De origem afro-brasileira, capoeira é tida como um jogo, uma dança e também uma luta. Aulas na EMEF Augusto Ambrósio Rücker iniciaram em 2013

Estudo. Professor e pesquisador vão avaliar a pressão arterial e batimentos cardíacos de todas as crianças do município

Medição de batimentos e pressão é feita antes, durante e depois da atividade

Uma análise das mudanças fisiológicas ocorridas com a prática da capoeira e o que elas representam para as crianças é o objeto de um estudo do Trabalho de Conclusão de Curso de Clóvis Aymay. Cursando licenciatura em Educação Física na Feevale e mestre na arte afro-brasileira, ele quer mostrar que a capoeira é um exercício ótimo e seguro para crianças.

Trabalhando com aproximadamente 80 crianças, Mestre Bonito, como é conhecido Clóvis no meio da capoeira, quer ampliar a análise das mudanças fisiológicas e fazê-la nas crianças de 6 a 10 anos de todo o município. “Queremos ver se haverá variáveis e ter um resultado mais correto”, afirma. Segundo ele, a ideia é buscar a publicação do estudo sobre as mudanças no metabolismo em razão da prática do esporte em uma revista científica.

Ideia do professor é analisar todas as crianças de 6 a 10 anos de Maratá

Seu projeto consiste na medição dos batimentos cardíacos e da pressão sanguínea dos estudantes antes, durante e após a prática da capoeira. “Até o momento, nenhuma criança levantou demais ou de menos sua medição. Se um pique for grande ou pequeno demais, pode indicar um problema no coração”, aponta. Clóvis alerta que esse tipo de medição é importante, mas muitas vezes ignorado pelos próprios profissionais da área.

Orientador de Clóvis no trabalho, o professor mestre Rafael Machado de Souza destaca que o projeto de seu aluno é inédito, uma vez que estudos do gênero envolvendo a capoeira foram apenas realizados em adultos até o momento. Ele reforça que o estudo dará informações pensando em como funciona o corpo de uma criança diante da prática da arte afro-brasileira. “Com isso, poderemos dar conhecimento para outros professores”, aponta.

Rafael salienta ainda que a prática da capoeira, aliada às medições, pode acusar mudanças fisiológicas em crianças com sobrepeso ou obesas. “E o professor precisa ter mais atenção quanto a isso. Somente com esses dados ele poderá orientar e conduzir de forma certa as atividades. Sem a medição, é como caminhar de olhos fechados”, observa o professor.

Receptividade a novas ideias levou à escolha por Maratá
Apesar de dar aulas em outros municípios do Vale do Caí, Clóvis escolheu Maratá para desenvolver seu projeto em razão da receptividade encontrada no município. “Preciso agradecer o apoio dado pelos professores e pela Prefeitura. Não tive empecilhos com a minha proposta”, conta. Ele destaca que já trabalha com a capoeira na cidade há quatro anos e que, desde que iniciou o trabalho de medição, no último mês, já vê melhora de alguns índices.

Além disso, o professor da arte afro-brasileira destaca que a prática do exercício deixa as crianças mais motivadas, ajuda no desenvolvimento delas e também no convívio com os colegas. A diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Augusto Ambrósio Rücker, Caren Cristine Heck, destaca que, entre os objetivos buscados com a oficina de capoeira, estão o estímulo de psicomotricidade, aptidões físicas, a expressão individual e em grupo, a socialização e o desenvolvimento da coordenação motora. “E como o plano de estudo do município propõe o trabalho com temas transversais, são estudadas questões étnico-sociais, como a cultura afro-brasileira”, salienta.

A diretora explica que, após ter conversado com Clóvis para saber os objetivos do seu estudo, ela buscou autorização da Secretaria Municipal da Educação e também dos pais dos 41 alunos que estudam na escola e participam das aulas de capoeira. Por ser de turno integral, o educandário oferece outras atividades no contraturno escolar, como canto coral, aulas de flauta e demais instrumentos musicais, artesanato, hora do conto, horta escolar, danças alemãs, teatro e língua alemã.

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