Espécie foi descoberta pelo agricultor João Edwino Derlam na localidade de Campo do Meio, em Montenegro

Iniciativa da vereadora Josi Paz busca valorizar o fruto no estado e oficializar Montenegro como o berço da espécie

Um anteprojeto que deve ser apresentado em breve pretende transformar a Bergamota Montenegrina em patrimônio cultural do imaterial do Rio Grande do Sul. O anteprojeto está sendo finalizado pelo gabinete da vereadora Josi Paz (PSB) e a iniciativa foi abraçada pelo deputado estadual Elton Weber (PSB), que colocará o Projeto de Lei para votação na Assembleia. O plano, se tudo ocorrer como planejado, é que a sanção da lei pelo governador ocorra no dia da abertura da safra de citros de 2019.

A montenegrina foi descoberta na localidade de Campo do Meio, em Montenegro, há quase 80 anos. O fato ocorreu na propriedade de João Edwino Derlam, agricultor que encontrou a mutação voluntária, que é mais resistente ao cancro cítrico, amadurece mais tarde, tem casca ligeiramente mais fina e é mais cítrica e adocicada que as demais. O foco da vereadora Josi é valorizar a espécie e também instituir oficialmente o município como o seu berço.

“A principal intenção é que isso fortaleça cada vez mais o comércio da fruta, tanto na cidade, quanto na região ou até fora dela, porque a gente sabe que a nossa bergamota está indo muito além da nossa fronteira”, declara a vereadora. “É tudo para valorizar um produto encontrado aqui e valorizar essa família, que vai conseguir com que essa pequena árvore, encontrada no pátio, se torne um patrimônio do Rio Grande do Sul. Tem um gosto todo especial pra mim esse projeto.”

Além de Weber, a vereadora contou com o apoio de outros conhecedores da fruta para construir o anteprojeto. A Emater e a Câmara Regional de Citricultura do Vale do Caí foram alguns deles. Conforme o engenheiro agrônomo e coordenador da Câmara, Derli Paulo Bonine, o mérito do projeto é a divulgação da bergamota. “A importância é tornar conhecida e oficializar essa característica do cultivo”, destaca. Assim como Josi, Bonine está confiante de que o projeto passe pela Assembleia Legislativa só com votos favoráveis.

Preocupação com extinção da fruta foi superada
Em meados de 2009, corriam boatos de que a bergamota montenegrina pudesse ser extinta ou, se não tanto, perder as suas características originais. A preocupação era que, por causa dos enxertos com outras bergamoteiras, o que formava a montenegrina acabasse desaparecendo, nascendo apenas bergamotas “comuns”. Questionado sobre a situação, diante do atual projeto de lei, Derli Paulo Bonine explica que não há razão para preocupação.

Engenheiro agrônomo, coordenador da Câmara Regional de Citricultura do Vale do Caí e também técnico em Sistema de Produção Vegetal do escritório regional de Lajeado da Emater, Bonine afirma que, mesmo sendo ideal que houvesse um banco de germoplasma da espécie, as características da bergamota montenegrina serão mantidas pela multiplicação vegetativa. “O que nós podemos ter é que, como todas as plantas, ela pode sofrer mutação e, ao longo do tempo, gerar outras variedades. Mas a bergamota montenegrina nunca vai desaparecer”, coloca.

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