Mosquito que transmite dengue é vetor de outras doenças graves, como a zika, a chikungunya e febre amarela. FOTO: Reprodução/Internet

Número de focos do Aedes já chega a 50 este ano. Nos doze meses de 2017, haviam sido identificados apenas 9

A identificação dos focos do mosquito Aedes Aegypti – transmissor de doenças como a dengue, a zika, a chikungunya e a febre amarela – atingiu um índice recorde. Já são 50 na cidade em 2018. A média, desde 2012, não chega a quatro. E, no ano passado, eles eram apenas nove.

A maioria dos registros feitos pela Vigilância Sanitária refere-se a residências. Dos 50 focos, 36 foram localizados em casas com pneus, caixas d’água, potes, lonas e outros objetos acumuladores de água parada, onde o mosquito começou a se proliferar. “Não são necessariamente pátios sujos. São pessoas descuidadas”, lamenta a chefe do órgão, Silvana Schons.

Montenegro já é categorizada como infestada pelo Aedes. Ainda não há, no entanto, o registro de casos de doenças associadas ao inseto. É essa a maior preocupação. “A presença do vetor (mosquito) nos coloca em uma situação de vulnerabilidade. As pessoas vêm e vão de regiões endêmicas (onde tem a doença), no Norte e Nordeste, e nós não estamos imunes”, explica Silvana. Há casos, no Estado, de dengue e de chikungunya. Basta um mosquito contrair a doença para espalhá-la.

Diante da constatação, o município tem reforçado a campanha de conscientização. Foi reaberto o Comitê de Enfrentamento do Aedes, realizadas visitas nos bairros com maior número de focos, assim como palestras em empresas e escolas – que atingiram mais de 1700 alunos. Além disso, ocorreu aumento de pontos de monitoramento e uso de carro de som e divulgação nos veículos de comunicação sobre os riscos da água parada. Parece não haver resultados.

Os focos do Aedes em Montenegro são os seguintes: quatro no bairro Progresso; dois no Centenário; dois no Rui Barbosa, onze no Timbaúva; quatro no Centro; sete no Panorama; dez no Municipal; um no Olaria; três no Ferroviário; um no Tanac; um no São João; e quatro no São Paulo. No índice, o crescimento médio em relação ao mesmo período de 2017 (janeiro a maio), foi de mais de 1230%.

Equipe encontra dificuldades no levantamento

Chefe da Vigilância, a nutricionista Silvana Schons lamenta a falta de consciência dos montenegrinos. CRÉDITO: Arquivo/Jornal Ibiá

A equipe da Vigilância realiza visitas constantes nas residências e estabelecimentos para verificar os possíveis focos onde o Aedes se multiplica. Entrar nas casas, no entanto, nem sempre é fácil. Silvana Schons conta que, em algumas residências, as pessoas só espiam da janela e não atendem. Outros moradores fazem comentários grosseiros, sem permitir a entrada. “Parece que a comunidade não compreende o papel desse trabalho”, lamenta.

Ocorre muito, também, que os cidadãos questionem e cobrem outros problemas estruturais da cidade – como falta de luz, lixo nas ruas, etc – junto aos agentes da Vigilância. Os profissionais têm, por padrão, orientado os moradores diante de tal situação, passando o contato do setor da Prefeitura que é responsável por cada problema. Os agentes fazem as visitas identificados com jaleco e crachá. O órgão está disponível, no telefone (51) 3632-1113, para que os locais visitados possam ser confirmados pelo cidadão.

Mosquitos não acabam no inverno
Ao contrário do que muitos pensam, o frio do inverno não acaba com o Aedes. O clima atrasa o ciclo de desenvolvimento do mosquito de cinco para cerca de dez dias, mas não o mata. Apenas no estágio de eclosão do ovo existe a possibilidade de uma geada matar o inseto. O cuidado, por isso, ainda é necessário. “O mosquito é oportunista e ele gosta de estar dentro dos domicílios. Ele só precisa de água parada e, de preferência, limpa”, coloca a chefe da Vigilância, Silvana Schons.

Multa
Hoje, os estabelecimentos que não respeitam os cuidados necessários para a não proliferação do Aedes podem ser multados. As residências não. A instituição de um Código Municipal de Saúde deve mudar isso. O texto já está em análise pela Prefeitura e busca dar força à conscientização. Às empresas, até hoje, só foram emitidas advertências.

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