo se mobilizou, falamos com o padre e com o bispo e conseguimos que eles se casassem”, diz Rita Márcia. O casamento dos amigos foi realizado no hospital. Infelizmente, no outro dia o recém-casado faleceu.

“Eu sempre quis ter a bênção da Igreja, porque, como sou católica, me fazia falta, mas o Ricardo não queria. Então, pelo que aconteceu com esse casal, um dia eu disse para ele que não podíamos esperar que isso acontecesse conosco também”, relata. O pedido logo chegou. Em uma das reuniões do grupo de Cursilho, com todos sabendo menos Rita, o pedido de casamento foi feito. “No dia que estava fazendo um ano que esse senhor morreu, é o dia que eu pedi ela em casamento”, fala Ricardo.

Os amigos do grupo e a família de Rita começaram a planejar o casamento surpresa, mas a noiva tinha uma condição. “Quando ele me pediu, todos me perguntaram o que eu gostaria, e eu falei que não queria trocar a minha data, que é 20 de maio. Eu achei que elas não iriam querer fazer, porque era uma segunda-feira, mas conseguiram ajeitar tudo e fizeram na data certa”, relembra feliz.

O pedido foi feito no dia 28 de fevereiro, e o casamento aconteceu no dia 20 de maio, quase três meses depois. E como ela descobriu que ia se casar? “Para descobrir que era naquele dia, o pessoal da família e do grupo veio aqui, cantaram uma serenata na minha porta, fizeram um café da manhã e depois me tiraram de casa”, fala Rita.

Com tudo combinado, a noiva passou o dia todo fora de casa, com direito a massagem relaxante e produção, como: unha, cabelo e maquiagem. Com seu vestido, às 20h foi ao encontro do amado na Catedral São João Batista. “O nosso filho entrou junto com o Ricardo e depois ele levou as alianças. Estava a coisa mais linda. Tava tudo muito lindo”, fala com orgulho. Depois, ainda teve a surpresa de uma recepção no salão da Igreja, preparada pelos amigos.

Rita Márcia e Ricardo se conheceram há 37 anos atrás

Perseverança e amor
O casal garante que, desde quando fizeram o Cursilho, sua maneira de agir e pensar é diferente. “A gente é mais calmo, conversa mais. A influência da igreja e da comunidade é muito importante na vida em casal e família, é um suporte para a vida”, comentam.

Segundo eles, momentos difíceis já ocorreram na relação durante esses 30 anos, mas lealdade, respeito e ajuda são características que fazem o casal crescer. “Para continuar junto tanto tempo assim é importante ter bastante perseverança, Deus junto e também muito amor. Se não é amor, não resiste”, finalizam.

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