Durante o ano de 2019, o Jornal Ibiá acompanhou de perto a rotina de estudo de três alunos montenegrinos. Agora, o desafio é outro: começar os estudos que vão auxiliar na futura vida profissional. Depois do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vestibulares, testes, noites em claro e muito conteúdo concluído, os três estudantes agora estão na expectativa para começar os estudos nos cursos que escolheram para traçar o futuro.

Realização após muito esforço
Para Laura Cristina da Silva, o “pós Enem” foi de realizações. A estudante formada no Instituto de Educação São José, almejava cursar Direito na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), e alcançou seu sonho. “O resultado do enem superou as minhas expectativas, principalmente na redação que foi a área que me dediquei muito”, conta.

Após prestar vestibular em três locais, FMP, Unisinos e UFRGS, Cristina se mudou para Porto Alegre para ingressar na faculdade. Ela conta que a adaptação está sendo ótima. “É um mundo totalmente novo. Diferente do que eu estava acostumada na escola. Além disso, na sala de aula existem pessoas de diferentes idades, cidades e culturas”, comenta. Além disso, a mudança foi um momento legal e de provocação. “É muito legal enfrentar todos esses desafios”.

Sobre todos os estudos realizados, Laura se sente grata pela caminhada entre os livros. O resultado foi se orgulho sobre si mesma e por todo o esforço durante 2019. “Além de ver as pessoas a minha volta também felizes com as minhas conquistas”, finaliza.

Às vezes, é preciso mudar de escolhas
“O Enem pra mim, no primeiro dia, foi aquele choque”, conta Laura Ávila Lopes, 18, aluna formada na Escola Estadual Técnica São João Batista. O sonho dela era cursar Medicina Veterinária, entretanto, no meio do caminho teve que optar por um curso alternativo. “No entanto eu consegui boas notas”, conta. Laura conseguiu uma bolsa para Enfermagem no Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista (IPA), em Porto Alegre. O principal motivo de migrar para outro curso foi por conta de que Veterinária é em período integral. “Eu não conseguiria conciliar trabalho com estudo”, explica.

Quando foi conhecer o local que ganhou a bolsa, Laura se surpreendeu com a distância. “Descobri que era bem longe da rodoviária (de Porto Alegre)”, explica. Com a dificuldade de horários e van universitária, a estudante resolveu não se matricular. “Eu gastaria mais ou menos uns mil e seiscentos reais de transporte por mês. Isso eu não tenho como arcar, nem meus pais”.

Apesar da decepção, Laura não quis parar em meio à dificuldade e seu desejo por estudar guiou para uma opção alternativa. “Então eu me matriculei na Unisc, e neste ano eu inicio o Técnico em Enfermagem”, conta. O plano é seguir carreira na área, mas a Medicina Veterinária não saiu de seu coração. “No entanto, hoje, é impossível pra mim”, diz. As expectativas para o início dos estudos estão a mil. “Quero começar logo pra ver como que é e descobrir coisas. Acredito que vou gostar muito, porque gosto de lidar com pessoas”, completa.

A caminho da Argentina
Mesmo com muito estudo, o Enem para João Vitor de Souza, 18, formado no Colégio Sinodal Progresso, também não foi fácil. “Bate um desespero na hora que você está fazendo, porque fazer no colégio, em casa, é completamente diferente”, explica. O estudante queria cursar Medicina, e mesmo com dificuldades após o resultado do Enem, achou uma saída para seguir seu sonho.

João se inscreveu no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), mas não conseguiu a bolsa. “Eu tentei aplicar para medicina, mas faltavam uns 40 pontos”, conta. Como segunda opção, o estudante cogitou até cursar Direito, conseguindo ingressar na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), mas resolveu não cursar. Um arrependimento foi não ter focado no vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que ele realizou. “Agora eu percebo que nossa, deveria ter estudado para o vestibular da UFRGS, porque é mil vezes mais tranquilo que o Enem”.

“Eu vou para a Argentina fazer medicina lá”, foi a saída que João encontrou. O plano B agora só depende da prova de proficiência, que ele já está estudando para realizar. “Quem tem dinheiro para pagar é bem mais barato”, afirma. A expectativa maior está para o dia 23 de junho, dia em que João já deve começar sua nova vida. “O objetivo que eu precisava atingir não foi, mas é aquela história: o que você aprende ninguém tira de ti”, relata sobre sua caminhada de estudos.

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